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ISKCON Revival Movement
Movimento de Renascimento da ISKCON

A Ordem Final

Prova que Srila Prabhupada é o Guru iniciador da ISKCON

Por Krishnakant

Prólogo pela Dra. Kim Knott,

Professora de Estudos Religiosos, Universidade de Leeds, Reino Unido

Este texto foi solicitado para ser submetido
a um comitê seleto do GBC em outubro de 1996

Prólogo da Ordem Final

Pela Dra. Kim Knott, Conferencista Sénior em Estudos Religiosos,
Universidade de Leeds, Reino Unido.

Enquanto pesquisava para um artigo recente sobre “Percepções internas e externas de Srila Prabhupada”, eu encontrei a mim mesma tentando fazer justiça às diferentes visões mantidas pelos devotos com o que diz respeito à sucessão discipular e o papel dos gurus depois do desaparecimento de Prabhupada em 1977. Naturalmente, antes disso eu estava ciente desse período de crises envolvendo a queda dos gurus e das ondas de choque e tristeza experimentadas pelos irmãos e irmãs espirituais bem como pelos discípulos iniciados por eles . Eu tive a esperança, como muitos, de que a reforma dos gurus no final dos anos 80 iria solucionar a liderança da ISKCON e as dificuldades com as iniciações. Olhando novamente o assunto enquanto preparava o artigo, eu li alguns argumentos a favor e contra o sistema atual, bem como o trabalho de outros estudiosos em questões sobre o guru e sucessão. Claramente este ainda era um assunto atual. No último estudo sobre “A Instituição Parampara”, no volume 5 do Journal of Vaisnava Studies, Jan Brzezinski discute sérios aspectos sobre isso, dando grande importância à liderança carismática e qualificada para o futuro da ISKCON. É apenas um ponto de vista dele, mas é indicativo do poder deste assunto em motivar interesses dentro e fora do Movimento.

No final de 1996, eu fui convidada para ler A Ordem Final para dar a minha opinião e discutir sobre as questões apresentadas nela. Lendo o texto eu não tive dúvidas de que era uma matéria de grande significado para a ISKCON, sobre a qual muitos devotos sentiriam profundamente. Pareceu-me que ele levantava importantes questões teológicas concernentes à autoridade espiritual e sua transmissão; o relacionamento do discípulo e o representante de Krishna; o guru e os objetos adequados de adoração devocional. Sendo alguém do lado de fora, eu sou totalmente incapaz de julgar a matéria e incapaz de medir a evidência apresentada aqui contra a evidência do atual sistema de acaryas. Contudo, sou capaz de recomendar o que é apresentado aqui como uma séria tentativa de discutir o caso, uma vez que Srila Prabhupada estabeleceu um sistema de gurus Ritviks, que ele pretendia que iniciassem os discípulos em seu nome. Eu espero que este texto seja lido cuidadosamente e discutido amplamente, não porque eu apóie ou condene esta posição, mas porque a profundidade do assunto abordado demanda considerações em todos os níveis. Cada devoto tem um verdadeiro desafio nesta matéria.

Não há dúvidas que não é aconselhável que um estranho envolva-se pessoalmente escrevendo tal prólogo, mas meus motivos permanecem sendo o meu interesse no Movimento e benquerer para com todos seus devotos.

Kim Knott, fevereiro de 1997

Prefácio da quarta edição (inglês)

Faz agora uma década que a primeira edição de A Ordem Final foi publicada em 1996. Originalmente, eu descrevi A Ordem Final como um “texto de discussão sobre as instruções de Srila Prabhupada para iniciação dentro da ISKCON”. Ninguém que conhece o Movimento pode negar que o texto provocou muita “discussão”, e assim foi bem sucedido na sua meta trazendo este assunto à luz.

Seria difícil para a liderança da ISKCON agora validamente ignorar os documentos legais pessoalmente assinados por Srila Prabhupada que claramente estabelecem sua intenção de permanecer como o Diksa-guru para o movimento espiritual por ele fundado. São estes documentos legais que constituem a essência de A Ordem Final, que agora está sendo distribuído ao redor de todo o mundo e que também está disponível na web. Em vários países A Ordem Final já foi ou está sendo traduzida (em fevereiro de 2006 as seguintes traduções já estavam disponíveis: Francês, Espanhol, Alemão, Russo, Chinês, Hindi, Bengali, Kannada; com traduções em Checo, Holandês, Tamil e italiano a caminho). Além disso, os líderes da ISKCON abertamente proibiram a sua distribuição em todos os centros da ISKCON. Por esta razão, há um grande número de membros da ISKCON em geral que ainda não leram o texto, apesar de toda a cobertura da mídia e controvérsia. Mas pelo menos para os líderes executivos da ISKCON e gurus, falta de conhecimento sobre a ordem que Srila Prabhupada deu para iniciação espiritual não é mais uma desculpa. Na introdução de A Ordem Final nós declaramos que:

“Nós consideramos muito improvável que alguém esteja deliberadamente desobedecendo ou fazendo com que outros desobedeçam uma ordem direta de nosso Fundador-Acarya.

Devido à evasão do GBC, obfuscação, violenta supressão e clara desonestidade sobre A Ordem Final, o que dissemos acima precisa ser revisado.

Agora existe uma organização mundial chamada ‘ISKCON Revival Moviment’ (IRM) [Movimento de renascimento da ISKCON] que toma A Ordem Final como seu fundamento, e que foi estabelecida especificamente para difundir suas conclusões. O Movimento possui um website (www.iskconirm.com) com mais de 100 artigos publicados pelo mesmo autor, e também publica uma revista colorida trimestral chamada Back to Prabhupada (De Volta a Prabhupada), a qual é distribuída gratuitamente para milhares de assinantes pelo mundo. Há cobertura mundial das atividades do IRM pela mídia , incluindo numerosos artigos e ítens na BBC. O IRM tem também feito apresentações em grandes conferências acadêmicas incluindo a Associação de Estudos sobre Cultos (CESUR) )e a Academia Americana de Religião. Além disso, o autor de A Ordem Final tem artigos publicados por vários publicantes acadêmicos e educacionais, incluindo: Columbia University Press, Firma KLM, Continuum International Publishing e Facts on File. Através desta mídia, o IRM tem ganhado vasta aceitação entre a comunidade culta como uma força para a reforma dentro da ISKCON. Desde a formação do IRM um crescente número de devotos da ISKCON e centros ao redor do mundo têm agora aceitado as conclusões de A Ordem Final.

Perguntas freqüentes sobre Movimento de Renascimento da ISKCON (IRM)

1. O que é o IRM?

O IRM é um corpo composto de devotos da ISKCON ao redor de todo o mundo que querem ver a Sociedade colocada no caminho certo, de acordo com as diretrizes do seu fundador, Srila Prabhupada.

2. Por que existe o IRM?
A pureza original e o prestigio geral da ISKCON experimentou uma maciça deterioração desde a partida física do seu fundado no dia 14 de novembro de 1977. Srila Prabhupada sozinho estabeleceu a ISKCON em 1966 como um grande presente para o mundo, e ao partir ele deixou-a como uma força dinâmica, um farol de luz para a humanidade. Tristemente, hoje ela está se desintegrando- um fato admitido numa nota enviada em maio de 2000 pelo então presidente do GBC, Ravindra Svarupa Das:

“Portanto a questão permanece: o que, então, iremos fazer? Como iremos lidar com nossa Sociedade polarizada e desintegrante?”

Este declínio pode ser remontado aos vários desvios das instruções e padrões dados por Srila Prabhupada, dentre os quais o principal é tê-lo destituído do posto de único Diksa-guru da ISKCON. O Movimento de Renascimento da ISKCON procura restaurar a ISKCON à sua glória, pureza e castidade filosófica anterior através da reinstituição de todas as instruções e padrões que Srila Prabhupada deu, iniciando com o seu papel de única autoridade e Diksa-guru na ISKCON. A posição do IRM está estabelecida nos textos ‘The Final Order’ (A Ordem Final) e ‘No Change in ISKCON Paradigm’ (Não há modificações no paradigma da ISKCON). Ambos os textos estão disponíveis também no website: www.iskconirm.com

3. O IRM é separado da ISKCON?

Ele é um Movimento dentro do Movimento, composto por membros da ISKCON que querem reformar e reviver a Sociedade.

4. A meta do IRM é formar um novo movimento?

Não. É de restabelecer a ISKCON original que Srila Prabhupada nos deixou. Portanto, tão logo isto seja alcançado, o IRM será dissolvido.

5. Que diferença faria a restauração de Srila Prabhupada como o único Diksa-guru?

Primeiramente, é o mais básico axioma da vida espiritual, que nós podemos avançar somente quando seguimos de forma apropriada às ordens do guru. Se o guru pede leite e nós trazemos água, como Ele poderá ser agradado? E se o guru não é agradado, como então poderemos nos aproximar de Krishna?

Por cerca de três décadas a ISKCON não está fazendo o que Srila Prabhupada ordenou. Uma vez que Srila Prabhupada abandonou o planeta fisicamente, nós não permitimos que ele iniciasse mesmo uma pessoa via Ritvik, ou sistema de representantes. Este é o único sistema de iniciação que Ele autorizou para dar continuidade dentro da Sociedade. Se os membros da ISKCON começarem mais uma vez a seguir as suas ordens, então naturalmente eles irão agradar o Senhor Krishna, e todo o progresso espiritual seguirá naturalmente. E também, se todos tiverem a mesma relação direta como discípulos de Srila Prabhupada, o faccionalismo será eliminado. Pela primeira vez em quase trinta anos haverá união em espírito de equipe, com todos trabalhando pela mesma meta – o serviço e glorificação de Srila Prabhupada e Sri Krishna. Muitos “gurus” da ISKCON têm sido vítimas de grosseiras atividades pecaminosas; e quando eles deixam a Sociedade, levam consigo centenas de milhares de dólares e muito dos seus seguidores. Esta contínua perda de propriedades, fé e pessoal será eliminada uma vez que a fé seja colocada apenas em Srila Prabhupada, e não em substitutos falíveis. O dinheiro sugado de seus discípulos pelos 80 “gurus” na forma de daksina (doação em dinheiro) irá para os templos, fazendo-os saudáveis e fortes.

6. Como pode o IRM estar certo de que a sua posição é correta e que a do GBC não?

O IRM considera a sua posição correta uma vez que está baseada em documentos legais assinados que foram dirigidos a todo o Movimento. Por outro lado, o GBC já apresentou pelo menos três posições oficiais contraditórias (nenhuma das quais têm o suporte de documentos legais), e assim não possue tecnicamente uma posição, o que dizer de uma posição correta. Devemos assinalar que não apenas estes vários fatores se contradizem uns aos outros, mas eventualmente também contradizem a si mesmos. Por exemplo, se nós tomarmos a simples pergunta sobre quando Srila Prabhupada autorizou a sua substituição como Diksa-guru para a ISKCON, nós encontramos as seguintes respostas oficiais do GBC:

a) ‘On My Order Understood’ ( ‘Sob Minha Ordem’ compreendido, GBC, 1995): Srila Prabhupada deu a ordem para os gurus ao mesmo tempo que a ordem que os devotos deveriam atuar em seu nome, e isso ocorreu no dia 7 de julho de 1977 (pg. 28, em ‘Gurus and Initiation in ISKCON’ (Gurus e Iniciação na ISKCON, GBC, 1995);

b) ‘Disciple of My Disciple’ (Discípulo de Meu Discípulo), (S. S. Umapati Swami, 1997): onze diksa-gurus foram indicados e preparados no dia 28 de maio de 1977, uma vez que “Ritvik” quer dizer “oficiante Acarya”, que significa “diksa-guru”.

c) ‘Prabhupada’s Order’ ( A Ordem de Prabhupada, Badrinarayan das, 1998): no dia 9 de julho de 1977, os onze estavam plenamente atuando como gurus, mas simplesmente observando a etiqueta na presença de Srila Prabhupada.

Como vimos acima, o GBC forneceu três diferentes datas para quando Srila Prabhupada aparentemente sancionou sua substituição: a) referindo-se a uma conversa no jardim; b) referindo-se a uma reunião entre Srila Prabhupada e alguns discípulos seniores, enquanto que c) refere-se a uma diretriz assinada sobre iniciação, pela qual este livreto é chamado (A Ordem Final). Deste modo, cada texto do GBC nos conta uma estória muito diferente. Mas para piorar:

Em março de 2004, na reunião anual em Mayapur, o GBC oficialmente retirou o texto “Under My Order Understood”, e de maneira velada admitiram que continha “mentiras” e “exagerava os fatos”. A Ordem Final havia sido originalmente escrita em desafio àquele mesmo texto (ver a introdução), e o fato de que ele agora foi retirado de forma desonrosa apenas confirma a posição do IRM.

De forma muito clara, o GBC está confuso sobre quando os diksa-gurus sucessores foram autorizados. O IRM argumenta que isso é inevitável, uma vez que Srila Prabhupada jamais criou quaisquer diksa-gurus substitutos, apenas Ritviks; este sistema Ritvik foi o que ele deixou em andamento, com nenhuma ordem para pará-lo. Baseados nisso, nós argumentamos que o GBC deve primeiramente decidir-se por uma posição, e apenas então seremos capazes de julgar sua eficácia.

É uma lástima que mesmo hoje em dia qualquer um que questione sobre este miasma de testemunhos discordantes do GBC é rudemente perseguido na Sociedade.

Krishnakant
fevereiro de 2006

Se você deseja mais informações sobre o IRM, incluindo assinatura gratuita da nossa revista, ou deseja perguntar a respeito de A Ordem Final, então, por favor, envie um e-mail para o autor: irm@iskconirm.com ou visite nosso website e: www.iskconirm.com

Introdução

Este livreto é uma humilde tentativa para apresentar as instruções que Srila Prabhupada deixou para a Comissão do Corpo Governamental (GBC) sobre como ele pretendia que as iniciações continuassem dentro da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON). Apesar de referirmos a muitos textos e artigos que foram publicados por devotos seniores da ISKCON sobre esta matéria, os pontos principais referem-se ao mais recente livreto do GBC sobre iniciação intitulado “Gurus and Initiation in ISKCON” (Gurus e Iniciação na ISKCON)-que será referido daqui para a frente como GII- e o texto “On my order understood”, (‘Sob minha ordem’ compreendido) o qual é mencionado sob a seção 1.1 das “Leis da ISKCON” (Laws of ISKCON):

“O GBC aprova o texto intitulado ‘Under My Order Understood’, o qual estabelece como a lei da ISKCON o Siddhanta final sobre o desejo de Srila Prabhupada para continuar com a sucessão discipular após a partida de Sua Divina Graça” [ver parte II: Textos da posição do GBC neste volume].
(GII, p.1).

No texto GII o GBC claramente afirmou a intenção de remover a incoerência e a contradição nos códigos e leis da ISKCON no que envolve gurus, discípulos e guru-tattva em geral, assim estabelecendo um Siddhanta final (conclusão filosófica). Nós sinceramente oramos para que este texto seja de acordo com esses mesmos objetivos.

Com um propósito de alcançar maior consistência e castidade filosófica, nós sentimos que permanecem uma ou duas discrepâncias que não foram plenamente abordadas no texto GII, as quais poderiam ser clarificadas com investigações e discussões mais profundas. Apesar de alguns dos tópicos levantados ao confrontar estas discrepâncias talvez pareçam radicais, ou mesmo difíceis de lidar, nós sentimos que confrontar com eles agora irá minimizar grandemente futuras confusões e possíveis desvios. Não é sem precedentes que o sistema de gurus da ISKCON tem sofrido uma revisão bastante radical. No passado, símbolos foram removidos, cerimônias cortadas e paradigmas substituídos – tudo isso sem prolongada ruptura.

Em todo o seu esquema, ISKCON é indubitavelmente a mais importante Sociedade no Planeta. Portanto, é imperativo que uma constante vigilância seja mantida para assegurar que não se desvie nem sequer uma milionésima parte da espessura de um fio cabelo dos seus parâmetros filosóficos e administrativos estabelecidos pelo nosso Fundador-Acarya. Srila Prabhupada constantemente enfatizava que nós não devemos mudar, inventar ou especular, mas simplesmente continuar expandindo o que ele cuidadosa e laboriosamente estabeleceu. Que momento seria melhor do que este, o ano de seu centenário (1996), para examinar de perto a maneira como estamos continuando a missão de Srila Prabhupada?

É nossa forte convicção que o presente sistema de gurus dentro da ISKCON deverá alinhar-se completamente com a última diretriz assinada por Srila Prabhupada sobre este assunto- sua ordem final sobre iniciação, datada de 9 de julho de 1977 (por favor veja o apêndice). Algumas vezes as pessoas questionam a importância colocada nesta carta acima de outros textos, cartas e ensinamentos. Em nossa defesa, nós iremos simplesmente repetir um axioma que o próprio GBC usa no seu livreto GII:

“ Em lógica, enunciados posteriores sobrepõem os anteriores em importância”
(GII, p.25).

Uma vez que a carta do dia 9 de julho é na realidade a instrução final sobre as iniciações dentro da ISKCON, endereçada como foi a todo o Movimento, ela deve ser vista como uma categoria própria. Será mostrado que a plena aceitação e implementação daquela ordem de modo algum colide com os ensinamentos de Srila Prabhupada.

Nós não temos interesses em teorias conspiradoras, nem pretendemos entrar em detalhes sobre infortúnios e dificuldades espirituais pessoais. O que está feito está feito. Com certeza, nós podemos aprender com os erros anteriores, e nós preferimos ajudar a pavimentar o caminho para um futuro positivo de reunificação e perdão do que nos reter por muito tempo em escândalos passados. Com respeito aos autores, a grande maioria dos devotos da ISKCON está sinceramente se esforçando para agradar Srila Prabhupada; desta forma, nós consideramos muito improvável que alguém esteja deliberadamente desobedecendo ou fazendo com que outros desobedeçam uma ordem direta de nosso Fundador Acarya. Não obstante, de alguma forma ou outra, parece que certas aberrações de epistemologia e detalhes administrativos se infiltraram dentro do sistema geral da ISKCON nos últimos dezenove anos. Identificando estas áreas manchadas, nós oramos para que possamos dar alguma ajuda na tarefa de desraigar obstruções desnecessárias no nosso serviço devocional a Srila Prabhupada e Sri Krishna.

Neste livreto iremos apresentar como evidência documentos pessoalmente assinados e emitidos por Srila Prabhupada, bem como transcrições de conversas-tudo aceito como autêntico pelo GBC. Nós então analisaremos de forma cuidadosa tanto o contexto quanto o conteúdo destes materiais, e ver se devem ser levados literalmente ou se existem outras instruções que possam alterar de forma razoável o seu significado ou aplicação. Também debateremos todos os tópicos filosóficos relevantes levantados em conexão com esta evidência, e iremos responder a todas as objeções mais comuns levantadas contra a aceitação literal do documento do dia 9 de julho no que se refere as iniciações no futuro. E, finalmente, nós analisaremos como o sistema de Acarya oficiante, conforme delineado na ordem do dia 9 de julho, pode ser implementado sem muita perturbação.

Todos os nossos argumentos estão fundamentados exclusivamente na filosofia e instruções dadas por Srila Prabhupada em seus livros, cartas, aulas e conversas. Humildemente pedimos a misericórdia de todos os Vaisnavas para que não sejemos ofensivos a ninguém ou de forma alguma causemos ruptura na missão de Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Srila Prabhupada.

A EVIDÊNCIA

Qualquer um que tenha conhecido Srila Prabhupada geralmente notava a sua natureza meticulosa. Sua meticulosa atenção em cada detalhe no seu serviço devocional era uma das mais distintas características de Srila Prabhupada; e para aqueles que o serviram pessoalmente, era grande evidência de seu profundo amor pelo Senhor Sri Krishna. Toda a sua vida foi dedicada a executar a ordem do seu mestre espiritual, Srila Bhaktisiddhanta, e neste dever ele foi fantasticamente vigilante. Ele não deixava nada ao acaso, sempre corrigindo, guiando e castigando os seus discípulos nos seu esforço para estabelecer a ISKCON. Sua missão era sua vida, e ele até mesmo disse que ISKCON era o seu corpo.

Certamente, seria incompatível com caráter de Srila Prabhupada negligenciar um tópico tão importante como este, o futuro das iniciações em sua Sociedade tão querida, deixando-o no ar, ambíguo ou aberto para debate ou especulação. Isto é particularmente verdade com base nos fatos sucedidos na missão de seu próprio mestre espiritual, a qual, como muitas vezes ele assinalou, foi amplamente destruída pela operação de um sistema de gurus não autorizados. Tendo isso em mente, comecemos com os fatos que ninguém pode negar:

No dia 9 de julho de 1977, quatro meses antes de sua partida física, Srila Prabhupada estabeleceu um sistema de iniciação empregando o uso de “Ritviks”, ou “representantes do Acarya”. Srila Prabhupada instruiu que este sistema de Acaryas oficiantes deveria ser instituído imediatamente e iria continuar desde aquele momento ou dali para frente “henceforward”- (por favor veja os apêndices). Esta diretriz administrativa, a qual fora enviada para toda a Comissão do Corpo Governamental e Presidentes de Templo da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, instruía que desde aquele momento os novos discípulos deveriam receber os nomes espirituais, rosários e o mantra Gayatri destes 11 Ritviks nomeados. Estes Ritviks atuariam em nome de Srila Prabhupada e os novos devotos iniciados seriam discípulos de Srila Prabhupada. Assim Srila Prabhupada concedeu aos rtviks pleno poder para atuarem como procuradores para os que receberiam a iniciação, e deixou claro que daquele momento em diante não seria mais necessário consultá-lo (para os detalhes sobre as obrigações de um Ritvik, por favor veja a seção intitulada ‘O que é um Ritvik?’).

Imediatamente após a partida física de Srila Prabhupada, no dia 14 de novembro de 1977, o GBC suspendeu o sistema Ritvik. No Gaura Purnima de 1978, os 11 Ritviks assumiram papel de diksa-guru e acarya regional, iniciando discípulos em seu próprio nome. O mandato para que eles fizessem isso foi uma alegada ordem de Srila Prabhupada de que apenas eles seriam os sucessores como acaryas iniciadores. Alguns anos mais tarde, este sistema de acarya regional foi modificado e substituído, não pela restauração do sistema Ritvik, mas pela adição de dúzias de mais gurus, junto com um elaborado sistema de medidas e restrições para lidar com aqueles que se desviaram; o raciocínio para essa mudança sendo que a ordem de se tornar guru não era, como se disse anteriormente, somente aplicável àqueles 11, senão que era uma instrução geral para qualquer um que seguisse estritamente e recebesse uma maioria de votos de dois terços dos membros do GBC.

A nota acima não se trata de uma opinião política, é um fato histórico, aceito por todos, incluindo o GBC.

Como mencionamos acima, a carta do dia 9 de julho foi enviada a todos os membros do GBC e presidentes de templo, e permanece até hoje como a única instrução assinada sobre o futuro das iniciações que Srila Prabhupada emitiu para toda a Sociedade. Comentando sobre a ordem do dia 9 de julho, Jayadvaita Swami, recentemente escreveu:

“Sua autoridade está além de questionamentos (...) claramente esta carta estabelece um sistema de guru Ritvik
(Jayadvaita Swami, Where the Ritvik People are Wrong, 1996).

A origem da controvérsia surgiu de duas modificações, as quais foram subseqüentemente impostas sobre esta diretriz, que de outra forma é muito clara e autorizada:

Modificação a): que o apontamento dos representantes ou Ritviks foi apenas temporário, especificamente para ser encerrado na partida de Srila Prabhupada.

Modificação b): tendo cessada a função de meros representantes, os Ritviks tornar-se-iam utomaticamente diksa-gurus, iniciando pessoas como seus próprios discípulos, e não de Srila Prabhupada.

As reformas para o sistema de acarya regional que aconteceram em 1987 mantiveram intactas aquelas duas suposições. De fato, as mesmas suposições formavam a base do próprio sistema substituído. Nós nos referimos a: a) e b), acima como modificações, uma vez que nenhuma destas afirmações aparece na carta do dia 9 de julho, nem em qualquer documentado legal emitido por Srila Prabhupada subseqüente a àquela ordem.

O texto GII do GBC claramente suporta as já mencionadas modificações:

“Quando perguntaram a Srila Prabhupada quem iniciaria depois de sua partida física, ele afirmou que ‘recomendaria’ e daria ‘ordem’ a alguns de seus discípulos para que iniciassem em seu nome enquanto estivesse vivo, e que depois disso atuariam como gurus regulares, cujos discípulos seriam discípulos dos discípulos de Srila Prabhupada”
(GII, p.14).

Com o passar dos anos, aumentou o número de devotos questionando a legitimidade destas suposições fundamentais. Para muitos, isso jamais fora comprovado apropriadamente, e, por conseguinte, um desagradável sentido de dúvida e desconfiança cresceu tanto dentro como fora da Sociedade. Atualmente, livros, artigos, e-mails e sites da web oferecem informações quase diárias sobre a ISKCON e seu suposto desviado sistema de gurus. Qualquer coisa que possa trazer algum tipo de resolução para esta controvérsia deve parecer positiva para aqueles que verdadeiramente se importam com o Movimento de Srila Prabhupada.

Um ponto sobre o qual todos concordam é que Srila Prabhupada é a autoridade última para todos os membros da ISKCON; então, qualquer que tenha sido a intenção de sua ordem, é nossa obrigação executá-la. Outro ponto de concordância é que o único documento assinado sobre futuras iniciações, o qual fora enviado para todos os líderes da Sociedade, foi a ordem do dia 9 de julho.

É importante notar que no texto GII a existência da carta do dia 9 de julho não é sequer mencionada, embora este seja o único local onde os onze “acaryas” originais são de fato mencionados . Esta omissão causa perplexidade, uma vez que GII supostamente apresenta um “siddhanta finalpara o assunto todo.

Vejamos mais de perto a ordem do dia 9 de julho, para então vermos se de fato alguma coisa apóia as suposições a) e b) mencionadas acima:

A ordem em si

Como mencionamos anteriormente, a ordem do dia 9 de julho afirma que o sistema Ritvik deve ser seguido dali para frente “henceforward”. A palavra especificamente usada foi “henceforward”, tendo apenas um sentido, a saber: “de agora em diante”. Isso está tanto de acordo com o uso prévio da palavra por Srila Prabhupada, quanto com o seu significado lexical na língua inglesa. Ao contrário de outras palavras, a palavra “henceforward” não é ambígua, uma vez que possui apenas uma definição no dicionário. Em outras 86 ocasiões em que nós encontramos a palavra “henceforward” sendo empregada por Srila Prabhupada, ninguém levantou a possibilidade de que a palavra poderia significar outra coisa além de “daqui para a frente”. “Daqui para frente” não significa “daqui para frente até que eu parta”. Simplesmente significa “daqui para frente”. Não está mencionada na carta que o sistema deveria parar com a partida de Srila Prabhupada, nem que o sistema deveria operar apenas durante a presença dele. Além disso, o argumento de que todo o sistema Ritvik depende de uma palavra- “henceforward”- é inadmissível, pois ainda que tirássemos a palavra da carta, nada mudaria. Ainda restaria um sistema estabelecido por Srila Prabhupada quatro meses antes de sua partida, e não houve uma instrução subseqüente para terminar com ele. Sem tal instrução que se contraponha, esta carta permaneceria intacta como a instrução final de Srila Prabhupada sobre iniciação, e deve portanto ser seguida.

Instruções de apoio

Houve outras declarações feitas por Srila Prabhupada e pelo seu secretário nos dias seguintes à carta do dia 9 de julho que indicam que o sistema Ritvik foi destinado para continuar sem cessar:

. “... o processo de iniciação para ser seguido no futuro (11 de julho).

. “... continue sendo Ritvik e atue em nome” (19 de julho).

. “... continue sendo Ritvik e atue em nome”
(31 de julho) (por favor veja os apêndices).

Nestes documentos nós encontramos palavras tais como: “continue” e “futuro”, as quais junto com a palavra “henceforward” (daqui para frente) apontam para a permanência do sistema Ritvik. Não há nenhuma declaração de Srila Prabhupada que dê sequer uma sugestão de que o sistema terminaria com a sua partida.

Instruções subseqüentes

Uma vez que o sistema Ritvik foi estabelecido e estava em andamento, Srila Prabhupada jamais emitiu uma ordem subseqüente para parar com o sistema, tampouco jamais afirmou que ele devesse ser dispensado depois de sua partida. Talvez consciente de que tal coisa pudesse erroneamente ou de alguma forma ocorrer, ele colocou no começo do seu testamento que o sistema de administração corrente na ISKCON deve continuar, e que não deveria ser modificado – uma instrução deixada intacta por um apêndice adicional, apenas nove dias antes de sua partida. Seguramente, essa teria sido a oportunidade perfeita para dispensar o sistema Ritvik, se fosse sua intenção (por favor veja os apêndices). O fato de que o uso de Ritviks para dar nomes aos iniciados era um sistema de administração pode ser ilustrado pelo seguinte:

Em 1975 uma resolução preliminar do GBC sancionou que: “a única responsabilidade do GBC seria com assuntos administrativos”. Abaixo estão alguns dos assuntos administrativos com que o GBC lidou naquele ano:

“Para receber a primeira iniciação, o candidato deve ter sido membro por tempo integral por seis meses. Para a segunda iniciação, pelo menos um ano deverá ter transcorrido após a primeira iniciação”
(GBC Resolução nº 9, 25 de março de 1975).

“Método de iniciação de sannyasis (GBC Resolução nº 2, 27 de março de 1975).

Estas resoluções foram pessoalmente aprovadas por Srila Prabhupada. Elas demonstram conclusivamente que a metodologia para conduzir as iniciações era considerada um sistema de administração. Se toda a metodologia para conduzir as iniciações é considerada um sistema de administração por Srila Prabhupada, então um elemento da iniciação, a saber, o uso de Ritviks para dar nomes espirituais, tem que ser incluído sob os mesmos termos de referência.

Assim, modificar o sistema Ritvik de iniciações foi uma violação direta do testamento de Srila Prabhupada.

Outra instrução no testamento de Srila Prabhupada, a qual indica a intenção da longevidade do sistema de Ritvik, é onde está declarado que os diretores executivos das propriedades permanentes na Índia deveriam ser selecionados entre os discípulos iniciados de Srila Prabhupada:

“... um diretor sucessor, ou diretores, deve ser apontado pelos diretores remanescentes, contanto que o diretor seja meu discípulo iniciado...”
(Srila Prabhupada, Declaration of Will, 4 de junho de 1977).

Isso é algo que somente poderia ocorrer se o sistema ritvik de iniciação permanecesse depois da partida de Srila Prabhupada, pois de outra forma o número de diretores em potencial eventualmente se esgotaria.

Além disso, cada vez que Srila Prabhupada falou de iniciações depois do dia 9 de julho, ele simplesmente reconfirmou o sistema Ritvik. Ele nunca deu qualquer indício de que o sistema deveria parar depois da sua partida ou que existiam gurus aguardando na fila, prontos para assumir o papel de diksa. Portanto, pelo menos no que diz respeito à evidência direta, parece não haver nada que apóie as suposições a) e b) referidas anteriormente. Como declarado, aquelas suposições – que o sistema Ritvik deveria ter parado na partida de Srila Prabhupada e que os Ritviks deveriam tornar-se diksa-gurus – formam a verdadeira base do atual sistema de gurus da ISKCON. Se eles forem provados como inválidos, então certamente o GBC necessitará repensar sobre tudo radicalmente.

O que foi dito estabelece o cenário. A própria instrução, instruções de apoio e instruções subseqüentes apenas suportam a continuação do sistema Ritvik. Todos os envolvidos neste assunto admitem que Srila Prabhupada nunca deu qualquer ordem para terminar com o sistema Ritvik depois de sua partida física. Também é aceito por todos que Srila Prabhupada estabeleceu o sistema Ritvik para ser posto em funcionamento a partir do dia 9 de julho em diante.
Assim, nós temos a situação segundo a qual o Acarya:

1) deu uma clara instrução para seguirmos o sistema Ritvik;

2) não deu instrução alguma para que se parasse o sistema Ritvik após a sua partida física.

Consequentemente, para que um discípulo pare de seguir esta ordem, com qualquer grau de legitimidade, é necessário que ele supra alguma base sólida para fazer isso. A única coisa que Srila Prabhupada de fato nos disse foi que seguíssemos o sistema Ritvik. Ele nunca nos disse para pararmos de segui-la, ou que somente em sua presença física poderíamos segui-la. O ônus da prova cairá naturalmente sobre aqueles que desejem terminar qualquer sistema estabelecido por nosso Acarya, e que devesse continuar dali para frente. Este é um ponto óbvio; ninguém pode simplesmente parar de seguir as ordens do guru caprichosamente:

“... o processo é que você não pode mudar a ordem do mestre espiritual”
(palestra sobre o C.C. Adi 7.76-81, 2-1-67, San Franscisco)

Um discípulo não precisa se justificar para continuar a seguir uma ordem direta do guru, especialmente quando lhe fora dito que deveria continuar a segui-la. Isso é axiomático – é isso o que a palavra “discípulo” significa:

“Quando alguém se torna discípulo, ele não pode desobedecer a ordem do mestre espiritual”.
(Srila Prabhupada, palestra sobre o B.G., dia 11/02;75, México).

Uma vez que não há evidência direta afirmando que o sistema Ritvik deveria ser abandonado na partida física de Srila Prabhupada, o caso para abandoná-lo teve ter sido portanto apenas baseado em evidência indireta. Evidência indireta pode surgir em circunstâncias especiais envolvendo uma instrução direta e literal. Essas circunstâncias atenuantes, se é que elas existem, poderiam ser usadas como base para interpretar uma instrução literal. Nós iremos agora examinar as circunstâncias envolvendo a ordem do dia 9 de julho para vermos se tais circunstâncias modificadoras poderiam de fato estar presentes, e se há por inferência qualquer coisa que possa apoiar as suposições a) e b).

OBJEÇÕES DIRETAMENTE RELACIONADAS COM A FORMA E AS CIRCUNSTÂNCIAS DA ORDEM FINAL

1) “A carta claramente insinua que somente se aplicava enquanto Srila Prabhupada estivesse presente”.

Não há nada na carta que diga que a instrução fora feita apenas para enquanto Srila Prabhupada estivesse fisicamente presente. De fato, a única informação dada suporta a continuação do sistema Ritvik após a partida de Srila Prabhupada. É importante notar que dentro da carta do dia 9 de julho está dito três vezes que os que forem iniciados serão discípulos de Srila Prabhupada. Ao apresentar evidências para seu sistema de gurus atual, o GBC argumentou vigorosamente que Srila Prabhupada tinha deixado claro com respeito a si mesmo que era uma lei inviolável o fato que ninguém poderia iniciar na sua presença. Assim, a necessidade de declarar que os futuros discípulos pertenceriam a Srila Prabhupada deve indicar que a instrução fora destinada para atuar durante o período de tempo quando sua posse poderia até mesmo ser questionada, ou seja, depois da sua partida.

Por alguns anos, Srila Prabhupada tinha utilizado representantes para cantar nas contas, executar cerimônia de fogo yajña, dar o mantra Gayatri, etc. Ninguém jamais questionou a quem os novos iniciados pertenciam. Bem no começo da carta do dia 9 de julho está enfaticamente dito de que os apontados são “representantes” de Srila Prabhupada. A única inovação naquela carta é que incluía então a formalização da regra dos representantes; dificilmente é algo que pudesse ser confundido com uma ordem direta para que eles se tornassem plenamente diksa-gurus. A ênfase de Srila Prabhupada sobre a posse dos discípulos seria portanto completamente redundante caso o sistema fosse feito para operar apenas na sua presença, uma vez que estando presente ele poderia pessoalmente assegurar que ninguém declarasse falsa posse dos discípulos. Como já mencionamos, este ponto foi enfatizado três vezes em uma carta que é bastante curta e direta:

“Tão logo alguma coisa seja enfatizada três vezes, isso significa que é conclusiva”
(aula de Srila Prabhupada sobre o B.G., 27/11/68, Los Angeles).

A carta do dia 9 de julho declara que os nomes dos novos discípulos iniciados devem ser enviados para Srila Prabhupada – poderia isso indicar que o sistema deveria funcionar somente enquanto Srila Prabhupada estivesse presente fisicamente? Alguns devotos argumentam que uma vez que não mais podemos enviar esses nomes para Srila Prabhupada, o sistema Ritvik tornou-se inválido.

O primeiro ponto a notar é o propósito dito por detrás do ato de enviar nomes para Srila Prabhupada, ou seja, que eles pudessem ser incluídos no seu livro de discípulos iniciados. Nós sabemos pela conversa do dia 7 de julho (por favor veja os apêndices) que Srila Prabhupada não tinha nada haver com o registro de novos nomes dentro daquele livro; isso era feito pelo seu secretário. Mais evidência de que os nomes deveriam ser enviados para inclusão no livro, e não especificamente para Srila Prabhupada, foi dada numa carta escrita para Hamsaduta, no dia seguinte, onde Tamala Krishna Goswami explica para ele sua nova obrigação como Ritvik:

“... você deverá enviar os nomes deles para serem incluídos no livro de discípulos iniciados de Srila Prabhupada”.
(Carta de Tamala Krishna Goswami para Hamsaduta, 10/07/77).

Aqui não há menção feita de que os nomes deveriam ser enviados para Srila Prabhupada. Este procedimento poderia facilmente ter continuado depois da partida física de Srila Prabhupada. Em nenhum lugar da ordem final de Srila Prabhupada diz que o se o livro dos discípulos iniciados se separar fisicamente de Srila Prabhupada, todas as iniciações deveriam ser suspensas.

O ponto seguinte é que o procedimento de enviar os nomes dos novos iniciados para Srila Prabhupada de forma alguma se relaciona com a atividade de pós-iniciação. Os nomes poderiam ser enviados somente após os discípulos terem sido iniciados. Portanto, uma instrução concernente ao que deve ser feito após a iniciação não pode ser usada para emendar ou de modo algum interromper o que precede a iniciação, ou, deveras, o processo de iniciação (já que o papel do Ritvik seria executado muito antes da cerimônia acontecer). O fato de que os nomes fossem enviados ou não a Srila Prabhupada não tem nada a ver com o sistema de iniciação, pois uma vez que os novos nomes estivessem prontos para serem enviados, a iniciação já teria acontecido.

O último ponto é que se enviar os nomes para Srila Prabhupada fosse uma parte vital da cerimônia, então mesmo antes da partida de Srila Prabhupada o sistema seria invalido, ou ao menos correria um risco constante de assim ser. Era do conhecimento geral que Srila Prabhupada estava prestes a nos deixar a qualquer momento, portanto o perigo de não haver para onde mandar os nomes estava presente deste o primeiro dia em que a ordem fora emitida. Em outras palavras, considerando o possível cenário em que Srila Prabhupada tivesse abandonado o planeta no dia seguinte em que um discípulo tivesse sido iniciado através do sistema Ritvik, de acordo com a proposição mencionada, o discípulo não teria sido de fato iniciado simplesmente por causa da demora do correio. Não encontramos nenhuma menção nos livros de Srila Prabhupada de que o processo transcendental de diksa, o qual pode levar várias vidas para se completar, pode ser obstruído pelas vicissitudes do serviço de correios. Certamente não haveria nada que prevenisse que os nomes dos novos iniciados entrassem no livro de discípulos iniciados de Sua Divina Graça mesmo agora. Este livro poderia então ser oferecido a Srila Prabhupada no momento apropriado.

2. “A carta não diz especificamente que‘este sistema deverá continuar após a partida de Srila Prabhupada’; portanto, foi correto parar o sistema Ritvik quando Srila Prabhupada partiu”.

Por favor, considerem os seguintes pontos:

1. A carta do dia 9 de julho também não especifica: “o sistema Ritvik deverá terminar com a partida de Srila Prabhupada”. Ainda assim, foi terminado imediatamente após a sua partida.

2. A carta também não diz: “o sistema Ritvik deverá continuar apenas enquanto Srila Prabhupada estiver presente”. Ainda assim, estava em andamento enquanto ele estava presente.

3. A carta também não diz: o sistema Ritvik deverá seguir apenas até a partida de Srila Prabhupada”. Mas apesar disso, ele foi permitido a continuar somente até a sua partida.

4. A carta também não diz: o sistema Ritvik deve parar”. Ainda assim, ele foi parado.

Em resumo, o GBC insiste que:

· O sistema ritvik deve parar.

· O sistema ritvik deve para quando Srila Prabhupada partir.

Nenhumas das estipulações acima aparecem na carta do dia 9 de julho, nem em outra ordem assinada; mas mesmo assim elas foram a fundação tanto do sistema de acarya regiona, quanto do corrente “sistema de múltiplos sucessores Acaryas” ou M.A.S.S. (sigla em inglês) como iremos chamar ao referir a ele (neste contexto, nós usamos a palavra “Acarya” no seu sentido mais forte, de mestre espiritual iniciador, ou diksa-guru).

O argumento de que uma vez que a carta não especifica sobre o período de tempo que iria transcorrer, e que deveria, portanto, terminar na partida de Srila Prabhupada, é completamente ilógico. A carta tampouco especifica que o sistema Ritvik deveria ser seguido no dia 9 de julho, então de acordo com esta lógica ele jamais deveria ter sido seguido de nenhum modo. Mesmo aceitando que “henceforward” – daqui para frente – possa pelo menos estender-se até o final do primeiro dia em que a ordem fora assinada, não está dito que deveria ser seguida no dia 10 de julho, então talvez ela deveria ter sido parada no mesmo dia.

A exigência que o sistema Ritvik operasse apenas por um período de tempo pré-especificado é contradito ao aceitarmos sua operação por 126 períodos separados de 24 horas (ou seja, quatro meses), uma vez que nenhum destes 126 períodos separados está especificado na carta, e ainda assim todos parecem estar muito satisfeitos com a idéia de que o sistema somente seria efetivo durante este período de tempo. A menos que tomemos a palavra “henceforward” – daqui para frente – literalmente significando “indefinidamente”, poderíamos parar o sistema Ritvik a qualquer momento depois do dia 9 de julho, então por que escolher o momento de sua partida?

Não existe nenhum exemplo, seja nas 86 vezes gravadas em que Srila Prabhupada usa esta palavra, ou em toda a história da língua inglesa, no qual a palavra “henceforward” signifique:

“O período de tempo até a partida da pessoa que emitiu uma ordem”.

E ainda assim, de acordo com a opinião geral, isto é o que a palavra deve ter significado quando foi utilizada na carta do dia 9 de julho. Tudo o que a carta afirma é que o sistema Ritvik deverá ser seguido “henceforward” - “daqui para frente”. Então por que foi parado?

3. Certas instruções obviamente não podem continuar depois da partida de Srila Prabhupada, e assim está entendido que a intenção de Srila Prabhupada era que fossem seguidas somente durante a sua presença; por exemplo, alguém podia ter sido apontado para dar a Srila Prabhupada sua massagem cotidiana “daqui para frente”. Pode ser que a ordem Ritvik seja do mesmo tipo?

Se uma instrução é impossível de se executar, por exemplo, dar a Srila Prabhupada sua massagem diária após a sua partida física, então obviamente está fora de questão. O dever do discípulo é simplesmente seguir uma ordem até que esta seja impossível de ser seguida por mais tempo, ou até que o mestre espiritual mude a ordem. A questão é se é possível ou não seguir o sistema Ritvik sem a presença da pessoa que o estabeleceu.

De fato, o sistema Ritvik foi estabelecido especificamente para que operasse sem nenhum envolvimento físico de Srila Prabhupada absolutamente. Se o sistema Ritvik tivesse continuado depois de sua partida, teria sido idêntico em todos os aspectos ao modo como era praticado enquanto Srila Prabhupada estava presente. Depois da carta do dia 9 de julho, o envolvimento de Srila Prabhupada se tornou nulo, e então mesmo naquela época o sistema estava operando como se ele já tivesse partido. Sendo este o caso, não podemos classificar o sistema Ritvik como desfuncional ou inoperável com base na partida de Srila Prabhupada, uma vez que sua partida não afeta de nenhum modo o funcionamento do sistema. Em outras palavras, já que o sistema foi especificamente estabelecido para operar como se Srila Prabhupada não estivesse no planeta, sua partida do planeta não pode em si mesma tornar o sistema inválido.

4. “O fato de que a ordem fora ‘apenas’ emitida numa carta, e não num livro, nos dá a licença para interpretá-la indiretamente”.

Este argumento de “carta versus livro” não se aplica ao caso, uma vez que não se trata de uma carta comum. Geralmente, Srila Prabhupada escrevia uma carta em resposta a alguma questão específica de algum discípulo individualmente, ou para oferecer uma orientação ou punição individual. Naturalmente, nestes casos, a pergunta individual do devoto, a situação ou desvio pode dar motivo para uma interpretação. Nem tudo nas cartas de Srila Prabhupada pode ser aplicado universalmente (por exemplo, numa carta ele aconselha a um devoto que não se dava bem com temperos que apenas cozinhasse com um pouco de sal e tumerique; claramente esse conselho não se aplica ao Movimento inteiro). Todavia, a ordem final sobre iniciações não está aberta a qualquer interpretação, uma vez que ela não foi escrita em resposta a uma questão específica de uma pessoa em particular, ou dirigida a uma situação ou comportamento pessoal de algum discípulo. A carta do dia 9 de julho foi uma instrução formal ou um documento sobre medidas administrativas que foi enviado para todos os líderes no Movimento.

A carta segue o formato de qualquer outra instrução importante que Srila Prabhupada emitiu e queria que fosse seguida sem interpretações – ele a tinha colocado por escrito; ele aprovou-a, e então enviou-a para seus líderes. Por exemplo, ele tinha enviado uma ordem no dia 22 de abril de 1972, endereçada a TODOS OS PRESIDENTES DE TEMPLO:

“A obrigação do secretário regional é ver se os princípios espirituais sendo muito bem mantidos em todos os templos de sua zona. De qualquer forma, cada templo deverá ser independente e auto-sustentado”.
(Srila Prabhupada, carta para todos os presidentes de templo, 22-4-72).

Srila Prabhupada não publicava um livro novo cada vez que ele emitia uma instrução importante, independente do fato de que tal instrução devesse continuar depois de sua partida ou não. Portanto, a forma na qual a instrução fora emitida não a torna suscetível à interpretações indiretas, e tampouco diminuem a sua validade de nenhum modo.

5. “Talvez houvesse alguma condição especial envolvendo a emissão da ordem que prevenha sua aplicação depois da partida de Srila Prabhupada?”

Se tais circunstâncias tivessem existido, Srila Prabhupada as teria mencionado na carta ou em algum documento anexado. Srila Prabhupada sempre deu informação suficiente para capacitar a correta aplicação de suas instruções. Certamente, ele não agia com a suposição de que seus presidentes de templo eram todos místicos capazes de ler mentes, e que portanto ele apenas necessitava enviar-lhes diretrizes fragmentadas e incompletas que mais tarde seriam compreendidas telepaticamente. Por exemplo, se Srila Prabhupada tivesse tido a intenção que o sistema Ritvik parasse depois de sua partida, ele poderia ter anexado as seguintes palavras na carta do dia 9 de julho: “este sistema terminará depois de minha partida”. Uma olhada rápida a esta carta nos diz que ele queria que continuasse “henceforward” – daqui para frente (por favor veja os apêndices).

Algumas vezes se argumenta que o sistema Ritvik foi estabelecido apenas porque Srila Prabhupada estava doente.

Os devotos poderiam saber ou não qual era a extensão da enfermidade de Srila Prabhupada, mas como se poderia esperar que eles deduzissem de uma carta que ele não diz nada sobre sua saúde que essa foi a única razão para ela ter sido emitida? Quando foi que Srila Prabhupada disse que qualquer instrução que ele emitisse deveria sempre ser interpretada em conjunto com o seu último relatório médico? Por que deveriam os destinatários da ordem final sobre iniciações não assumir a carta como uma instrução geral para ser seguida sem interpretação alguma?

Srila Prabhupada já havia anunciado que ele tinha ido à Vrindavana para deixar seu corpo. Sendo tri-kala-jña, é muito provável que ele estivesse consciente de que iria partir dali a quatro meses. Ele havia estabelecido as instruções finais para a continuação do seu Movimento. Ele já havia escrito o seu testamento e outros documentos que se relacionavam com a BBT (Bhaktivedanta Book Trust) e o GBC, especialmente para prover uma orientação para depois de sua iminente partida. O único assunto que não havia sido estabelecido era do procedimento como seriam levadas a cabo as iniciações quando ele não estivesse mais conosco. Até então, ninguém tinha a menor idéia de como as coisas iriam funcionar. A ordem do dia 9 de julho esclarecia para todos precisamente como as iniciações deveriam ser efetuadas durante a sua ausência.

Em resumo, não se pode modificar uma instrução com uma informação à qual aqueles que a receberam não tivessem acesso. Por que Srila Prabhupada colocaria propositalmente em circulação uma instrução que ele sabia de antemão que ninguém poderia seguir corretamente, já que ele não havia dado a informação relevante junto com a instrução? Se o sistema Ritvik tivesse sido estabelecido simplesmente porque Srila Prabhupada estava enfermo, ele teria dito em alguma carta ou em algum documento anexado. Não existe nenhum registro de que Srila Prabhupada tenha propositalmente agido de um modo tão ambíguo pouco informativo, especialmente quando instruindo a todo o Movimento. Srila Prabhupada nunca assinou nada precipitadamente, e quando se considera a magnitude da instrução em questão, é inconcebível que ele tivesse deixado de fora qualquer informação vital.

6. “A ‘fita da nomeação’ contém informação relevante que claramente estabelece que a ordem do dia 9 de julho seria aplicada somente enquanto Srila Prabhupada estivesse fisicamente no planeta, não?

No livreto GII do GBC a única evidência oferecida que apóia as modificações a) e b) é extraída de uma conversa que aconteceu em 28 de maio de 1977. O texto parece concordar que não há qualquer outra evidência entre as instruções que trate diretamente da função dos Ritviks depois da partida de Srila Prabhupada:

“Embora Srila Prabhupada não tenha repetido suas afirmações anteriores, estava entendido que ele esperava que seus discípulos iniciassem no futuro” (GII, pg.35).

Uma vez que essa é a única evidência, há uma seção dedicada exclusivamente à essa conversa que ocorreu no dia 28 de maio. Basta dizer que ela não foi mencionada na carta do dia 9 de julho, tampouco Srila Prabhupada pediu que uma copia da fita da conversa fosse enviada com a ordem final. Disto nós podemos deduzir com absoluta segurança que ela não contém sequer um fragmento de informação vital que modifique o entendimento da ordem final. Outro ponto importante é o fato de que a conversa do dia 28 de maio foi lançada somente vários anos depois da partida de Srila Prabhupada. Portanto, mais uma vez se espera que modifiquemos uma instrução escrita e clara com uma informação que não estava acessível ao público a quem a instrução fora enviada. Como veremos mais adiante, não há nada na conversa de maio que contradiga a ordem final.

Como ponto geral, vemos que as últimas instruções dadas pelo Guru sempre sobrepõem-se às instruções anteriores- a ordem final é a ordem final e deve ser seguida:

“Eu posso dizer muitas coisas para você, porém quando digo algo diretamente para você, faça-o. Seu primeiro dever é fazer isso. Você não pode argumentar que ‘o senhor primeiro me disse que fizesse isso antes’. Não, este não é seu dever; o que digo agora é o que deve fazer, isso é obediência e você não pode argumentar”.
(Aula de Srila Prabhupada sobre o S.B., dia 14/04/75, Hyderabad).

Assim como no Bhagavad-gita o Senhor Krishna deu muitas instruções para Arjuna, falou todos os tipos de Yoga, do Dhyana ao Jñana, mas tudo isso foi sobreposto pela ordem final:

“Sempre pense em MIM e torne-se Meu devoto” – deve ser tomado como a ordem final do Senhor e deverá ser seguida”.
(Ensinamentos do Senhor Caitanya, cap. 11).

A ordem final dada por Sankaracarya “Bhaja Govinda”, também se destinava a sobrepor-se a muitos de seus enunciados anteriores – todos eles, de fato. Como mencionado na introdução, o próprio GBC reconhece isso como um princípio lógico axiomático:

“Em lógica, enunciados posteriores sobrepõem os anteriores em importância”
(GII, pg.25).

Não é possível que haja um enunciado posterior ao último. Portanto, devemos seguir o sistema Ritvik segundo a lógica do próprio GBC.

7. “Srila Prabhupada declarou muitas vezes que todos os seus discípulos deveriam se tornar gurus. Certamente isso prova que Srila Prabhupada não tinha a intenção que o sistema Ritvik fosse permanente”.

Srila Prabhupada jamais apontou ou instruiu ninguém para ser diksa-guru depois de sua partida. Nunca foi apresentada nenhuma evidência que confirme isso; de fato, muitos líderes antigos dentro da ISKCON aceitaram este ponto:

“E é um fato que Srila Prabhupada jamais disse: ‘certo, aqui está o próximo acarya, ou aqui estão os próximos onze acaryas, e eles estão autorizados como gurus do Movimento para o mundo’. Ele nunca fez isso”.
(Ravindra Svarupa das, San Diego, debate, 1990).

Srila Prabhupada inequivocadamente disse que o diksa-guru deve ser um maha-bhagavata (no mais avançado estágio da realização em Deus), e ser especificamente autorizado pelo seu próprio mestre espiritual. Ele sempre condenou veementemente que aqueles que não estivessem adequadamente qualificados ou autorizados aceitassem o papel de guru. Nós citamos abaixo a única passagem nos livros de Srila Prabhupada estão onde o termo diksa-guru está vinculado a uma qualificação específica:

maha-bhagavata-srestho brahmano vai gurur nrnam
sarvesam eva lokanam asau pujyo yatha harih
maha-kula-prasuto' pi sarva-yajnesu diksitah
sahasra-sakhadhyayi ca na guruh syad avaisnavah

“O guru deve estar situado na plataforma mais elevada do serviço devocional. Há três classes de devotos, e o guru deve ser aceito vindo da mais elevada classe”.
(C.c. Madhya, 24.330, comentário)

“Quando alguém alcançou a mais elevada posição de maha-bhagavata, ele deve ser aceito como guru e adorado exatamente como Hari, a Personalidade de Deus. Somente tal pessoa é elegível para ocupar a posição de guru”.
(C.c. Madhya, 24.330, comentário).

Além de qualificação, Srila Prabhupada também ensinou que a autorização específica do acarya predecessor também é essencial antes de alguém poder agir como diksa-guru:

“No todo, você talvez saiba que ele não é uma pessoa liberada, e portanto ele não pode iniciar qualquer pessoa para a Consciência de Krishna. Isso requer uma bênção espiritual especial de autoridades superiores”.
(Srila Prabhupada, carta para Janardana, 26/4/68).

“Deve-se receber iniciação de um mestre espiritual fidedigno vindo na sucessão discipular e que é autorizado por seu mestre espiritual predecessor. Isto é chamado diksa-vidhana
(SB, 4.8.54, comentário).


Indiano:

Quando o senhor se tornou líder espiritual da Consciência de Krishna?

Srila Prabhupada:

O quê?

Brahmananda:

Ele está perguntando quando o senhor se tornou o líder espiritual da Consciência de Krishna?

Srila Prabhupada:

Quando meu Guru-maharaja me ordenou. Isso é guru parampara.

Indiano:

Foi isso...

Srila Prabhupada:

Tente entender. Não se apresse. Um guru pode se tornar guru quando ele é ordenado pelo seu guru. Isso é tudo. De outra forma, ninguém pode se tornar guru.
(SP, palestra sobre o B.G., 28/10/75).

Assim, de acordo com Srila Prabhupada, alguém pode se tornar diksa-guru quando tanto a qualificação e a autorização existem. Srila Prabhupada não autorizou tais gurus, nem declarou que qualquer um dos seus discípulos era qualificado para iniciar. Ao contrário, pouco antes do dia 9 de julho, ele concordara que eles ainda eram “almas condicionadas” e que vigilância era essencial a fim de que ninguém se apresentasse como guru (por favor veja os apêndices, 22 de abril de 1977).

usadas para apoiar uma alternativa para o sistema Ritvik se dividem em três categorias básicas:

1. Srila Prabhupada pedia freqüentemente para todos se tornarem gurus, muitas vezes juntamente com um verso do Caitanya-Caritamrta: “amara ajñaya guru hana”.

2. Há cerca de meia dúzia de cartas pessoais onde Srila Prabhupada menciona seus discípulos agindo como diksa-gurus após a sua partida.

3. Outras afirmações nos livros de Srila Prabhupada e palestras mencionam o princípio de que os discípulos seriam diksa-gurus.

Observando a categoria 1):

A instrução para todos se tornarem gurus é encontrada no seguinte verso do Caitanya-Caritamrta, o qual era frequentemente citado por Srila Prabhupada:

“Instrua todos para que sigam as ordens de Sri Krishna como foram dadas no Bhagavad-gita e no Srimad-Bhagavatam. Desta maneira torne-se mestre espiritual e tente liberar a todos nesta terra”.
(C.C., Madhya, 7.128).

Contudo, o tipo de guru que o Senhor Caitanya está encorajando todos a se tornarem está claramente estabelecido no comentário detalhado do verso seguinte :

“Isso é, devesse permanecer em casa, cantar o Mantra Hare Krishna e pregar as instruções de Krishna como são dadas no Bhagavad-gita e no Srimad Bhagavatam (C.C. Madhya, 7.128, comentário).

“Pode-se permanecer como chefe de família, médico, engenheiro ou o que seja. Isso não importa. Devesse apenas seguir as instruções de Sri Caitanya Mahaprabhu: cante o maha-mantra Hare Krishna e instrua seus parentes e amigos sobre os ensinamentos do Bhagavad-gita e do Srimad-Bhagavatam (...) é melhor não aceitar nenhum discípulo”.
(C.C. Madhya,
7.130, comentário).

Nós podemos ver que estas instruções não implicam que os gurus em questão devem primeiro alcançar algum nível de realização antes de agirem. O pedido é imediato. Disto, está claro que todos são simplesmente encorajados a pregar o que eles sabem, e assim se tornar siksa-guru, ou instrutor. Isso é ainda mais claro pela estipulação de que o siksa-guru permaneça nessa posição, e não que se torne um diksa-guru mais tarde:

“É melhor não aceitar nenhum discípulo.” (C.C. Madhya, 7.130, comentário).

Aceitar discípulos é a principal atividade de um diksa-guru, enquanto que um siksa-guru simplesmente necessita executar seus deveres e pregar a Consciência de Krishna o melhor que possa. Está claro nos comentários de Srila Prabhupada que no verso acima o Senhor Caitanya está de fato autorizando siksa-gurus, não diksa-gurus.

Também está muito claro em muitas outras referências onde Srila Prabhupada encoraja a todos a se tornarem gurus:

“yare dekha, tare kaha, krishna-upadesa. Não precisa inventar nada. O que Krishna já disse, você repete. Fim. Não faça adições e adulterações. Então você se tornará guru (...) talvez eu seja um tolo ou patife (...) porém temos que seguir este caminho: torne-se guru e libere seus vizinhos, seus associados, mas fale as palavras oficiais de Krishna. Então funcionará (...) qualquer um pode fazer. Uma criança pode fazer”. (Srila Prabhupada, darsana ao anoitecer, 11/05/77, Hrsikesh).

“Porque as pessoas estão na escuridão, nós precisamos de muitos milhões de gurus para iluminá-las. Portanto, a missão de Caitanya Mahaprabhu é, (...) Ele disse que ‘todos vocês se tornem gurus”.
(Srila Prabhupada, palestra, 21/05/76, Honolulu).

“Simplesmente diga (...) ‘apenas pense em MIM’, disse Krishna, e ‘apenas torne-se Meu devoto. Apenas adore-ME e ofereça reverências’. Por favor faça estas coisas. Se você pode induzir uma pessoa a fazer estas coisas, você se torna guru. Onde está a dificuldade?”
(Srila Prabhupada, conversação, 1/08/76, Paris).

“O verdadeiro guru é aquele que instrui o que Krishna disse... você tem simplesmente que dizer “é isto é isto”, isso é tudo. Isso é uma tarefa muito difícil?”
(Srila Prabhupada, palestra do dia 21/05/76, Honolulu).

“... ‘mas eu não tenho qualificação. Como eu posso me tornar guru?’ Não é necessário ter qualificação... quem quer que você encontre, simplesmente ensine o que Krishna disse. Isso é tudo. Você se torna guru”
(Srila Prabhupada, palestra do dia 21/05/76, Honolulu).

(Surpreendentemente, alguns devotos têm usado tais citações acima como uma justificativa para “um diksa-guru com uma mínima qualificação”,[1] algo nunca mencionado em nenhum livro de Srila Prabhupada, nem em suas cartas, nem em suas aulas ou conversações.)

Um exemplo de um guru que não tem qualificações exceto repetir o que ele escutou poderia ser encontrado em qualquer curso de introdução para bhaktas na ISKCON. Portanto, está perfeitamente claro que estes convites são simplesmente para que alguém se torne um mestre espiritual instrutor, ou siksa-guru. Sabemos isso porque Srila Prabhupada já explicou em seus livros que existem requisitos muito mais estritos para que alguém se torne um diksa-guru:

“Quando alguém alcançou a mais elevada posição de maha-bhagavata, ele é aceito como guru e adorado exatamente como Hari, a Personalidade de Deus. Somente tal pessoa é elegível para ocupar a posição de guru”.
(C.C. Madhya, 24.330, significado).

“Deve-se tomar iniciação de um mestre espiritual fidedigno vindo na sucessão discipular e que é autorizado pelo seu mestre espiritual predecessor. Isto é chamado diksa-vidhana
(Srila Prabhupada, 4.8.54, comentário).

Como mostramos, Srila Prabhupada expressou que a instrução para se tornar um mestre espiritual tem que ser recebida especificamente do próprio guru. A instrução geral do Senhor Caitanya tem estado presente por 500 anos. É óbvio que Srila Prabhupada não considera “amara ajñaya guru hana” como se referindo especificamente a diksa, de outra forma por que nós precisaríamos de uma outra ordem especifica do guru para nos tornarmos acarya? Esta instrução geral do Senhor Caitanya deve se referir a siksa e não a diksa-guru. Diksa-guru é uma exceção, não a regra. Srila Prabhupada desejava milhões de siksa-gurus, incluindo homens, mulheres e crianças.

Observando agora a categoria 2):

Havia um punhado de devotos com excessiva confiança em si mesmos, ansiosos para iniciar a seus próprios discípulos na presença de Srila Prabhupada, aos quais Srila Prabhupada escreveu cartas. Estas cartas às vezes são usadas para apoiar o sistema M.A.S.S. Srila Prabhupada tinha uma abordagem bastante peculiar quando lidava com tais indivíduos ambiciosos. Geralmente, ele lhes dizia para que se mantivessem rigidamente em treinamento, e no futuro, após a sua partida física, eles poderiam aceitar discípulos:

“A primeira coisa que eu previno, Acyutananda, não tente iniciar. Você não tem uma posição apropriada agora para iniciar ninguém. (...) Não seja tentado por Maya. Eu estou treinando vocês todos para se tornarem futuros mestres espirituais, mas não sejam apressados”.
(Carta de Srila Prabhupada para Acyutananda e Jaya Govinda, 21/08/68).

“Algum tempo atrás, você pediu minha permissão para aceitar alguns discípulos. Agora a época se aproxima muito rápido quando você terá muitos discípulos pelo seu forte trabalho de pregação”.
(Srila Prabhupada, carta para Acyutananda, 16/05/72).

“Eu tenho escutado que alguns devotos estão adorando você. Por suposto, é apropriado oferecer reverências a um vaisnava, porém não na presença do mestre espiritual. Depois da partida do mestre espiritual, o momento virá, porém agora espere. Senão isso irá criar facções”.
(Carta de Srila Prabhupada a Hamsadutta, 1/10/74).

“Mantenha-se treinando muito rigidamente, e assim você se tornará um guru fidedigno e então poderá aceitar discípulos baseado no mesmo princípio. Porém, como uma questão de etiqueta, é o costume que durante a vida do mestre espiritual você lhe traga os candidatos a discípulos, e na sua ausência ou desaparecimento você pode aceitar discípulos sem nenhuma limitação. Esta é a lei da sucessão discipular. Quero ver meus discípulos tornarem-se mestres espirituais fidedignos e expandirem a consciência de Krishna muito amplamente, isso fará a mim e a Krishna muito felizes”.
(Carta de Srila Prabhupada para Tusta Krishna, 2/12/75).

É interessante notar que enquanto GII cita esta lei para apoiar a doutrina do M.A.S..S., no mesmo documento se afirma que na realidade esta não é uma lei em absoluto:

“Há muitos de tais exemplos nas Escrituras, que falam de discípulos que dão iniciação na presença do seu guru, (...) nas Escrituras não há instruções específicas acerca de que o discípulo não deva dar iniciação quando o guru está presente”
(GII, pg. 23).

A ansiedade de aceitar adoração e seguidores é na verdade uma desqualificação para um mestre espiritual. Nós podemos apenas pasmar ao ver o poder do falso ego, pois mesmo na presença do Acarya mais poderoso que o planeta jamais vira, algumas personalidades ainda assim se sentiam muito qualificadas para iniciar a seus próprios discípulos “debaixo do nariz” de Srila Prabhupada.[2]

Está aparente que, ao escrever para aqueles devotos dizendo para que eles poderiam aceitar discípulos se eles apenas esperassem um pouco, Srila Prabhupada estava simplesmente tentando mantê-los em serviço devocional. Assim fazendo pelo menos haveria a possibilidade de que com o tempo suas mentalidades ambiciosas pudessem se purificar:

Devotos humildes que diligentemente executavam seu serviço em sacrifício abnegado para seu mestre espiritual jamais receberam uma carta descrevendo seu brilhante futuro como diksa-gurus. Por que Srila Prabhupada prometeu o posto de diksa seriamente apenas para aqueles que eram os mais ambiciosos, e portanto menos qualificados?

No que concerne às afirmações para o efeito de que eles seriam livres para iniciar após a sua partida, isso é verdade. Assim como na Inglaterra alguém é livre de dirigir um carro uma vez que tenha 17 anos. Porém, não devemos esquecer aqueles dois pequenos requisitos. Primeiro, que ele deve ser devidamente qualificado para dirigir, e segundo, que ele deve ser autorizado para dirigir obtendo uma licença. O leitor pode fazer seus próprios paralelos.

Outra carta que é citada apoiando o M.A.S.S. diz:

“Pelo ano de 1975, todos aqueles que passaram nos exames mencionados serão especificamente autorizados para iniciar e aumentar o número da população da Consciência de Krishna”
(Carta de Srila Prabhupada a Kirtanananda, 12/01/69).

Será que esta afirmação justifica o término da ordem final sobre iniciação?

Uma vez que essa é uma tentativa de terminar com o sistema Ritvik através do uso de cartas pessoais, nós evocaremos a ‘lei da sucessão discipular’ensinada por Srila Prabhupada. A primeira parte da “lei” diz que o discípulo não deve agir como acarya iniciador enquanto seu próprio guru estiver presente fisicamente. Uma vez que esta é a “lei”, claramente esta carta não poderia se referir a que os discípulos de Srila Prabhupada iniciariam em seu próprio nome, uma vez que Srila Prabhupada ainda estava no planeta no ano de 1975. Portanto, nós podemos somente concluir que desde 1969 Srila Prabhupada estava contemplando estabelecer algum tipo de sistema como o de iniciação por representantes. Pelo ano de 1975, Srila Prabhupada já havia autorizado devotos como Kirtanananda para cantar nas contas e conduzir as iniciações em seu nome. A carta acima mencionada parece então predizer o futuro uso de representantes para executar as iniciações. Posteriormente, ele chamou estes representantes “Ritviks” e formalizou as suas funções na ordem do dia 9 de julho. Novamente, seria tolice sugerir que Srila Prabhupada tenha de fato autorizado Kirtanananda a agir como acarya iniciador na sampradaya tão logo passasse em alguns exames.

“Quem quer que siga a ordem do Senhor Caitanya sob a guia do Seu representante fidedigno pode tornar-se mestre espiritual, e desejo que em minha ausência todos os meus discípulos se tornem mestres espirituais fidedignos para espalhar a consciência de Krishna através do mundo todo”.
(Srila Prabhupada, carta para Madhusudana, 2/11/67).

Usando a citação acima, tem sido argumentado que uma vez que Srila Prabhupada já mencionara que seus discípulos devem se tornar mestres espirituais em sua ausência deve estar se referindo à diksa, pois eles já eram siksa-gurus. Contudo, Srila Prabhupada pode ter simplesmente reiterado seu encorajamento geral para que todos os seus discípulos se tornassem bons mestres espirituais siksa, e que eles deveriam continuar a se tornar bons mestres espirituais siksa também na sua ausência. Definitivamente não há menção na citação acima que seus discípulos iniciariam ou aceitariam seus próprios discípulos. A sentença “mestres espirituais fidedignos para espalhar a Consciência de Krishna através do mundo todo” é igualmente aplicável a siksa-guru.

Mesmo se tais cartas fizessem alusão a algum outro tipo de sistema de gurus, ainda assim elas não poderiam ser usadas para modificar as instruções da Ordem Final do dia 9 de julho, já que as instruções não foram repetidas para o resto do Movimento. As cartas em questão não foram sequer publicadas até 1986. Ocasionalmente, se alega que algumas destas cartas pessoais foram passadas adiante para outros membros da Sociedade. Isto pode ter sido ou não o caso, porém o ponto importante a observar é que os mecanismos de tais distribuições parecem nunca terem sido estabelecidos ou aprovados por Srila Prabhupada. Não temos nenhuma evidência de que Srila Prabhupada ordenou que sua correspondência privada fosse distribuída para todo mundo. Ele somente uma vez sugeriu casualmente que suas cartas poderiam ser publicadas “se houvesse tempo”, porém nunca indicou que sem estes documentos ninguém saberia como operar de forma apropriada o M.A.S.S. depois de sua partida.

Para formar um caso concernente ao que se deveria de ter sido feito em 1977, pode-se usar somente a evidência que estava prontamente disponível de uma forma autorizada naquele tempo. Se em tais cartas de fato estivesse a chave de como ele planejou as iniciações para serem conduzidas pelos próximos dez mil anos, seguramente Srila Prabhupada as teria publicado e distribuído em massa, sendo um assunto de extrema urgência. Pois haveria uma considerável possibilidade de que nem todos os líderes tivessem lido sua correspondência privada, e como resultado, obtido um entendimento claro sobre como as iniciações precisamente seriam conduzidas depois de sua partida. Nós sabemos que e isso é mais do que uma possibilidade, já que todo o GBC ainda não tinha idéia do que Srila Prabhupada estava planejando até o dia 28 de maio de 1977 (por favor veja os apêndices).

Considerando o que foi dito acima, qualquer tentativa de modificar a carta do dia 9 de julho com base nestas poucas cartas somente pode ser considerada inapropriada. Se tais cartas tivessem sido apêndices vitais à ordem final de Srila Prabhupada, ele certamente teria deixado isso claro na própria ordem ou em algum documento anexado.

Enfim, a única posição que foi outorgada a cada um deles no que concerne às iniciações, foi a posição de representantes do Acarya, ou seja, Ritviks.

Finalmente, nós iremos observar a categoria 3):

Há várias citações extraídas dos livros e palestras de Srila Prabhupada que são utilizadas para justificar o abandono do sistema Ritvik. Nós agora iremos examinar estas evidências.

Nos livros de Srila Prabhupada tudo o que iremos encontrar são as qualificações de um diksa-guru, declaradas em termos gerais. Não há menção especifica de que seus próprios discípulos se tornariam diksa-gurus. Ao contrário, as citações meramente reiteram o ponto de que deve-se estar altamente qualificado e autorizado mesmo antes de tentar se tornar um diksa-guru:

“Aquele que agora é discípulo será o próximo mestre espiritual. E alguém não poderá ser um mestre espiritual fidedigno e autorizado a não ser que seja estritamente obediente ao seu mestre espiritual”.
(S.B. 2.9.43, comentário).

A citação mencionada acima dificilmente dá carta branca para alguém iniciar apenas porque seu guru abandonou o planeta. O conceito do guru deixando o planeta nem mesmo é mencionado aqui. Somente a idéia de que eles devem ser autorizados e estritamente obedientes. Nós também sabemos que primeiro eles devem ter alcançado a plataforma de maha-bhagavata.

Alguns devotos apontam a seção em Fácil Viagem a Outros Planetas que trata de “gurus monitores” como sendo uma evidência para apoiar o M.A.S.S. e o resultante desmantelamento do sistema Ritvik. Contudo, esta inteligente analogia está claramente definindo a posição de siksa, não de diksa-gurus. Nesta passagem o monitor atua em nome do seu mestre. Ele mesmo não é o mestre. Ele pode se tornar tão qualificado quanto o mestre, mas isso é um processo, e não é descrito como sendo automático na partida do mestre (quem obviamente corresponde ao diksa-guru). Um guru monitor pode apenas ter, por definição, discípulos siksa e em número limitado. Uma vez que tal monitor se torne qualificado, ou seja, alcance a plataforma de maha-bhagavata, e então seje autorizado pelo seu acarya predecessor, não faz mais sentido chamá-lo de monitor, pois ele será um mestre por seu próprio direito. Uma vez que ele é um mestre por seu próprio direito, ele poderá aceitar inúmeros discípulos. Portanto, o monitor é o siksa-guru e o mestre é o diksa-guru, e por seguir estritamente o diksa-guru, o siksa-guru poderá gradualmente elevar-se à plataforma na qual ele poderá pelo menos tornar-se qualificado para ser um diksa-guru. Além do mais, um monitor é meramente um assistente do mestre enquanto o mestre estiver presente. Novamente, isso é uma variância na “lei” da sucessão discipular que é utilizada para apoiar o M.A.S.S. Um monitor não é uma entidade que vem a substituir ou suceder o seu mestre, e sim para atuar paralelamente com o mestre.

Certamente o sistema de monitores de forma alguma apóia as suposições a) e b) do GBC: que o sistema Ritvik deveria parar com a partida de Srila Prabhupada, e que os Ritviks então poderiam automaticamente se tornar diksa-gurus.

Há outras circunstâncias fora das cartas pessoais de Srila Prabhupada que são citadas como sendo uma autorização que seus discípulos se tornassem diksa-gurus:

“Agora, dez, onze, doze. Meu Guru Maharaja é o décimo depois de Caitanya Mahaprabhu, eu sou o décimo primeiro, vocês são os décimo-segundos. Assim, distribuam este conhecimento.”
(Srila Prabhupada, palestra de chegada, 18/05/72, Los Angeles).

“Ao mesmo tempo, eu lhes pedirei a todos que se tornem mestres espirituais. Cada um de vocês deve ser o mestre espiritual seguinte”
(aula no Vyasa-puja, 5/09/69, Hamburgo).

A primeira citação menciona claramente que os discípulos de Srila Prabhupada são os décimo-segundos – “... vocês são os décimos-segundos”. Portanto, isso não é nenhum tipo de autorização para que se tornem diksa-gurus no futuro, senão uma afirmação de que simplesmente estão levando a mensagem do parampara. A segunda citação é de caráter semelhante. Indubitavelmente menciona que seus discípulos são os seguintes na ordem de sucessão. Porém, como a primeira citação afirma, a sucessão já existia por força da pregação vigorosa de seus discípulos. De qualquer maneira, não há uma ordem explícita para que aceitem discípulos, mas simplesmente que preguem. Apenas pelo fato de que ele estava pedindo a seus discípulos que se tornassem mestres espirituais mais tarde, isso não significa que ele queria que se tornassem os próximos mestres espirituais iniciadores. Insistir nisso é pura especulação. De fato, nós sabemos que isso é errado, uma vez que a ordem final deixa claro que os seus discípulos deveriam apenas agir como representantes do acarya, e não dar algum tipo de iniciação ou diksa.

O argumento que tais afirmações sobrepõem-se à ordem final é infundado e facilmente derrotado por outras afirmações feitas por Srila Prabhupada, especialmente em relação ao que deveria acontecer após a sua partida, o que contradiz completamente a proposição dita:

Repórter:

O que irá acontecer com o Movimento nos Estados Unido, quando o senhor morrer?

Srila Prabhupada:

Eu nunca morrerei.

Devotos:

Jay! Haribol! (risos)

Srila Prabhupada:

Eu viverei para sempre em meus livros e vocês os utilizarão.
(Srila Prabhupada, conferência com a imprensa, 16/07/75, São Francisco)

Aqui estaria uma clara oportunidade para que Srila Prabhupada delineasse seus planos para introduzir o M.A.S.S. se essa fosse a sua intenção. Porém, em vez disso, ele disse que ninguém iria sucedê-lo como diksa-guru, pois ele jamais morreria, e que seus livros farão o necessário. Disso nós podemos entender que Srila Prabhupada é um mestre espiritual vivo que continua distribuindo conhecimento transcendental (o constituinte mais importante de diksa), através de seus livros; e que isso continuará por tanto tempo enquanto exista a ISKCON. O papel de seus discípulos será o de facilitar o processo.

“Não se torne um acarya prematuro. Primeiramente, siga todas as ordens do
acarya
, e então amadureça. É melhor que ele se torne acarya naquele momento. Porque estamos interessados em preparar acaryas, mas a etiqueta é que pelo menos pelo período de tempo no qual o guru esteja presente, alguém não deverá se tornar acarya. Mesmo se ele completou seu treinamento, porque a etiqueta é que se alguém vem para ser iniciado, é dever de tal pessoa trazer o candidato ao seu acarya

(Aula de Srila Prabhupada sobre o C.C., 6/04/75, Mayapur).

A citação acima menciona o princípio de que seus discípulos se tornem acaryas. No entanto, toda a ênfase é que eles não devem se tornar agora. De fato, Srila Prabhupada parece apenas mencionar o princípio de que seus discípulos se tornem acarya como que para adverti-los para que não o fizessem em sua presença. Esta é uma linha similar àquela nas cartas pessoais mencionadas acima. Claramente, esta não é uma ordem especifica para qualquer indivíduo em particular aceitar seus próprios discípulos, mas ao contrário, a afirmação genérica de um princípio. Como veremos mais adiante na seção sobre a “fita da nomeação,” que é usada no GII como a principal evidência para o M.A.S.S., até maio de 1977 Srila Prabhupada não havia dado nenhuma a ordem para diksa-guru (“Sob minha ordem, (...) mas pela minha ordem, (...) quando eu ordenar”). E esta situação permaneceu inalterada até a sua partida. Além disso, mais tarde na mesma aula ele encoraja a seus discípulos a canalizarem essa ambição de ser acarya da seguinte maneira:

“E se tornar acarya não é muito difícil (...) amara ajñaya guru hana tara ei desa, yare dekha tare kaha Krishna-upadesa: ‘ao seguir Minha ordem, você se torna Guru’. (...) então, no futuro... suponhamos que agora vocês tenham agora dez mil. Nós iremos expandir para cem mil. Isso é necessário. Então de cem mil para um milhão, e de um milhão para dez milhões’”.
(Srila Prabhupada, palestra sobre o C.C., 6/04/75, Mayapur).

Já foi demonstrado que a instrução do Senhor Caitanya foi para que todos pregassem vigorosamente fazendo muitos seguidores conscientes de Krishna, mas não para aceitar discípulos. Este ponto é reforçado quando Srila Prabhupada encoraja os seus discípulos a fazerem mais e mais devotos. É significativo que Srila Prabhupada tenha dito: “suponhamos que agora vocês tenham dez mil...” ..." (ou seja, na presença de Srila Prabhupada). Disto está claro que ele está falando sobre os seguidores da Consciência de Krishna, não de “discípulos de seus discípulos”, uma vez que o ponto principal da palestra foi que eles não deveriam iniciar na sua presença. A implicação é que assim como naquela época poderia haver em torno de dez mil seguidores da Consciência de Krishna, no futuro muitos milhões seriam adicionados. O sistema Ritvik era para assegurar que quando aqueles seguidores se tornassem adequadamente qualificados para obter a iniciação, eles poderiam receber diksa de Srila Prabhupada, assim como eles podiam quando ele deu a aula acima.

Conclusão

Não há evidência de que Srila Prabhupada emitiu ordens específicas para que seus discípulos se tornassem diksa-gurus, assim estabelecendo uma alternativa ao sistema Ritvik.

O que temos são umas poucas cartas pessoais não publicadas (naquela época), enviadas apenas para indivíduos que estavam desejosos de se tornarem diksa-gurus mesmo na presença de Srila Prabhupada, alguns dos quais recém tinham acabado de unir-se ao Movimento. Em tais casos, se lhes foi dito que esperassem pelo menos até que Srila Prabhupada se fosse do planeta antes de satisfazerem suas ambições. O próprio fato de que estas cartas não estavam publicadas na época da carta de 9 de julho significa que não existia nenhuma intenção de que estas tivessem uma influência direta no futuro das iniciações dentro da ISKCON.

Além do mais, os livros e conversações de Srila Prabhupada apenas contém instruções para que seus discípulos se tornem siksa-gurus. Embora o princípio geral de que um discípulo se torne diksa-guru seja mencionado, Srila Prabhupada não ordena especificamente a seus discípulos que iniciem e aceitem seus próprios discípulos.

As citações acima mencionadas não representam base para suplantar a instrução explícita do dia 9 de julho; uma ordem que foi distribuída para todo o Movimento como um específico documento regulamentar. Claramente não existe um documento equivalente que confirme o M.A.S.S.

Deste modo, a idéia de que Srila Prabhupada havia ensinado constantemente que todos seus discípulos deveriam se tornar diksa-gurus imediatamente após a sua partida, pouco tempo depois da sua partida ou em outro momento no futuro não é mais do que um mito.

É dito comumente que Srila Prabhupada não precisava especificar na carta do dia 9 de julho o que deveria ser feito nas iniciações futuras, já que ele tinha precisamente explicado muitas vezes em seus livros, cartas, palestras e conversações o que ele queria que acontecesse. Lamentavelmente, esta declaração, além de ser totalmente falsa, faz surgir outros absurdos:

· Se os ensinamentos anteriores de Srila Prabhupada sobre como ele queria que as iniciações continuassem na sua ausência fossem tão claras e cristalinas que ele achou que não havia necessidade de emitir uma diretriz específica sobre esta matéria, então por que o GBC enviou uma delegação especial à cabeceira? Uma delegação cujo objetivo principal era determinar o que deveria ser feito sobre as iniciações, em “particular” quando Srila Prabhupada não estivesse mais com eles! (por favor veja a a seção sobre a fita da nomeação). Srila Prabhupada estava mal de saúde, a ponto de abandonar seu corpo, e aqui temos seus discípulos mais antigos fazendo-lhe perguntas elementares, às quais ele supostamente já teria respondido milhares de vezes ao longo daqueles últimos dez anos.

· Se Srila Prabhupada tivesse claramente delineado o M.A.S.S. por que ele deixou tão poucas instruções sobre como estabelecer tal sistema que pouco tempo depois de sua partida de seus discípulos mais antigos se sentiram impulsionados a perguntar a Sridhara Maharaja (da Gaudiya Math) como deveriam agir?

· Se fosse tão claro para todos como precisamente Srila Prabhupada queria que todos se tornassem diksa-gurus, então por que o GBC estabeleceu o sistema de acarya regional com somente 11 diksa-gurus e permitiu que esse sistema operasse durante uma década inteira?

Ainda que tenhamos sido um tanto críticos ao texto GII do GBC, há uma passagem nele que se relaciona com este tema, na qual nós sentimos que capta totalmente a humor que irá reunir a família de Srila Prabhupada:

“O único dever de um discípulo é adorar e servir seu mestre espiritual. Sua mente não deverá agitar-se pensando como ele deverá se tornar guru. Um devoto que sinceramente quer avançar espiritualmente deverá tentar tornar-se um discípulo, não um mestre espiritual
(GII, pg.25, GBC, 1995).

Nós não poderíamos senão concordar.

8. “Não haverá algum princípio sástrico, nos livros de Srila Prabhupada que proíba a concessão de diksa quando o guru não está no mesmo planeta do discípulo?”

Não existe tal afirmação nos livros de Srila Prabhupada, e uma vez que os livros de Srila Prabhupada contêm todos os princípios sástricos essenciais, tal restrição não poderá existir em nossa filosofia.

O uso do sistema Ritvik depois da partida de Srila Prabhupada de fato estaria de acordo com muitas das instruções em que Srila Prabhupada enfatiza a inconsistência da associação física na relação guru-discípulo (ver apêndices). Depois de ler estas citações, poderemos ver como alguns membros do GBC apresentaram diferentes versões ao longo dos anos:

“Srila Prabhupada ensinou-nos que a sucessão discipular é algo vivo (...) a lei da sucessão discipular é que devemos nos aproximar de um mestre espiritual vivo – vivo no sentido de estar presente fisicamente”.
(Sivarama Swami, ISKCON Journal, pg.31, Gaura Purnima, 1990).

Isso é difícil de conciliar esta asserção com as seguintes afirmações:

“A presença física não é importante” (Srila Prabhupada, conversa, 6/10/77, Vrindavana).

Ou

“A presença física é imaterial” (Srila Prabhupada, carta, 19/1/67).

Certamente nós deveremos ter um guru que é externo, uma vez que no estado condicionado pura rendição à Superalma não é possível, mas em nenhum lugar Srila Prabhupada ensina que este guru físico tem que estar também fisicamente presente:

“Portanto, devemos nos aproveitar de vani, não da presença física”
(C.C., Antya, palavras conclusivas).

Srila Prabhupada demonstrou este princípio praticamente iniciando um grande número de discípulos sem nem mesmo encontrar-se com eles fisicamente. Este fato por si mesmo prova que diksa pode ser obtida sem nenhum envolvimento físico do guru. Não há nada no sastra, ou de Srila Prabhupada, relacionando diksa com presença física. Portanto, a continuação do sistema Ritvik é perfeitamente consistente tanto com o exemplo do sastra como com o exemplo que nosso Acarya estabeleceu enquanto estava fisicamente presente.

Em uma das principais seções sobre diksa nos livros de Srila Prabhupada, se afirma que o único requisito para recebê-la é o que o guru esteja de acordo. Este consentimento foi totalmente delegado aos Ritviks.

“Então, sem esperar por mim, quando quer que vocês considerem correto. Isso dependerá de discrição.”
(conversa com Srila Prabhupada em seu quarto, 7/7/77, Vrindavana)

Srila Prabhupada nos instrui que:

“Sobre o tempo para diksa (iniciação), tudo depende da posição do guru (...) Se o sad-guru, o mestre espiritual fidedigno concordar, alguém poderá ser iniciado imediatamente, sem esperar por um tempo ou local adequados”.
(C.C. Madhya, 24.331, comentário).

É significativo observar que não há uma estipulação que o diksa-guru e o discípulo futuro devam ter contato físico ou que o diksa-guru tenha que estar fisicamente presente para dar sua aprovação (também é interessante que Srila Prabhupada use o termo sad-guru como equivalente ao termo diksa-guru). Srila Prabhupada afirmou muitas vezes que o requisito para ser iniciado era simplesmente obedecer às regras e regulações que ele tinha ensinado tantas vezes:

“Este é o processo de iniciação. O discípulo deve admitir que ele não irá mais cometer atividades pecaminosas (...) Ele promete seguir as ordens do mestre espiritual. Então, o mestre espiritual toma cuidado dele e o eleva para a emancipação espiritual”
(C.C., Madhya, 24.256).

Devoto:

Qual a importância da iniciação formal?

Srila Prabhupada:

Iniciação formal significa aceitar oficialmente e obedecer às ordens de Krishna e Seu representante. Isto é iniciação formal.
(Srila Prabhupada, palestra, 22/2/73, Auckland)


Srila Prabhupada:

Quem é meu discípulo? Primeiro de tudo, que ele siga estritamente as regras de disciplina.

Discípulo:

Então, enquanto ele estiver seguindo, ele é...

Srila Prabhupada:

Então tudo está bem.
(Srila Prabhupada, caminhada matinal, 13/06/76, Detroit)

“... ao menos que haja disciplina, não há questão de ser discípulo. Discípulo significa aquele que segue a disciplina”
(caminhada matinal, Srila Prabhupada, 8/03/76, Mayapur).

A definição da palavra diksa implica em uma conexão com o guru estando fisicamente presente no planeta?

Diksa é o processo pelo qual alguém pode despertar seu conhecimento transcendental e aniquilar todas as reações causadas por atividades pecaminosas. Uma pessoa perita no estudo das escrituras reveladas conhece este processo como diksa”.
(C.C., Madhya, 15.108, significado)

Por favor veja diagrama sobre diksa mais abaixo.

Não há nada nesta definição de diksa que de algum modo implique que o guru precisa estar no mesmo planeta do discípulo para que o processo funcione apropriadamente. Por outro lado, as instruções de Srila Prabhupada e o seu exemplo pessoal provam categoricamente que os elementos que constituem diksa podem ser utilizados sem a necessidade do envolvimento físico do guru.

“A recepção de conhecimento espiritual jamais é obstruída por nenhuma condição material”
(S.B. 7.7.1, comentário).

“A potência do som transcendental nunca é minimizada porque aquele que o vibrou aparentemente esteja ausente”.
(S.B. 2.9.8, significado).

Assim, todos os elementos de diksa – conhecimento transcendental, receber o mantra, etc. - podem ser efetivamente entregues sem a presença física do guru.

Em suma, pode ser mostrado conclusivamente que não existe princípio sástrico mencionado em nenhum dos livros de Srila Prabhupada que prevenha a concessão de diksa uma vez que o guru tenha abandonado o planeta. Embora precedente histórico às vezes seja citado como objeção, um precedente histórico não é um princípio sástrico. Ainda que o precedente histórico possa servir como evidência ao aplicar um princípio sástrico, a falta de precedente histórico não prova necessariamente que um princípio sástrico tenha sido violado. Portanto, nossa filosofia está baseada em seguir os mandamentos sastricos, não a tradição histórica. Esta é a mesma coisa que diferencia a ISKCON de qualquer outro grupo Gaudiya Vaisnava. Na Índia existem muitos smarta brahmanas influentes que criticam fortemente a falta de adesão à tradição demonstrada por Srila Prabhupada.

Afirmações sástricas, junto com os exemplos práticos de Srila Prabhupada mesmo, apóiam plenamente o princípio de que diksa não depende de modo algum da presença física do guru.

9. “Uma vez que esta instrução levaria a um sistema que não tem precedente nem base histórica, ela deve ser rejeitada”.

Esta não pode ser a razão para rejeitar a carta do dia 9 de julho, uma vez que Srila Prabhupada estabeleceu muitos precedentes(como por exemplo, reduzindo o número de voltas de japa para dezesseis; fazendo casamentos, permitindo mulheres viverem no templo, dando o mantra Gayatri por fita, etc.). De fato, existe uma diferenciação que retrata os acaryas de nossa linhagem pois, praticamente sem exceção, eles possuem seus próprios precedentes históricos. Como acaryas, eles possuem prerrogativas para fazerem isso, ainda que de acordo com os princípios sástricos. Como já foi mencionado, o uso de Ritviks sem a presença física do guru no planeta não viola qualquer princípio sástrico. Os livros de Srila Prabhupada contêm todos os princípios sástricos essenciais, e uma vez que não há menção em seus livros de que o guru necessita estar no planeta no momento da iniciação, isso não pode ser um princípio. Assim, o precedente histórico de continuar a usar Ritviks depois da sua partida pode apenas ser uma mudança em detalhe, não em princípio.

Srila Prabhupada fez muitas coisas, particularmente conectadas com iniciação, que foram sem precedentes e nós não as rejeitamos. Poderia se argumentar que ele explicou algumas destas mudanças em seus livros. Isso é verdade, mas há muitas mudanças que ele não explicou em seus livros. Além do mais, não há necessidade de dar explicações detalhadas sobre o sistema Ritvik em seus livros, uma vez que ele tinha demonstrado praticamente seu protótipo por muitos anos, com o toque final de como o sistema deveria continuar plenamente elucidado na ordem da carta do dia 9 de julho. Srila Prabhupada jamais nos ensinou a apenas seguir cegamente a tradição:

“Nossa única tradição é como satisfazer a Visnu”
(Srila Prabhupada, palestra do B.Gita, 30.07.73, Londres).

“Não. Tradição, religião, elas são materiais. Elas todas são designações também”. (Srila Prabhupada, conversa no quarto, 13-03-75), Teheran

Se precisamente a mesma ordem que nós recebemos de Srila Prabhupada fora alguma vez emitida por um acarya anterior ou não, é completamente irrelevante. Nossa única obrigação é seguir as ordens dadas por nosso próprio Acarya.

Se um sistema de iniciação pode ser rejeitado unicamente com base na não existência de um exato precedente histórico, então necessariamente estaríamos forçados a rejeitar o atual sistema de gurus dentro da ISKCON pelo mesmo princípio.

Nunca antes esteve um grupo de diksa-gurus subordinados a um comitê, o qual tem o poder de suspender ou de anular suas atividades de iniciadores. Nenhum acarya anterior em nossa linhagem fora jamais eleito para atuar como tal com 2/3 dos votos, nem subseqüentemente caíra presa de grosseiras atividades pecaminosas, e como conseqüência, fora repentinamente retirado da “sucessão discipular”. Nós rejeitamos tais práticas irregulares, não com base em precedentes históricos, mas porque elas chocam violentamente com os princípios básicos da filosofia Vaisnava encontrados nos livros de Srila Prabhupada, e são uma descarada violação da ordem final de Srila Prabhupada.

O fato de que um sistema como o Ritvik não ser mencionado diretamente nos sastras ou em antigos textos védicos também não é pertinente. De acordo com algumas regras védicas, sudras e mulheres nem mesmo podem receber iniciação brahmínica de forma alguma:

Diksa não pode ser oferecida a um sudra (...) esta iniciação é oferecida não de acordo com as regras védicas, porque é muito difícil encontrar um brahmana qualificado”.
(Srila Prabhupada, palestra sobre o B.G., 29/03/71, Mombay).

Assim, estritamente falando, Srila Prabhupada não deveria ter iniciado nenhum dos seus discípulos ocidentais, uma vez que eles todos tiveram um nascimento inferior à mais baixa casta védica. Srila Prabhupada foi capaz de sobrepor-se a tais leis védicas através da invocação de injunções sástricas de uma ordem mais elevada. Ele algumas vezes exercitou essas injunções de um modo nunca antes aplicado.

“Assim como Hari não está sujeito à crítica de regras e regulamentos mundanos, o mestre espiritual empoderado por Ele também não está sujeito .”
(C.C., Madhya, 10.136, texto e significado).

“Portanto, a misericórdia da Suprema Personalidade de Deus e Isvara Puri não está sujeita a qualquer regra e regulamento védico.”
(C.C., Madhya, 10.137).

O ponto importante é que, embora o sistema Ritvik possa ser totalmente único-pelo menos ao que sabemos- ele não viola princípios sástricos mais elevados. Isso testifica o gênio de Srila Prabhupada, que era capaz de aplicar tais princípios sástricos de forma nova de acordo com o tempo, lugar e circunstâncias.

Talvez ainda teremos que realizar quão único Srila Prabhupada é. Nunca houve um Acarya mundial antes. Nenhum acarya anterior afirmou que seus livros seriam os livros da lei para a humanidade durante os próximos dez mil anos. Nunca houve nada como a ISKCON antes. Por que, então, deveríamos nos surpreender que tal personalidade sem precedentes tenha decidido estabelecer um sistema de iniciação aparentemente incomum?

10. “Uma vez que não há menção especifica do sistema Ritvik antes do dia 9 de julho de 1977, não é possível ter sido a intenção de Srila Prabhupada que tal sistema continuasse depois do desaparecimento de seu desaparecimento”.

Esta objeção se apóia na premissa que Srila Prabhupada nunca iria ‘lançar’ nada de novo no Movimento. Tomada de forma literal, esta objeção é absurda, pois significa que qualquer ordem do guru pode ser rejeitada se for nova ou mesmo se for um pouco diferente das outras que foram emitidas anteriormente. Se infere que em seus últimos meses Srila Prabhupada não teria emitido instruções extremistas sobre a sua Sociedade a menos que todos já estivessem familiares com elas.

Como nós já explicamos, o sistema Ritvik não é “novo” de forma alguma. Antes da carta do dia 9 de julho, a experiência de iniciação, diksa, no Movimento tinha sido predominantemente através de representantes. Srila Prabhupada era o diksa-guru da ISKCON, e a maioria das cerimônias de iniciação, particularmente nos anos finais, foram executadas pelos presidentes de templo ou por algum outro representante ou sacerdote.

A mais notável diferença após 9 de julho de 1977 foi que a aceitação de novos discípulos agora seria feita pelos representantes sem recorrer a Srila Prabhupada. A carta que era enviada para os novos iniciados não seria mais assinada por Srila Prabhupada, como havia sido no passado, e a seleção dos nomes dos iniciados seria feita pelos Ritviks. Também o procedimento agora estava ligado com a palavra relativamente desconhecida – Ritvik.

Conectar-se com um acarya fidedigno através do uso de um representante fora a experiência de iniciação familiar para milhares de discípulos. A carta do dia 9 de julho define a palavra “Ritvik” com o significado: “representante do Acarya”. Claramente, o sistema de ser iniciado por Srila Prabhupada através do uso de representantes não era nada “novo de forma alguma. Isso foi meramente uma continuação do que Srila Prabhupada tinha ensinado e colocado em prática tão logo o seu Movimento alcançou um estado de rápido crescimento.

Por que teria sido um choque tão grande o fato de que este sistema continuaria depois do dia 14 de novembro de 1977?

Apesar de ser uma palavra não familiar para muitos, a palavra “Ritvik” não era nova. Esta e suas derivações já haviam sido definidas 32 vezes por Srila Prabhupada em seus livros. O que era novo era o sistema o qual já estava existindo por muitos anos agora fora colocado por escrito, com o necessário ajustamento para o futuro. Dificilmente isso seria surpreendente, uma vez que Srila Prabhupada estava nessa época emitindo muitos documentos por escrito a respeito do futuro do seu Movimento. Este arranjo foi de fato mais um endorsamento do sistema que todos já consideravam prática padrão .

Ironicamente, de fato o que foi “novo” era a curiosa metamorfose dos Ritviks em “puros sucessores do Acarya, material e espiritualmente”. Esta inovação particular veio a chocar muitas centenas de discípulos que deixaram o Movimento imediatamente após a sua implementação, e milhares os seguiriam.

Resumo

Nós demonstramos que não há evidência direta apoiando o término do sistema Ritvik com a partida de Srila Prabhupada, nem a subseqüente transformação dos Ritviks em diksa gurus – suposições a) e b). Mesmo que houvesse uma evidência indireta muito forte apoiando as suposições a) e b), ainda assim seria discutível se essa evidência poderia de fato suplantar a evidência direta, uma vez que esta geralmente prevalece. Contudo, como acabamos de demonstrar, não existe sequer um fragmento de evidência indireta que apóie o desmantelamento do sistema Ritvik depois da partida de Srila Prabhupada. Assim:

1.Uma instrução que foi emitida para todo o Movimento para ser seguida – evidência direta;

2.Um exame da própria instrução, bem como de outras instruções subseqüentes, apenas apóiam a continuação do sistema Ritvikevidência direta.

3.Não há evidência direta de que Srila Prabhupada especificamente ordenou que terminassem com o sistema Ritvik depois de sua partida.

4.Não há também nenhuma evidência direta com base na instrução, sastra, outras instruções, circunstâncias especiais, antecedentes, a natureza e o contexto da instrução, nem qualquer outra que possamos conceber, que seja um fundamento para parar com o sistema Ritvik na ocasião da partida de Srila Prabhupada. É interessante que ao examinar estes outros fatores nós encontramos apenas mais evidências indiretas apoiando a continuação da ordem.

Em vista da análise acima, nós humildemente propomos que revogar a instrução de Srila Prabhupada do dia 14 de novembro de 1977 com respeito às iniciações foi no mínimo um ato arbitrário e desautorizado. Não podemos encontrar evidências que apóiem as suposições a) e b), as quais, como dissemos, formam a própria base do sistema atual de gurus na ISKCON. Voltar a cumprir a ordem original de Srila Prabhupada é nossa única opção como discípulos, seguidores e servos de Srila Prabhupada.

Para servir a este propósito nós iremos agora analisar a conversação do dia 28 de maio e um número de objeções relacionadas que parecem ter causado a confusão.

A FITA DA NOMEAÇÃO

O GBC proclama no texto GII que a única justificação para as modificações a) e b) na instrução final do dia 9 de julho vem de uma conversa gravada no quarto de Srila Prabhupada, a qual aconteceu em Vrindavana no dia 28 de maio de 1977. Estas modificações são dadas a seguir como referências:

Modificação a):

que a nomeação de Ritviks ou representantes foi somente temporária, especificamente para terminar com a partida de Srila Prabhupada.

Modificação b):

tendo cessado sua função como representantes, os Ritviks deveriam automaticamente se tornar diksa-gurus, iniciando pessoas como seus próprios discípulos, e não de Srila Prabhupada.

Portanto, esta será dedicada a um exame mais detalhado da conversa do dia 28 de maio para ver se ela pode ser legitimamente usada para modificar a Ordem Final nos termos de a) e b) acima citados.

Uma vez que a posição de todo o GBC se apóia apenas nesta única peça de evidência, é bastante preocupante que eles já tenham publicado pelo menos cinco diferentes versões ou transcrições desta mesma evidência. Estas diferentes transcrições apareceram nas seguintes publicações:

1983: Srila Prabhupada - Lilamrita, Vol 6 (Satsvarupa das Goswami, BBT)
1985: Under My Order (Ravindra Svarupa das)
1990: ISKCON Journal (GBC)
1995: Gurus and Initiation in ISKCON (GBC)

Apresentar cinco diferentes versões da mesma conversa gravada, em si mesmo faz surgir um número de perguntas sérias. Por exemplo, não seria razoável perguntar qual é a versão correta? Primeiro de tudo, por que há diferentes versões? Será a transcrição uma montagem de mais de uma conversa? Teria sido a fita editada com mais de uma conversa? Houve mais de uma versão desta fita? Se assim foi, como poderemos estar seguros de que uma versão apresentada é a verdadeira e de acordo com a conversa original? Assim, mesmo antes da evidência ser examinada, somos postos em uma posição na qual esperam que aceitemos a modificação de uma carta assinada mediante a análise da transcrição de uma fita cuja própria autenticidade é questionável.

No entanto, uma vez que grande parte da transcrição é comum em todas as versões, nós tomaremos uma composição das cinco diferentes transcrições consideradas como evidência. Aqui está a conversa, com as variações em parênteses:

1

Satsvarupa Goswami:

Então, nossa próxima pergunta diz respeito às iniciações no futuro,

2

particularmente quando o senhor não estiver mais conosco. Nós queremos saber

3

como a primeira e segunda iniciações deverão ser conduzidas.

4

Srila Prabhupada:

Sim. Eu irei recomendar alguns de vocês. Depois que isso esteja estabelecido

5

eu irei recomendar alguns de vocês para agir como acaryas representantes.

6

Tamal Krishna Goswami:

Isso é chamado Ritvik acarya?

7

Srila Prabhupada:

Ritvik. Sim.

8

Satvarupa Goswami:

(Então) qual é a relação daquela pessoa que dá iniciação e...

9

Srila Prabhupada:

Ele é guru. Ele é guru.

10

Satsvarupa Goswami:

Mas ele age em seu nome.

11

Srila Prabhupada:

Sim. Isso é formalidade. Porque na minha presença ninguém deve se tornar guru,

12

Então, em meu nome; sob minha ordem, amara ajñaya guru hana (ele é) (seja) realmente guru.

13

Mas sob minha ordem.

14

Satsvarupa Goswami:

Assim (então) (eles) (eles irão) (podem) também ser considerados seus discípulos?

15

Srila Prabhupada:

Sim, eles são discípulos, (mas) (por que), considere quem...

16

Tamal Krishna Goswami:

Não. Ele está perguntando se estes Ritvik-acaryas, eles estão atuando, dando diksa,

17

(seus)... as pessoas para quem eles dão diksa são discípulos de quem?

18

Srila Prabhupada:

Eles são seus discípulos.

19

Tamal Krishna Goswami:

Eles são seus discípulos (?)

20

Srila Prabhupada:

Quem está iniciando.. (ele é) discípulo do (seu) discípulo...

21

Satsvarupa Goswami:

(sim)

22

Tamal Krishna Goswami:

(isso é claro)

23

Tamal Krishna Goswami:

(continue)

24

Satsvarupa Goswami:

Então nós temos uma pergunta a respeito...

25

Srila Prabhupada:

Quando eu ordenar você se torna guru, ele se torna guru regular.

26

Isso é tudo. Ele se torna discípulo de meu discípulo (é isso), (veja só).

Como nós mencionamos anteriormente, nem a ordem do dia 9 de julho, nem qualquer documento subseqüente assinado por Srila Prabhupada jamais se refere explicitamente à conversa acima. Isso é muito peculiar, uma vez que o argumento central do texto GII é que esta breve troca de palavras é absolutamente crucial para o entendimento apropriado da ordem do dia 9 de julho.

Este não era o meio regular no qual Srila Prabhupada emitia instruções para sua vasta organização mundial, ou seja, enviando diretrizes escritas incompletas e dubitosas que poderiam apenas ser propriamente entendidos com uma pesquisa através de fitas de conversas.

Quando se considera a magnitude da ordem em questão, ou seja, a continuação da missão do Sankirtan para os próximos dez mil anos, e o que aconteceu com a Gaudiya Math precisamente neste assunto, seria inconcebível que Srila Prabhupada administrasse as coisas desse modo. No entanto, nisso é o que nós deveremos acreditar se aceitarmos a presente posição do GBC. Deixe-nos agora continuar cuidadosamente através da transcrição composta, prestando uma atenção particular em todas as linhas que o texto GII afirma ser a base para as modificações acima na ordem do dia 9 de julho.

Linhas 1-3: aqui, Satsvarupa Goswami pergunta para Srila Prabhupada uma questão específica a respeito de como as iniciações iriam ocorrer no futuro. “... particularmente, quando o senhor não estiver mais conosco”. O que quer que Srila Prabhupada responda, nós sabemos que será particularmente relevante depois de sua partida, uma vez que claramente esse é o tempo sobre o qual Satsvarupa está preocupado, ou seja., “quando o senhor não estiver mais conosco”.

Linhas 4-7: aqui Srila Prabhupada responde a pergunta de Satsvarupa Dasa Goswami. Ele diz que irá apontar alguns discípulos para agir como representantes do acarya”, ou Ritviks”. Tendo claramente respondido a pergunta, Srila Prabhupada permanece em silêncio.

Ele não elabora mais neste ponto, nem tampouco qualifica ou tenta qualificar sua resposta. Portanto, devemos deduzir que essa foi a sua resposta. As únicas alternativas para esta opinião são:

1) Srila Prabhupada deliberadamente respondeu a pergunta de forma incorreta ou enganosamente;

Ou

2) Ele não escutou a pergunta apropriadamente e pensou que Satsvarupa Dasa Goswami estava apenas perguntando sobre o que era para ser feito enquanto ele estivesse presente.

Nenhum discípulo de Srila Prabhupada irá considerar a opção 1), e se a opção 2) for o caso, então a conversa não pode nos dizer nada sobre as iniciações futuras depois da sua partida; por conseguinte, nós ainda permanecemos com a carta do dia 9 de julho sem modificações como sendo sua única declaração sobre as iniciações futuras.

Algumas vezes as pessoas argumentam que a resposta completa só é apropriadamente revelada parte por parte através do resto da conversa. O problema com esta proposição é que ao dar instruções de tal modo Srila Prabhupada apenas responderia corretamente à pergunta originalmente feita por Satsvarupa Dasa Goswami se as seguintes condições fossem satisfeitas:

·Que alguém fizesse mais perguntas.

·Que apenas por sorte eles chegariam às perguntas certas para obter a resposta correta da pergunta original de Satsvarupa Maharaja.

Este seria um modo excêntrico para alguém responder uma pergunta, o que falar para dirigir uma organização mundial, e certamente esse não era o estilo de Srila Prabhupada. Realmente, como está sendo proposto pelo GBC, se ele teve o trabalho de enviar para todo o Movimento uma carta com instruções sobre iniciação que seriam relevantes por apenas quatro meses, com certeza ele não teria lidado de modo tão obscuro com instruções que poderiam seguir por dez mil anos.

Claramente se nós olharmos esta transcrição para indubitavelmente apoiar as modificações a) e b), nós não fomos muito bem até agora. Srila Prabhupada está sendo questionado sobre como serão as iniciações, particularmente quando ele deixasse o planeta: ele respondeu que iria apontar Ritviks. Isso contradiz ambas as modificações propostas pelo GBC, e simplesmente reforça a idéia de que a ordem do dia 9 de julho estaria em vigor dali para frente. Vamos continuar lendo:

Linhas 8-9: Aqui Satsvarupa Dasa Goswami pergunta qual a relação do iniciador com a pessoa sendo iniciada. Satsvarupa não acaba totalmente a pergunta quando Srila Prabhupada imediatamente responde, “ele é guru”. Uma vez que Ritviks, por definição, não são iniciadores, Srila Prabhupada pode ter se referido somente a si mesmo como “guru” daqueles que estão sendo iniciados. Isso está confirmado na carta do dia 9 de julho, onde é dito três vezes que aqueles que forem iniciados serão discípulos de Srila Prabhupada.

Algumas vezes uma curiosa teoria é levantada que quando Srila Prabhupada diz: “ele é guru”, ele está realmente falando sobre os próprios Ritviks. Isso é bastante bizarro, uma vez que Srila Prabhupada tinha apenas definido a palavra Ritvik como “representante do Acarya” – literalmente, um sacerdote que conduz algum tipo de função cerimonial ou religiosa. Na carta do dia 9 de julho Srila Prabhupada esclarece de modo preciso qual é a função cerimonial que aqueles sacerdotes representantes iriam conduzir. Eles deveriam dar os nomes espirituais para os novos iniciados, e no caso da segunda iniciação, cantariam no cordão do Gayatri – tudo em nome de Srila Prabhupada. Era isso. Não foi mencionado que eles deveriam ser diksa-gurus iniciando seus próprios discípulos, ou sendo eles mesmos mestres espirituais. A carta define especificamente o Ritvik como um representante do Acarya. Eles deveriam agir em nome do Acarya, não como o Acarya. Sendo este o caso, por que Srila Prabhupada iria obscurecer o assunto chamando os Ritviks “guru”? Se eles fossem gurus iniciadores desde o começo, por que não apenas chamá-los assim para evitar confusão?

Enquanto discutindo filosófica ou administrativamente assuntos sobre sua posição como Acarya, Srila Prabhupada falava freqüentemente na terceira pessoa. É particularmente compreensível que ele assim o fizesse aqui, uma vez que Satsvarupa Dasa Goswami se refere à terceira pessoa em suas perguntas.

Assim, a conversa pode apenas fazer sentido se nós aceitarmos que Srila Prabhupada é o Guru que iniciava os novos discípulos através de seus representantes, os Ritviks.

Apesar da resposta de Srila Prabhupada ser bastante clara e consistente, parece que neste ponto há alguma confusão na mente de quem pergunta . Então Satsvarupa dasa Goswami pergunta na linha 10 – “Mas ele age em seu nome”. O “ele” a quem Satsvarupa dasa Goswami está se referindo é o Ritvik, enquanto que o “ele” a quem Srila Prabhupada estava se referindo, como nós mostramos, poderia apenas ser ele mesmo, uma vez que ele é o único iniciador dentro do sistema Ritvik. Apesar da aparente confusão de seus discípulos, Srila Prabhupada, habilmente adapta a sua próxima resposta de acordo com a verdadeira preocupação de Satsvarupa dasa Goswami, ou seja, o status destes futuros Ritviks.

Linhas 11-13: Este é o ponto no qual o texto GII afirma estar a evidência da modificação a). Antes de consideramos se estas linhas constituem tal evidência ou não, nós deveremos primeiramente lembrar da analise das linhas 1-7.

Se as linhas 11-13 estabelecem a modificação a), isso será apenas uma contradição das linhas 1-7, onde Srila Prabhupada já tinha respondido claramente que os Ritviks foram apontados “particularmente” para depois de sua partida. Então, se de fato a modificação (a) está estabelecida nas linhas 11-13, a implicação é que Srila Prabhupada contradisse uma afirmação que ele mesmo havia feito apenas alguns momentos antes. Se este fosse o caso, mais uma vez a transcrição seria inútil para determinar qualquer coisa sobre as iniciações futuras, uma vez que duas posições totalmente contraditórias seriam igualmente validadas na mesma conversa. Novamente, nós seremos forçados a nos referir à ordem do dia 9 de julho em sua forma inadulterada.

Vamos ver se isso de fato aconteceu. Lembrem que estamos procurando por uma afirmação específica de que os Ritviks deveriam cessar suas obrigações com a partida de Srila Prabhupada. Em outras palavras, que eles poderiam apenas atuar em sua presença.

Lendo as linhas 11-13 nós vemos que tudo o que é dito é que os Ritviks deveriam atuar na sua presença, pois na sua presença eles não poderiam ser guru. Deste modo, Srila Prabhupada está simplesmente reafirmado um princípio que ele era eventualmente mencionava ao lidar com discípulos ambiciosos: que na presença do Guru deve-se atuar apenas em seu nome. Portanto, Srila Prabhupada não diz que esse “atuar em seu nome” deve cessar uma vez que ele deixe o planeta. Ele também não diz que “atuar em seu nome” pode apenas acontecer enquanto ele estiver presente. Realmente, até aqui em nenhum lugar ele relaciona diretamente de alguma forma a sua presença física com o conceito de atuar em seu nome, mas ao contrário simplesmente expressa isso como a razão que previne a seus discípulos de serem gurus, e é esse “não ser guru” que está relacionado com o atuar como Ritvik.

Em outras palavras, na época dessa conversa uma das razões pelas quais eles não poderiam ser diksa-guru era a presença física de Srila Prabhupada. Mas esse não é o único empecilho prevenindo seus discípulos de aceitarem o posto de diksa-guru, como nós veremos na próxima linha.

Na linha 12 nós vemos que ser guru também depende de receber uma ordem específica de Srila Prabhupada – “Sob minha ordem”. Ele repete esta condição na linha 13“Mas sob minha ordem”, e mais uma vez na linha 25“Quando eu ordenar”. Está bem claro então que essa não pode ser a ordem, caso contrário por que dizer “quando eu ordenar”? Se esta fosse uma ordem para se tornar guru após a sua partida, como o GBC mantém, então certamente ele teria dito alguma coisa como: “eu vou agora ordenar vocês que assim que eu vá, vocês parem de ser Ritviks e se tornem diksa-gurus”. Semelhante enunciado com certeza traria certa credibilidade para a atual posição do GBC e a doutrina do M.A.S.S. No entanto, como se pode ver, nada sequer remotamente parecido com tal enunciado pode ser encontrado em parte alguma na conversa do dia 28 de maio.

Também se argumenta que o uso do verso “amara ajñaya” neste ponto significa que a ordem para ser diksa-guru já havia sido dada, uma vez que esta ordem do Senhor Caitanya fora repetida milhares de vezes por Srila Prabhupada. No entanto, a ordem “amara ajñaya”, como nós vimos, refere-se somente ao siksa-guru; nós sabemos que a ordem para se tornar diksa-guru ainda não havia sido dada, pois Srila Prabhupada diz: “quando eu ordenar”. Portanto, o uso do verso por Srila Prabhupada neste ponto é simplesmente para expressar a noção de que antes de aceitar uma posição como qualquer tipo de guru, é preciso haver uma ordem.

Com certeza não há nada nas linhas 11-13 que modifique de alguma forma o que Srila Prabhupada claramente responde à pergunta original de Satsvarupa (linhas 1-7). Deste modo, nosso entendimento das linhas 1-7 permanece intacto. Srila Prabhupada não contradiz a si mesmo e a carta do dia 9 de julho permanece até aqui sem modificações.

O que as linhas 11-13 estabelecem é que o sistema Ritvik deveria operar enquanto Srila Prabhupada estivesse presente, mas não que deveria operar apenas enquanto ele estivesse presente. A carta do dia 9 de julho deixa claro isso pelo uso da palavra “henceforward” (daqui para frente). A palavra “henceforward” inclui todo o período de tempo daquele dia em diante, sem necessidade da presença física de Srila Prabhupada. Vamos continuar lendo:

Linhas 14-15: É interessante que neste ponto Satsvarupa dasa Goswami faz a pergunta na primeira pessoa: “então eles também serão considerados seus discípulos?” Srila Prabhupada responde: “sim, eles são discípulos...”. Mais uma vez confirma a posse dos futuros discípulos. Apesar de não estar claro o que Srila Prabhupada continua a dizer, sua resposta inicial é bem definida. Esta é uma pergunta direta, e ele responde: “sim”.

Se o GBC tivesse qualquer esperança de manter as modificações a) e b), então Srila Prabhupada deveria ter respondido algo como: “não, ele não são meus discípulos”. O que quer que Srila Prabhupada estivesse prestes a dizer é irrelevante, pois ninguém poderá jamais saber. Nós apenas sabemos que quando lhe foi perguntado se os futuros iniciados seriam seus discípulos, ele respondeu: “sim”. Novamente, não é um bom sinal para as modificações a) e b).

Linhas 16-19: Tamal Krishna Goswami parece perceber alguma confusão aqui e interrompe Srila Prabhupada. Ele clarifica mais a pergunta de Satsvarupa perguntando a Srila Prabhupada de quem seriam os discípulos que estavam recebendo diksa dos Ritviks. Mais uma vez Srila Prabhupada responde na terceira pessoa (tendo sido questionado na terceira pessoa): “eles são seus discípulos”. Como nós discutimos, ele apenas pode estar se referindo a si mesmo, uma vez que os Ritviks por definição não têm discípulos. Além disso, nós sabemos que ele definitivamente estava se referindo a si mesmo, uma vez que ele responde a pergunta no singular (“seus [his] discípulos... quem está [is] iniciando”), tendo sido questionado a respeito dos Ritviks no plural (“estes Ritvik-acaryas”).

Uma idéia algumas vezes sugerida é que neste ponto da conversa Tamal Krishna Goswami faz a pergunta num vago sentido futuro, sobre um tempo não especificado no qual os Ritviks de certo modo se transformariam em diksa-gurus. De acordo com esta teoria, quando Srila Prabhupada, que agora presumidamente de forma mística está sintonizado com a mente de Tamal Krishna Goswami, responde que os futuros iniciados são “seus discípulos”, o que ele de fato quer dizer é que eles são discípulos dos Ritviks, que agora não são mais Ritviks, mas diksa-gurus. Deixando de lado o fato de que este fantasioso “encontro de mentes” é tanto improvável como altamente especulativo, há pelo menos um outro problema com esta hipótese:

Até este ponto Srila Prabhupada não afirmou que os Ritviks- os quais ele ainda iria apontar- iriam atuar de outra forma além de Ritviks. Então, por que deveria Tamal Krishna Goswami ter assumido que o status deles fora mudado?

Linhas 19-20: Tamal Krishna Goswami repete a resposta e então Srila Prabhupada continua: “quem está iniciando... discípulo de seu discípulo”. Nós escolhemos a versão da transcrição “discípulo de seu discípulo”(his grand-disciple) em vez da versão “ele é discípulo do discípulo”(he is grand-disciple), uma vez que se aproxima mais do que ouvimos na fita, e parece fazer mais sentido na conversa (caso contrário a pessoa que inicia simultaneamente se tornaria o discípulo do discípulo! – “quem está iniciando ... ele é discípulo do discípulo”).

O argumento que quando falando na terceira pessoa, Srila Prabhupada deve estar se referindo aos Ritviks e não a si mesmo pode ser testado pela modificação da conversa substituindo os pronomes (mostrado em parênteses) nas linhas 17-20:

TKG:

De quem eles são discípulos?

Srila Prabhupada:

Eles são discípulos (do Ritvik).

TKG:

Eles são discípulos(do Ritvik) .

Srila Prabhupada:

(o Ritvik) está iniciando... o discípulo do discípulo (do Ritvik).

Dada a premissa de que os Ritviks estão apenas oficialmente atuando, e que o seu papel é apenas de representantes, deveria ser evidente para o leitor que a interpretação das linhas 17-20 é um disparate. É uma contradição que um Ritvik tenha seus próprios discípulos, o que falar de ter discípulos de discípulos.

Uma acusação que pode ser feita é que nós estamos de algum modo distorcendo as palavras de Srila Prabhupada quando tomamos afirmações em terceira pessoa como primeira pessoa. Mas nós sentimos que nossa interpretação é consistente com a função designada por Srila Prabhupada a seus Ritviks. Parece haver apenas duas possíveis opções de interpretação em relação a esta conversa:

1) Os futuros novos discípulos pertenceriam aos sacerdotes Ritviks, que por definição não são diksa-gurus, mas oficiais que foram designados especificamente para atuarem como procuradores;

2) Os futuros novos discípulos pertenceriam ao diksa-guru, Srila Prabhupada.

Opção 1) é simplesmente absurda. Portanto, nós vamos para a opção 2) como sendo a única escolha racional, e teremos assim interpretado a fita corretamente.

Linhas 25-26: Srila Prabhupada conclui com a inequívoca estipulação que apenas quando ele ordenasse alguém se tornaria guru. Em tal situação os novos iniciados seriam “discípulo de meus discípulos”.

Uma grande importância é dada ao uso do termo “discípulo do discípulo (grand-disciple)”. Para muitos, o uso desta frase por Srila Prabhupada age como um argumento conclusivo, uma vez que você pode apenas ter discípulos de discípulos se for diksa-guru. Isso é verdade. Infelizmente, as palavras que seguem a expressão “discípulo de seu discípulo” são geralmente ignoradas. Srila Prabhupada afirma que o discípulo de um discípulo, e por conseguinte um diksa-guru, existirão apenas quando ele (Srila Prabhupada) ordenar que seu discípulo se torne diksa-guru. Em outras palavras, Srila Prabhupada está simplesmente dizendo que quando o guru ordenar a seu discípulo que se torne diksa-guru, então este terá discípulos de discípulos (“his grand-disciple”), uma vez que o novo diksa-guru irá então iniciar pela sua própria conta (“ele se torna discípulo de meu discípulo”). Isto parece direto o suficiente a ponto de que ninguém questionar. Mas onde está a ordem para que alguém aceite o status de guru? Certamente não está nas linhas 25-26, nem em lugar algum na conversa.

Na realidade a conversa do dia 28 de maio não está ordenando nenhuma pessoa específica a fazer coisa alguma. Srila Prabhupada está simplesmente expressando a sua intenção de apontar Ritviks em algum ponto no futuro. Ele então responde algumas questões um tanto confusas sobre a relação entre o guru e o discípulo no sistema Ritvik. Então ele conclui com um enunciado sobre o que aconteceria se ele decidisse dar a relevante ordem para alguém se tornar diksa-guru. Todavia, a ordem específica nomeando pessoas específicas para executar uma função específica primeiramente foi dada no dia 7 de julho (por favor veja os apêndices), e então confirmada na carta assinada do dia 9 de julho. Mas como pode ser visto lendo a carta do dia 9 de julho, não há menção alguma que os onze apontados como Ritviks alguma vez se tornariam diksa-gurus, ou que o sistema Ritvik deveria parar.

Após nossa exaustiva análise da conversação do dia 28 de maio, está claro de que o GBC está apresentando um clássico argumento circular:

Tendo em vista apoiar as modificações a) e b), as quais são absolutamente vitais para a atual posição dos gurus dentro da ISKCON, eles afirmam que se deve modificar a carta do dia 9 de julho usando uma “ordem” que Srila Prabhupada deu na transcrição do dia 28 de maio. Contudo, tendo lido cuidadosamente a transcrição nós vimos que Srila Prabhupada disse que eles apenas poderiam ser gurus “quando eu ordenar”. Então, como pode ser declarado que “quando eu ordenar” foi a mesma ordem finalmente colocada nos dias 7 e 9 de julho, uma vez que esta “ordem” é puramente para a criação dos Ritviks, e é esta mesma “ordem” que o GBC precisou modificar em primeiro lugar para manter suas cruciais modificações a) e b)?

Infelizmente ao adotar a linha de raciocínio defendido no texto GII, nós nos encontramos levados inexoravelmente na direção ao absurdo impasse dialético mencionado acima.

Como uma ajuda para entender o impasse acima, por favor veja os diagramas mais abaixo.

Finalmente, o maior problema com toda a teoria da “modificação”, além da óbvia ausência de qualquer evidência de apoio, é que não se pode modificar legitimamente uma instrução com uma informação que não estava disponível para as próprias pessoas que deveriam seguir a instrução.

OUTRAS OBJEÇÕES RELACIONADAS

1) “Srila Prabhupada não mencionou o uso de Ritviks em seus livros”

1) a palavra ‘Ritvik” e suas derivações na verdade possuem 31 referências distintas nos livros de Srila Prabhupada, apenas um pouco menos do que a palavra diksa e suas derivações, que têm 41 referências distintas nos livros de Srila Prabhupada. Certamente o uso de sacerdotes Ritviks para dar assistência em cerimônias é um conceito plenamente sancionado nos livros de Srila Prabhupada:

Conforme vemos, no Srimad-Bhagavatam há as seguintes citações:

Ritvik

:

4.6.1/ 4.7.16 / 5.3.2 / 5.3.3 / 5.4.17 / 7.3.20 / 8.20.22 / 9.1.15

Rtvijah

:

4.5.7 / 4.5.18 / 4.7.27 / 4.7.45 / 4.13.26 / 4.19.27 / 4.19.29 / 5.3.4 / 5.3.15 / 5.3.18 / 5.7.5 / 8.16.53 / 8.18.21 / 8.18.22 / 9.4.23 / 9.6.3

Rtvijam

:

4.6.52 / 4.21.5 / 8.23.13 / 9.13.1

Rtvigbhyah

:

8.16.55

Rtvigbhih

:

4.7.56 / 9.13.3

2) Apesar de os princípios espirituais serem tratados extensivamente por Srila Prabhupada em seus livros, os detalhes específicos daqueles princípios freqüentemente não são fornecidos (por exemplo, na área de adoração à Deidade). Estes detalhes específicos geralmente seriam comunicados por outros meios, como por cartas e demonstrações práticas. Assim, é preciso distinguir entre o princípio de iniciação (diksa), e os detalhes da sua formalização. Srila Prabhupada jamais definiu diksa em termos de qualquer cerimônia ritualística, e sim como a recepção de conhecimento transcendental que conduz a liberação:

“Em outras palavras, o mestre espiritual desperta a entidade viva adormecida à sua consciência original para que ela pode adorar o Senhor Vishnu. Este é o propósito de diksa, ou iniciação. Iniciação significa receber o conhecimento puro da consciência espiritual”
(C.C. Madhya, 9.6.1, comentário).

Diksa na verdade significa iniciar um discípulo com o conhecimento transcendental pelo qual ele se torna livre de todas as contaminações materiais” (C.C., Madhya, 4.111, comentário).

Diksa é o processo pelo qual alguém pode despertar seu conhecimento transcendental e aniquilar todas as reações causadas por atividades pecaminosas. Uma pessoa perita no estudo das escrituras reveladas conhece este processo como diksa”.
(C.C., Madhya, 15.108, comentário).

Diksa normalmente envolve uma cerimônia, mas ela não é absolutamente essencial; é mera formalidade.

“Então, de qualquer modo, de 1922 até 1933 praticamente eu não era iniciado, mas eu obtive a impressão de pregar o culto de Caitanya Mahaprabhu. Isso era o que eu pensava. E isso é que foi a iniciação pelo meu Guru Maharaja.”
(Srila Prabhupada, palestra 10/12/76, Hyderabad).

“Iniciação é uma formalidade. Se você for sério, essa é a verdadeira iniciação. Meu toque é simplesmente uma formalidade. É a sua determinação, isso é iniciação”. (BTG, “procura pelo divino”).

“... sucessão discipular nem sempre significa que alguém tenha que ser iniciado oficialmente. Sucessão discipular significa aceitar a conclusão discipular”
(Srila Prabhupada, carta para Dinesh, 31/10/69).

“O canto de Hare Krishna é nossa principal atividade, essa é a verdadeira iniciação. E como vocês todos estão seguindo as minhas instruções neste assunto, o iniciador já está presente”.
(Srila Prabhupada, carta para Tamal Krishna, 19/08/68).

“Bem, iniciação ou não, a primeira coisa é conhecimento... conhecimento. Iniciação é formalidade. Assim como você vai à escola por conhecimento, e admissão é formalidade. Essa não é uma coisa muito importante”
(Srila Prabhupada, entrevista, 16/10/76, Chandigarh).


Srila Prabhupada:

Quem é meu discípulo? Primeiro de tudo ele deve seguir estritamente as regras disciplinares.

Discípulo:

Enquanto eles estiverem seguindo, então ele é...

Srila Prabhupada:

Então está tudo bem.
(Srila Prabhupada, caminhada matinal, 13/06/76, Detroit).

“... a não ser que haja disciplina, não há possibilidade de haver discípulo. Discípulo quer dizer aquele que segue a disciplina”.
(Srila Prabhupada, caminhada matinal, 8/03/76, Mayapur).

“Se alguém não observa a disciplina, então ele não é discípulo”.
(Srila Prabhupada, aula do S. Bhagavatam, 21/01/74).

Assim, a cerimônia de iniciação é uma formalidade executada para solidificar na mente do discípulo o sério compromisso que assume com o processo de diksa. Tal compromisso inclui:

· receber o conhecimento transcendental o qual irá purificá-lo de todas as contaminações;

· manter a determinação de sempre seguir as ordens do diksa-guru;

· Começar a executar entusiasticamente as ordens do mestre espiritual.

Srila Prabhupada declarou claramente que a cerimônia “é apenas uma formalidade”, não algo essencial. Além disso, esta formalização da iniciação através de uma cerimônia envolve um número de elementos em si:

1. Recomendação de uma autoridade da instituição, normalmente o presidente do templo;

2. Aceitação pelo Ritvik atuante;

3. Participação em um yajña de fogo;

4. Receber um nome espiritual.

Apenas nos pontos 2 e 4 é necessário o envolvimento de um sacerdote Ritvik. 1 e 3 são geralmente executados pelo presidente do templo.

Como foi mencionado anteriormente, em nenhum lugar está dito que o guru e o discípulo devem estar no mesmo planeta tendo em vista o discípulo receber qualquer elemento de diksa, tais como conhecimento transcendental, aniquilação das reações pecaminosas, uma cerimônia de fogo ou yajña e um nome espiritual. Por outro lado, cada elemento de diksa (transmissão de conhecimento, yajña, etc.), pode ser dado muito facilmente sem a presença física do guru. Isso foi demonstrado de forma prática por Srila Prabhupada, uma vez que ele dera todos os elementos de diksa através de intermediários como seus discípulos e livros. Assim, nenhum princípio espiritual é mudado através do uso de Ritviks. Apenas há uma mudança de detalhes.

Deste modo, para colocar em perspectiva o uso de Ritviks, podemos ver que nós estamos lidando com os detalhes de um elemento de uma cerimônia, uma cerimônia que em si mesma constitui apenas um elemento- e um elemento desnecessário- do processo transcendental de diksa (por favor veja mais abaixo o diagrama da definição de diksa).

Nós observados que Srila Prabhupada lida com todos estes elementos de maneira proporcional à sua importância:

ÍTEM Explicado nos livros? Segue a tradição? Maiores mudanças da tradição? Mudança da tradição explicada nos livros?
Diksa
Sim
Não
Conhecimento dado primeiramente através de vani, e não por contato físico. Pariksa pessoal é pouco usada. Novo padrão de iniciação.
Um pouco
Processo e cerimônia de iniciação
Não
Não
Uso de representantes para cantar nas contas dos iniciados. Dar o Mantra Gayatri por fita magnética.
Não
Processo de dar o nome
Não
Não
Nome dado no momento da diksa harinama . Uso de representantes para dar o nome.
Não

Assim a falta de menção específica nos livros de Srila Prabhupada a respeito do uso dos Ritviks nos procedimentos de iniciação, seja histórico ou contemporâneo, é consistente com o método geral de Srila Prabhupada no que diz respeito à iniciação, a menção específica em seus livros sendo diretamente proporcional ao significado das inovações envolvidas.

2) “Como pode pariksa (mútua análise entre o guru e o discípulo), um elemento essencial em diksa, ser possível sem contato físico?”

Esta questão surge da declaração do dito requisito que um discípulo deve “aproximar-se”, “inquirir de”, e “render serviço” ao guru (B.Gita, 4.34), e que o guru deve “observar” o discípulo (C.c. Madhya 24.330). Se nós examinarmos o verso cuidadosamente, os seguintes pontos ficam aparentes:

·Não há menção de que o “inquirir”, “render serviço” e “observar” necessitem do contato físico direto.

·O comentário do B.Gita, 4.34 explica estas atividades como sendo essenciais para um discípulo. Assim, se estas atividades requerem absolutamente que o guru esteja no mesmo planeta, então ninguém tem sido discípulo de Srila Prabhupada desde 14 de novembro de 1977.

·O “inquirir” é feito tendo em vista o “mestre espiritual” poder “transmitir conhecimento”. Portanto, “transmitir conhecimento” é também uma definição de siksa, e já foi aceito que tendo em vista transmitir siksa, ou aceitar a investigação a cerca de siksa, o guru não precisa estar no planeta (por favor veja os apêndices). E como foi explicado acima, pela lógica deste proposição ninguém teria recebido conhecimento algum desde 14 de novembro de 1977.

·O “observar” é simplesmente o compromisso do futuro discípulo de seguir os princípios regulativos, e poder ser monitorado pelos representantes do guru:

“Em nosso Movimento para a Consciência de Krishna o requisito é que deve-se estar preparado para abandonar os quatro pilares da vida pecaminosa (...) nos países ocidentais especialmente nós primeiramente observamos se o candidato discípulo está preparado para seguir os princípios regulativos”
(C.C, Madhya, 24.330
, comentário, ênfase adicionada
).

Essa facilidade de usar representantes é sempre repetida em poucas linhas depois, quando discutindo a observação necessária para uma possível candidatura para a segunda iniciação:

“Deste modo o discípulo rende serviço devocional sobre a guia do mestre espiritual ou seus representantes por pelo menos seis meses até um ano”
(C.C. Madhya, 24.330, comentários, ênfase adicionada
).

Poucas linhas depois nós vemos como realmente é vital é o uso de representantes Ritviks:

“O mestre espiritual deverá estudar a curiosidade do discípulo por pelo menos seis meses ou um ano”
(C.C., Madhya, 24.330,
comentários).


·Levando em consideração a forma na qual Srila Prabhupada estabeleceu sua Sociedade, a estipulação acima teria sido impossível de seguir. Ele não poderia ter a possibilidade de observar cada um dos seus milhares de discípulos por 6 meses seguidos. Assim, o uso de representantes não fora apenas uma questão de escolha, mas totalmente inevitável se o requisito acima tivesse que ser preenchido pessoalmente por Srila Prabhupada. Se pariksa pessoal feita pelo guru (com ele estando fisicamente envolvido) fosse um princípio sástrico inviolável, por que deveria Srila Prabhupada ter propositadamente estabelecido uma missão de pregação (com discípulos e centros ao redor do mundo) que tornasse tal exame pessoal impossível? De fato argumenta-se que Srila Prabhupada apenas conseguiu alcançar seu sucesso na pregação à custa da violação dos sastras, um argumento comumente usado por outros grupos Gaudiya Vaisnavas na índia.

·Todos os pontos acima são ainda substanciados pela mais forte evidência possível – extenso exemplo prático pessoal do Acarya: Srila Prabhupada iniciou a maioria de seus discípulos sem qualquer pariksa pessoal. Deste modo, Srila Prabhupada instituiu um sistema segundo o qual o aproximar-se de seus representantes para diksa seria o mesmo que se aproximar dele diretamente. Pode-se argumentar que a eliminação de pariksa pessoal era justificada porque o guru estava presente no planeta, assim pelo menos pariksa pessoal poderia teoricamente ter ocorrido. Todavia, este argumento não possui fundamento, uma vez que:

i.Não há menção desta cláusula especial para pariksa pessoal em nenhuma escritura. Isso seria apenas uma invenção para ajustar as circunstâncias depois do fato.

ii.Quando descrevendo o uso de representantes para pariksa pessoal, Srila Prabhupada jamais declarou que eles apenas existiriam se ele estivesse no planeta. Qual é este princípio sástrico até agora não mencionado que força uma limitação no uso de representantes em certas circunstâncias?

iii. Como foi demonstrado, a necessidade de pariksa pessoal não é um requisito sástrico. O uso de representantes, tais como discípulos e livros, como substitutos de pariksa pessoal é apoiado por Srila Prabhupada. Então, está fora de questão considerar quando pariksa pessoal deve ou não deve ser eliminada.

iv.Diksa era dada sem o contato físico, o que prova que diksa pode ser obtida sem pariksa pessoal.

v.O próprio fato de que pariksa pessoal não foi sempre efetuada, mesmo quando era possível fazê-la, prova que isso não pode ser necessário para o processo de diksa.

Srila Prabhupada deixou muito claro qual o padrão que ele esperava de um discípulo; os presidentes de templo e os Ritviks deveriam dar a continuidade aos mesmos. Os padrões de iniciações hoje são idênticos àqueles estabelecidos por Srila Prabhupada enquanto ele estava presente. Então, quando ele pediu para não ser consultado enquanto estava presente, o quê nos faria crer que ele urgentemente desejaria intervir agora? A única coisa preocupação para nós é assegurar que o padrão seja rigidamente mantido sem mudanças ou especulações.

5) “”O que vocês estão propondo soa suspeitosamente como Cristianismo!”

1) Nós não estamos propondo o sistema Ritvik; é Srila Prabhupada que o propôs na sua ordem final. Assim, mesmo se isso for como o Cristianismo, ainda assim nós deveremos segui-lo, uma vez que é a ordem do guru.

2) Srila Prabhupada claramente aprovou a idéia de que os cristãos continuem seguindo a Jesus Cristo como seu guru, embora ele já tenha partido do planeta. Ele nos ensinou que qualquer um que seguisse os ensinamentos de Jesus Cristo era seu discípulo, e alcançaria o nível de liberação oferecida por Jesus Cristo.

Madhudvisa:

Existe alguma forma para um cristão alcançar o céu espiritual , sem a ajuda de um mestre espiritual,, crendo nas palavras de Jesus Cristo e tentando seguir seus ensinamentos?

Srila Prabhupada:

Eu não compreendo.

Tamal Krishna Goswami:

Pode um cristão nesta era, sem um mestre espiritual, mas lendo a Bíblia, e seguindo as palavras de Jesus, alcançar o...

Srila Prabhupada:

Quando você lê a Bíblia, você segue o mestre espiritual. Como pode você dizer ‘sem mestre espiritual’? Tão logo você leia a Bíblia, isso significa que você está seguindo as instruções do senhor Jesus Cristo, o que significa seguir o mestre espiritual. Então, onde está a chance de estar sem mestre espiritual?

Madhudvisa:

Eu estou me referindo a um mestre espiritual vivo.

Srila Prabhupada:

Mestre espiritual não se trata de... O mestre espiritual é eterno. O mestre espiritual é eterno. Então, a sua pergunta é: “sem um mestre espiritual”. Sem um mestre espiritual você não pode estar em fase alguma da vida. Você pode aceitar este mestre espiritual ou aquele. Isso é outra coisa. Mas você deve aceitar. Como você disse que “lendo a Bíblia”, quando você lê a Bíblia isso quer dizer que você está seguindo o mestre espiritual representado por algum sacerdote ou membro do clero na linha do Senhor Jesus Cristo.
(Srila Prabhupada, Palestra 02-10-68 em Seattle)

“Com relação ao destino dos devotos do Senhor Jesus Cristo, eles podem ir para o paraíso, isso é tudo. Esse é um planeta no mundo material. Um devoto do Senhor Jesus Cristo é aquele que segue estritamente os dez mandamentos (...), portanto, a conclusão é que os devotos do Senhor Jesus Cristo são promovidos aos planetas celestes dentro do mundo material”
(Carta de Srila Prabhupada para Bhagavan, 2/3/70).

“Na realidade, quem está sendo guiado por Jesus Cristo certamente alcançará libertação.”
(Perguntas perfeitas, respostas perfeitas, cap. 9).

“.. ou os cristão estão seguindo Cristo, uma grande personalidade; mahajano yena gatah sa panthah. Você segue um mahajana, uma grande personalidade (..) você segue um acarya, como os cristãos seguem Cristo, acarya. Os maometanos, eles seguem o acarya Maomé. Isso é bom. Você deve seguir algum acarya (...) evam parampara-praptam”.
(Srila Prabhupada, conversa no quatro, 20-5-75, Melbourne).

3. Esta objeção de ser “cristão” é irônica, uma vez que o sistema corrente de gurus na ISKCON adota alguns procedimentos dos cristãos. A teologia por detrás do sistema de votação do GBC é similar ao sistema dos Cardeais que votam o Papa na Igreja Católica:

“O processo de votação (...) para o candidato a guru (...) que será estabelecido pelos membros eleitores (...) votando para eleger um guru (..) por dois terços dos votos do GBC (...) todos os membros do GBC são candidatos para serem apontados como guru”.
(resolução do GBC).

Similarmente, o GBC chama a si mesmo como “o corpo eclesiástico supremo dirigindo a ISKCON” (Back to Godhead, 1990-1991): mais uma vez a terminologia “cristã”.

Estas práticas cristãs em particular nunca foram ensinadas por Jesus, e foram inteiramente condenadas por Srila Prabhupada:

“Votação mundana não tem jurisdição para eleger um acarya vaisnava. Um vaisnava acarya é auto-refulgente, e não há necessidade de uma corte de julgamento”.
(C.C., Madhya,
1.220, comentário).

“Srila Jiva Goswami aconselha que não se deve aceitar um mestre espiritual em termos de hereditariedade ou costume social e convenções eclesiásticas”
(C.C., Adi, 1.35, comentário).

6) “Os Ritviks dão um tipo de diksa. Srila Prabhupada é apenas nosso Siksa-guru”.

1) A função do Ritvik é distinta da função de um diksa-guru. Seu único propósito é auxiliar o diksa-guru nas iniciações dos discípulos, não aceitá-los para si mesmo.

2) O Ritvik unicamente inspeciona o procedimento da iniciação e dá um nome espiritual, mas não há nem mesmo a necessidade de executar uma cerimônia de fogo, yajña. Isso era feito normalmente pelo presidente de templo- e ele não era com certeza o diksa-guru.

3) Por que não permitir que Srila Prabhupada seja o que ele deseja ser? Ele é certamente nosso Siksa-guru, mas como ele indicou claramente na carta do dia 9 de julho, ele também deveria ser nosso diksa-guru.

4) Uma vez que Srila Prabhupada é nosso siksa-guru predominante, ele é de fato nosso diksa-guru de qualquer modo, uma vez que:

· Ele dá divya-jñana ou conhecimento transcendental – definição de diksa;

· Ele planta bhakti-lata-bija – definição de diksa.

Os devotos também podem auxiliar nas duas atividades acima distribuindo livros etc., mas eles são vartma-pradarsaka-gurus, não diksa-gurus, embora por tal serviço eles possam também se tornar almas liberadas.

5) O siksa-guru predominante geralmente se torna o diksa-guru de qualquer forma:

“Srila Prabhupada é o siksa-guru fundador para todos os devotos da ISKCON (...) as instruções de Srila Prabhupada são ensinamentos essenciais para cada devoto da ISKCON.”
(Resolução do GBC, nº 35, 1994).

“Geralmente um mestre espiritual que instrui constantemente um discípulo na ciência espiritual torna-se seu mestre espiritual iniciador mais tarde”
(C.C., Adi,
1.35, comentário)

“É dever do siksa-guru ou diksa-guru instruir o discípulo no caminho correto, e depende do discípulo executar o processo. De acordo com as injunções sástricas, não há diferença entre o siksa-guru e o diksa-guru, e geralmente o siksa-guru mais tarde se torna o diksa-guru”.
(S.B, 4.12.32, comentário).

8) “Você está dizendo que Srila Prabhupada não fez nenhum devoto puro?”

Não, tudo o que nós estamos dizendo é que Srila Prabhupada estabeleceu um sistema Ritvik para que as iniciações continuassem. Se Srila Prabhupada fez devotos puros ou não é algo irrelevante à sua instrução final, que é clara e inequívoca. Como discípulos, nosso dever é simplesmente seguir as instruções do guru. É inapropriado abandonar as instruções do guru e em vez de segui-las especular quantos devotos puros existem ou existirão no futuro.

Mesmo aceitando o pior caso, que não haja de fato devotos puros no presente, deve-se considerar a situação que existiu depois da partida de Srila Bhaktisiddhanta Saraswati. Depois de quase 40 anos, Srila Prabhupada indicou que havia somente um acarya produzido pela Gaudiya Matha que era autorizado a iniciar:

“Na realidade, entre todos os meus irmãos espirituais, nenhum é qualificado para tornar-se acarya* (...) em vez de inspirar nossos estudantes e discípulos, eles podem eventualmente contaminá-los (...) eles são muito competentes para causar danos ao nosso progresso natural”
(Carta de Srila Prabhupada a Rupanuga, 28/04/74).

*(Srila Prabhupada usava os termos “acarya” e “guru” alternadamente):

“Eu produzirei alguns gurus. Eu direi quem é guru. ‘Agora você se torna acarya’ (...) você pode trapacear, mas isso não será muito efetivo. Apenas veja nossa Gaudiya Matha. Todos queriam ser gurus. Um pequeno templo e ‘guru”. Que tipo de guru? (Srila Prabhupada, caminhada matinal, 22/04/77).

Isso poderia ser visto como uma condenação ao trabalho de pregação de Srila Bhaktisiddhanta. Portanto, seria extrema ignorância argumentar que Srila Bhaktisiddhanta foi um “fracasso”. É bem conhecido o fato de que Srila Bhaktisiddhanta havia dito que se a sua missão somente produzisse um devoto puro ele a consideraria um sucesso.

De qualquer forma, a implementação do sistema Ritvik não descarta, a priori, a possível existência de devotos puros. Há várias circunstâncias que podem facilmente acomodar tanto Ritviks como devotos puros, por exemplo:

Srila Prabhupada pode ter feito muitos devotos puros que não têm desejo de se tornar diksa-gurus. Não há evidência que sugira que os devotos mais avançados na ISKCON devem necessariamente ser aqueles indivíduos que se candidatam para as eleições a cada ano. Estes devotos puros podem simplesmente desejar humildemente auxiliar na missão de Srila Prabhupada. Em nenhum lugar se afirma que é obrigatório que um devoto puro se torne diksa-guru. Tais pessoas estariam encantadas em trabalhar dentro do sistema Ritvik se essa for a ordem do seu guru.

Srila Prabhupada poderia desejar um grande número de gurus instrutores, mas não necessariamente mais gurus iniciadores. Isso está de acordo com a instrução citada anteriormente para que todos se tornem siksa-gurus, e com a advertência de Srila Prabhupada para não aceitem discípulos. Também estaria de acordo com o fato de que Srila Prabhupada sozinho já havia conseguido sucesso em sua missão:

Convidado:

O senhor planeja escolher um sucessor?

Srila Prabhupada:

Isso já é um sucesso.

Convidado:

Mas deve ter alguém que o senhor conheça, e que seja necessário para tomar conta de tudo.

Srila Prabhupada:

Sim. Nós estamos criando. Estamos criando aqueles devotos que irão tomar conta.

Hanuman:

O que este cavalheiro está dizendo, e eu gostaria de saber, é qual o nome de seu sucessor ou quem será o sucessor ...

Srila Prabhupada:

Meu sucesso está sempre presente.
(Srila Prabhupada, conversa no quarto, 12/02/75, México)

“Após 80 anos ninguém pode ter expectativas de uma vida longa. Minha vida está quase acabada. Então vocês devem continuar, e estes livros irão fazer tudo”.
(Srila Prabhupada, conversa no quarto, 18/02/76).

“Então, não há nada novo a ser dito. Tudo o que havia para falar eu já falei em meus livros. Agora vocês tentem entender isso e continuem seus esforços. Se eu estiver ou não presente, isso não importa”.
(Srila Prabhupada, conversa ao chegar, 17/05/77, Vrindavan).


Repórter:

O que irá acontecer com o Movimento nos Estados Unidos depois que o senhor morrer?

Srila Prabhupada:

Eu nunca morrerei.

Devotos:

Jaya! Haribol! (risos)

Srila Prabhupada:

Eu viverei em meus livros e vocês os utilizarão.
(Srila Prabhupada, conferência com a imprensa, 16/07/75, São Francisco)


Repórter:

O senhor está treinando um sucessor?

Srila Prabhupada:

Sim, meu guru-maharaja está aqui.
(Srila Prabhupada, conferência com a imprensa, 16/07/75, São Francisco)

“Apenas o Senhor Caitanya pode tomar meu lugar. Ele irá tomar conta do Movimento.” (Srila Prabhupada, conversa no quarto, traduzido do hindi, 2/11/77)

Repórter:

O que irá acontecer quando chegar o momento inevitável e a necessidade de um sucessor?

Ramesvara:

Ele está perguntando sobre o futuro, quem irá liderar o Movimento no futuro?

Srila Prabhupada:

Eles irão guiar; eu estou treinando-os.

Repórter:

Mas haverá um líder espiritual?

Srila Prabhupada:

Não. Eu estou treinando o GBC, 18 pelo mundo todo.
(Srila Prabhupada, entrevista, 10/06/76, Los Angeles)


Repórter:

O senhor espera nomear uma pessoa como seu sucessor ou já o fez?

Srila Prabhupada:

Não estou ponderando sobre isso agora. Mas não há necessidade de uma pessoa.
(Srila Prabhupada, entrevista, 4/06/76, Los Angeles)


Repórter:

Eu estou curioso para saber se ele tem um sucessor para fazer... o senhor tem um sucessor para tomar o seu lugar quando o senhor morrer?

Srila Prabhupada:

Não, ainda não está estabelecido . Ainda não está estabelecido.

Repórter:

Então, qual é o processo? Os Hare Krishnas seriam...

Srila Prabhupada:

Nós temos secretários. Eles estão administrando.
(Srila Prabhupada, entrevista, 14/07/76, Nova Iorque)

O fato de Srila Prabhupada não ter autorizado qualquer de seus discípulos para atuar como diksa-guru não significa necessariamente que nenhum deles era devoto puro. Pode ser apenas o plano de Krishna que nenhum deles aceite tal papel. Ainda assim os seguidores de Srila Prabhupada possuem uma importante papel a executar, assim como quando ele estava fisicamente presente no planeta, ou seja, atuar como seus assistentes, não como sucessores acaryas:

“Todos os membros do GBC devem ser gurus instrutores. Eu sou o guru iniciador e vocês devem ser os gurus instrutores, ensinando o que eu estou ensinando, e fazendo o que eu estou fazendo”.
(Srila Prabhupada, carta para Madhudvisa, 4/08/75)

“Às vezes o diksa-guru não está sempre presente. Portanto, pode-se adquirir conhecimento einstrução de um devoto avançado. Este é chamado siksa-guru.
(Srila Prabhupada, palestra sobre o B.G., 4/7/74, Honolulu)

Assim, se Srila Prabhupada algum devoto puro ou não é irrelevante, o fato é que ele estabeleceu o sistema Ritvik. Apesar do diksa-guru no momento não estar presente fisicamente, isso não significa que ele não seja diksa-guru. Na sua ausência se espera que nós recebamos instruções de siksa-gurus fidedignos, que eventualmente podem ser milhões.

11) “O sistema Ritvik significa o fim da relação guru-discípulo, a qual tem sido a tradição por milhares de anos”.

O sistema Ritvik envolve a conexão de um número potencialmente ilimitado de discípulos sinceros com o maior acarya que já abençoou a Terra para sempre, chamado Srila Prabhupada. Estes discípulos terão um relacionamento com Srila Prabhupada baseado nos estudos dos seus livros e servindo-o na sua Sociedade, onde há ampla oportunidade para que exista um ilimitado número de relações entre discípulos e siksa-guru. Como isso iria acabar com a tradição do relacionamento entre o guru e o discípulo?

Os detalhes de como o relacionamento entre o diksa-guru e o discípulo é formalmente realizado pode ser adaptado por um acarya de acordo com o tempo, lugar e circunstância, mas o princípio permanece o mesmo:

“Srimad Viraghava Acarya, um acarya da sucessão discipular da Ramanuja - sampradaya, observou em seu comentário que os candalas, ou almas condicionadas que nascem na classe inferior àquela das famílias sudra, também podem ser iniciados de acordo com as circunstâncias. As formalidade podem ligeiramente ser modificadas aqui e ali para torná-los Vaisnavas”.

(SB, 4.8.5, significado)

Similarmente, este princípio de aceitar iniciação de um mestre espiritual fidedigno não é de modo algum diminuído ou comprometido pelo sistema Ritvik.

Algumas pessoas indicam que os gurus tradicionais que vivem em vilarejos na Índia são um modelo para a ISKCON. Cada guru tem uns poucos discípulos que são por ele treinados pessoalmente. No entanto, por mais cômodo que isso possa parecer, nem remotamente tem algo a ver com a missão mundial predita pelo Senhor Caitanya e estabelecida por Srila Prabhupada. Dentro desta Missão, Srila Prabhupada é o acarya com milhares, e potencialmente milhões, de discípulos. Srila Prabhupada estabeleceu um movimento mundial através do qual qualquer um pode se “aproximar”, “servi-lo” e “indagar” dele em qualquer lugar do mundo. Por que nós desejaríamos introduzir um sistema de guru como o dos vilarejos da Índia dento da ISKCON, quando não foi isso o que Srila Prabhupada ordenou ou estabeleceu?

Se cada um meditar em centenas de diferentes gurus com diferentes pontos de vista, opiniões e níveis de realização, como poderia haver unidade? Em vez desta abordagem da vida espiritual como se fosse uma loteria, como nós demonstramos, Srila Prabhupada nos deu um sistema seguro que facilitava a rendição diretamente a ele, que é 100% garantido. Nós sabemos que ele nunca irá nos decepcionar, e deste modo a ISKCON irá permanecer unida, não apenas no nome, mas em consciência.

Alguns devotos sentem que sem a sucessão de diksa-gurus iniciadores que estejam vivos e fisicamente presentes, a ciência do serviço devocional será perdida. No entanto, este princípio nunca foi dito sequer uma vez por Srila Prabhupada, e assim não pode existir em nossa filosofia. Enquanto o sistema Ritvik permanecer em vigor (uma vez que seja reinstituído, obviamente) haverá uma sucessão de siksa-gurus vivos atuando em nome do Maha-bhagavata que também está vivo, embora não esteja fisicamente presente. Enquanto esses siksa-gurus não mudarem nada, inventarem filosofia, desobedecerem às ordens importantes e desautorizadamente se apresentarem como diksa-gurus, a existência do serviço devocional irá permanecer perfeitamente intacta. Se tal mau comportamento obstruísse a ciência imperecível de bhakti, então Krishna certamente interviria de algum modo, talvez enviando novamente um residente de Goloka para reestabelecer uma nova Sociedade fidedigna. Vamos trabalhar juntos para assegurar que isso não será necessário.

12) “Ritviks não são o meio regular para conduzir se a sucessão discipular. A maneira apropriada para fazer isso é ter um guru ensinando o discípulo tudo o que ele necessite para saber sobre Krishna, enquanto fisicamente presente. Uma vez que o guru abandone o planeta, é dever de todos os seus discípulos estritos imediatamente começar a iniciar seus próprios discípulos, assim levando adiante a sucessão discipular. Este é o modo regular de fazer as coisas”.

Deixando de lado dois importantes pré-requisitos para alguém que dá iniciações, é claro que a atividade de diksa dentro do nosso parampara é imensamente diversa. Nós temos observado que violações do assim chamado “sistema regular” se enquadram em cinco categorias básicas, apesar de nós não negarmos que pode haver muitas outras:

a) Intervalos

São ocasiões quando um acarya no parampara parte, e não há um elo seguinte para começar a dar iniciações imediatamente; ou a pessoa que se tornaria o próximo elo não recebe imediatamente a autorização de seu mestre espiritual para dar iniciação depois de sua partida. Por exemplo, há um intervalo de cerca de vinte anos entre a partida de Srila Bhaktisiddhanta e a próxima iniciação fidedigna em nossa sampradaya. Intervalos de mais do que cem anos não são incomuns entre os membros da sucessão discipular.

b) Intervalos reversos

São ocasiões quando um acarya ainda não deixou o planeta antes de seus discípulos começarem a dar iniciações. O Senhor Brahma, por exemplo, não havia deixado seu corpo, e ainda assim gerações de gurus sucessores iniciaram muitos milhões de discípulos. Srila Bhaktisiddhanta iniciou quando Srila Bhaktivinoda e Srila Goura Kisora estavam fisicamente presentes. De acordo com o texto GII (pg. 23), isso é um fenômeno comum na nossa sampradaya.

c) Elos como siksa-guru/diksa-guru

Há exemplos de um discípulo aceitar um acarya como seu mestre espiritual após este ter deixado o planeta. Se o acarya que partiu é um siksa-guru ou diksa-guru para o discípulo é difícil de discernir. Srila Prabhupada geralmente não especificava a precisa natureza destas interações espirituais. Por exemplo, a exata natureza do relacionamento entre Srila Visvanatha Cakravarti Thakura e Narottama Dasa Thakura, que viveram cerca de cem anos distantes, não é detalhada por Srila Prabhupada. Nós poderíamos chamar isso um relacionamento siksa, mas isso é especulação, uma vez que Srila Prabhupada simplesmente diz:

“Srila Narottama Dasa Thakura aceitou Srila Visvanatha Cakravarti como seu servo” (C.C. Adi, 1).

“... Visvanatha Cakravarti Thakura. Ele aceitou seu guru, Narottama Dasa Thakura” (Srila Prabhupada, palestra sobre o S.B., 17/04/76, Bombay).

Apesar de tais discípulos normalmente passarem por algum tipo de cerimônia com alguém que está fisicamente presente, isso não quer dizer que o acarya que já partiu não seja seu diksa-guru; assim como em uma cerimônia Ritvik não significa que o Ritvik ou o presidente de templo se torne o diksa-guru. Também é um fato que tais discípulos geralmente obtinham permissão de uma autoridade que estava presente fisicamente para aceitar seu sad-guru, que não estava presente. De uma maneira similar, quando o sistema Ritvik for reestabelecido, os novos discípulos de Srila Prabhupada primeiramente obterão a permissão do presidente de templo e do Ritvik antes de serem iniciados.

d) Modo de iniciação:

São formas anômalas de iniciação, onde formas únicas ou inconcebíveis de transmissão de diksa ocorreram. Por exemplo, o Senhor Krishna para o Senhor Brahma; ou o Senhor Caitanya sussurrando no ouvido de um budista. Diksa interplanetária pode também estar sob esta categoria. Isso é quando as personalidades dão iniciação-ou transmitem diksa- para um discípulo que reside em um planeta diferente, como o exemplo de Manu para Iksvaku no Bhagavad-gita, 4.1.

e) Sistemas de sucessores:

Refere-se a diferentes sistemas de acaryas sucessores dentro de nossa sampradaya. Por exemplo, Srila Bhaktivinoda adotou o sistema de sucessor com um “poderoso filho vaisnava”. Srila Bhaktisiddhanta idealizou um sistema de sucessor com um “acarya auto-refulgente”. Até onde podemos determinar, Srila Prabhupada deixou no seu lugar o sistema Ritvik – representante do acarya com o propósito de executar as iniciações”, segundo o qual “os novos devotos iniciados são discípulos de Sua Divina Graça, A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada”. O atual sistema favorecido pelo GBC é um “sistema de múltiplos acaryas sucessores”.

Está bem claro que a abordagem de cada acarya é única; então, falar sobre um “sistema regular” para continuar o parampara é praticamente sem sentido.


17) “É comumente compreendido que há três tipos de acaryas. Todos na ISKCON aceitam isso”.

Mas esta idéia nunca foi ensinada por Srila Prabhupada. Ela foi introduzida por Pradyumna dasa em uma carta para Satsvarupa dasa Goswami, datada de 07/08/78. Esta carta foi mais tarde reimpressa no texto Under My Order (Ravindra Svarupa dasa, 1985), e foi usada como um dos pilares para as teses do texto sobre como o sistema de gurus na ISKCON deveria ser reformado.

Por sua vez, é este texto em “On My Order Understood”(GBC, 1995) que forma a base da doutrina sobre as iniciações (como já mencionamos na introdução) no texto GII.

Este texto levou à transformação do sistema de acarya regional em sua forma do M.A.S.S. atual:

“Eu peguei esta definição de acarya de uma carta do dia 7 de agosto de 1978 de Pradyumna para Satsvarupa Dasa Goswami. O leitor deverá agora voltar-se para esta carta (a qual eu anexei), para um estudo cuidadoso”
(Under My Order, Ravindra Svarupa dasa, agosto de 1985).

Nesta carta Pradyumna explica que a palavra “Acharya” pode ser considerada em três sentidos:

1. Aquele quem pratica o que prega;

2. Aquele que concede iniciação a um discípulo;

3. O líder espiritual de uma instituição e que foi especificamente apontado pelo acarya anterior para ser o seu sucessor.

Nós aceitamos a definição 1, uma vez que Srila Prabhupada costuma usá-la . Esta definição deverá automaticamente aplicar-se a um pregador efetivo, seja ele siksa-guru ou diksa-guru.

Seguindo com a definição 2: Pradyumna explica que este tipo de acarya pode iniciar discípulos e ser referido como acaryadeva, mas apenas por seus discípulos:

“Qualquer um que concede iniciação ou é um guru pode ser chamado “acaryadeva”, etc. apenas pelos seus discípulos. Quem quer que o tenha aceitado como guru deverá dá-lo todos os respeitos em todos os aspectos, mas isso não se aplica àqueles que não são seus discípulos.”
(Pradyumna, 7/8/78).

Isso é uma invenção. Em nenhum lugar Srila Prabhupada jamais descreveu que um guru cuja natureza é absoluta deva apenas ser reconhecido pelos seus próprios discípulos, e não pelo mundo em geral, ou mesmo por outros vaisnavas da mesma linha. Vamos ver como Srila Prabhupada define a palavra acaryadeva. Os seguintes excertos da oferenda de Vyasa Puja foram impressos na ‘Ciência da auto-realização’ (capítulo 2), onde ele usa o termo em relação ao seu próprio mestre espiritual, Srila Bhaktisiddhanta:

“O guru, ou acaryadeva, como nós aprendemos das escritura fidedignas, entrega a mensagem do mundo absoluto...”

“.. quando nós falamos do princípio fundamental de gurudeva, ou acaryadeva, nós falamos de algo que tem aplicação universal”.

“O acaryadeva por quem nós estamos reunidos esta noite para oferecer nossas humildes homenagens não é o guru de uma instituição sectária ou apenas mais um entre tantos diferentes expoentes da verdade. Pelo contrário, ele é o jagad-guru, ou o guru de todos nós”.

A forma como Srila Prabhupada usa e define a palavra acaryadeva é diametralmente oposta àquela de Pradyumna. Está implícito no que Pradyumna diz que o termo “acaryadeva” pode ser falsamente aplicado a pessoas que não estão de fato naquela plataforma elevada. Assim, ele relativiza a posição absoluta do diksa-guru.

O termo acaryadeva pode apenas ser aplicado a alguém que de fato é o “guru de todos nós”, alguém que deve ser adorado pelo mundo inteiro:

“... ele é conhecido como sendo a manifestação direta do Senhor e um genuíno representante de Sri Nityananda Prabhu. Tal mestre espiritual é conhecido como acaryadeva
(C.C., Adi, 1.46).

Na definição 3 Pradyumna explica que a palavra “acarya” indica o líder de uma instituição, e que este significado é bem específico:

“Isso não significa qualquer um; significa apenas quem foi especificamente apontado pelo acarya anterior para ser o sucessor acima de todos os outros como líder da instituição espiritual (...) essa é a tradição estrita em toda a Gaudiya-sampradaya
(Carta de Pradyumna, para Satsvarupa dasa Goswami, 7/8/78).

Nós certamente concordamos que para dar iniciação alguém deve primeiramente ser autorizado pelo acarya anterior (um ponto que não é sequer mencionado na explicação que da definição 2):

“Deve-se aceitar iniciação de um mestre espiritual fidedigno vindo na sucessão discipular e que é autorizado pelo seu mestre espiritual predecessor”
(S.B., 4.8.54, comentário).

Todavia, que isso tem a ver com ocupar a posição de líder de uma instituição espiritual é bastante confuso, já que Srila Prabhupada é o acarya de uma instituição inteiramente separada daquela de seu Guru-maharaja. Então, de acordo com a filosofia de Pradyumna, a posição de Srila Prabhupada como acarya somente poderia se enquadrar na definição 2. Qualquer que seja a “tradição estrita” a que se refere Pradyumna, ela certamente, jamais fora mencionada por Srila Prabhupada, e assim nós poderemos seguramente descartá-la. Mais abaixo nós vemos exatamente de onde foi que Pradyumna tirou essas insidiosas idéias:

“De fato, nas diferentes Gaudiya Mathas mesmo se um irmão espiritual estiver na posição de acarya, ele freqüentemente por humildade aceita apenas um num tecido leve como asana, nada mais elevado”.

Nenhum dos irmãos espirituais de Srila Prabhupada era um acarya autorizado. Poderia se pensar que verdadeira humildade se traduziria em abandonar uma atividade desautorizada, qualquer que fosse, e reconhecendo a eminente posição de Srila Prabhupada, render-se ao verdadeiro Jagad-guru. Infelizmente, poucos membros da Gaudiya Matha fizeram isso. O fato de Pradyumna citar estas pessoas como exemplos fidedignos significa que ele está mais uma vez denegrindo a posição do verdadeiro Acaryadeva.

“Com respeito a Bhakti Puri e Tirtha Maharaj, eles são meus irmãos espirituais e devem ser respeitados. Mas você não deverá ter nenhuma conexão íntima com eles, uma vez que têm agido contra as ordens de meu guru-maharaja”.
(Carta de Srila Prabhupada para Pradyumna, 17/2/68).

É vergonhoso que Pradyumna Prabhu tenha ignorado esta instrução direta de seu guru-maharaja, e é muito extraordinário que esta visão desviante forme o “siddhanta” do atual sistema de guru dentro da ISKCON.

Assim, quando Srila Prabhupada disse que nenhum de seus irmãos espirituais era qualificado para se tornar acarya, se ele estava se referindo à definição 1 ou 3 é algo irrelevante. Se eles não eram qualificados de acordo com a definição 1, então isso significa que eles não ensinavam pelo exemplo, o qual automaticamente os desqualifica para a definição 3, e por conseguinte para dar iniciação. E se eles não estavam qualificados de acordo com a definição 3, então eles não eram autorizados, e portanto mais uma vez tampouco poderiam dar iniciação.

Em conclusão:

a)Todos os pregadores devem aspirar se tornar acarya de acordo com a definição 1, ou siksa-guru;

b)A elaboração da definição 2 por Pradyumna dasa é completamente falsa. É proibido para qualquer um, discípulo ou não, considerar um guru fidedigno ou acaryadeva uma pessoa comum. E se de fato ele for um homem comum, então ele não poderá iniciar ninguém, tampouco ser referido como acaryadeva. Além disso, aqui não há menção da necessidade de se receber específica autorização do acarya predecessor na sucessão discipular, sem a qual ninguém pode dar iniciação.

c)A definição 3 trata do único o tipo de acarya que pode iniciar; ou seja, alguém que tenha sido autorizado pelo acarya de sua própria sampradaya, seu mestre espiritual. Tendo sido então autorizado, ele pode ou não liderar uma instituição, o que é irrelevante.

Dentro da ISKCON todos os devotos são instruídos a se tornar acarya de acordo com a definição 1: ensinando através do exemplo como siksa-gurus. Um bom começo no caminho para se tornar este tipo de acarya é começar a seguir estritamente as ordens do mestre espiritual.

19) “De acordo com o Jornal da ISKCON de 1990, alguns irmãos espirituais de Srila Prabhupada eram de fato acaryas.”

Quem disse isso?

·A mesma pessoa que disse que não havia a palavra Ritvik no dicionário vaisnava (ISKCON Journal 1990, pg.23), ainda que o termo seja usado repetidamente no Srimad Bhagavatam e na carta do dia 9 de julho assinada pessoalmente por Srila Prabhupada.

·A mesma pessoa que sugeriu que Srila Prabhupada não estava especificamente autorizado para iniciar:

“Bhaktisiddhanta Saraswati nunca disse ou deu qualquer documento para que Swamiji (Srila Prabhupada) se torna-se guru”
(ISKCON Journal 1990, pg.23).

·A mesma pessoa que disse que Tirtha, Madhava e Sridhar Maharaja eram acaryas fidedignos, apesar de Srila Prabhupada ter dito que nenhum deles era qualificado:

“Mas há um sistema em nossa sampradaya. Então Tirtha Maharaj, Madhava Maharaja, Sridhar Maharaj, nosso Gurudev, Swamiji – Swamiji Bhaktivedanta Swami – todos eles se tornaram acaryas”.
(ISKCON Journal 1990, pg.23)

Compare as citações acima com o que Srila Prabhupada pensava sobre um destes “acaryas”:

“Bhakti Vilas Tirtha é muito antagonista à nossa sociedade e não tem uma concepção clara sobre serviço devocional; ele está contaminado.”
(Srila Prabhupada, carta para Sukadeva, 14/11/73)

.......E como ele se referiu aos demais?

“Entre meus irmãos espirituais nenhum está qualificado para se tornar acarya.(Srila Prabhupada, carta para Rupanuga, 28/04/74)

·A mesma pessoa que recentemente disse que Srila Prabhupada não nos havia dado tudo, e que havia chegado o momento para um rasika-guru.

20) “Srila Prabhupada algumas vezes falou bem de seus irmãos espirituais.”

É verdade que em diferentes ocasiões Srila Prabhupada lidou diplomaticamente com seus irmãos espirituais, referindo-se a Sridhar Maharaja como seu siksa-guru, etc. Srila Prabhupada era também uma pessoa calorosa, que tinha cuidado e afeição genuínos por seus irmãos espirituais, sempre tentando um jeito de engajá-los no Movimento de sankirtana. Contudo, nós devemos entender que se eles fossem genuínos acaryadevas, Srila Prabhupada nunca teria falado mal deles, nem sequer uma vez. Falar de diksa-gurus fidedignos como sendo desobedientes, cobras invejosas, cães, porcos, vespas, etc., em si mesmo seria uma séria ofensa, e portanto algo que Srila Prabhupada não teria feito. Para ilustrar o modo no qual Srila Prabhupada via seus irmãos espirituais, nós iremos oferecer alguns excertos de uma conversa na qual Bhavananda está lendo um panfleto editado pela Matha de Tirtha Maharaja:

Bhavananda: “Começa com letras grandes: ‘Acaryadeva Tridandi Swami Srila Bhaktivilasa Tirtha Maharaaj. Todos os homens eruditos estão conscientes de que nos tempos da escuridão na Índia, quando a religião Hindu estava em grande perigo....”

Srila Prabhupada: (risadas)... isso é um besteirol.

É óbvio qual o tipo de “acaryadeva” Srila Prabhupada considera Tirtha Maharaja (o mesmo Tirtha que é saudado como um acarya fidedigno no jornal da ISKCON de 1990 mencionado anteriormente). Mais adiante, o panfleto descreve como Srila Bhaktisiddhanta foi tão afortunado em ter uma maravilhosa personalidade para levar adiante a sua missão.

Bhavananda: “... no devido tempo, ele (Srila Bhaktisiddhanta) obteve uma grande personalidade a qual prontamente assumiu o...”

Srila Prabhupada: “Agora veja só ! ‘Ele obteve uma grande personalidade’. Ele é essa personalidade. Ele também irá provar isso. (mais tarde)... Ninguém aceita ele... onde está a sua grandeza? Quem conhece ele? Veja só. Ele está fazendo um plano para declarar a si mesmo uma grande personalidade... (Tirtha Maharaja) tem muita inveja de nós... estes patifes podem criar problemas.”
(Srila Prabhupada, conversa no quarto, 19/01/76, Mayapur)

Acaryas fidedignos jamais poderiam ser descritos como patifes invejosos que apenas querem causar problemas. Infelizmente, mesmo hoje em dia, alguns dos membros da Gaudiya Math ainda causam problemas. Respeito à distância é a política mais segura.

21) “Nós sabemos que os acaryas fidedignos não têm que ser tão avançados, porque algumas vezes eles caem.”

Srila Prabhupada afirma precisamente o oposto:

“Um mestre espiritual fidedigno está na sucessão discipular eternamente e ele não se desvia de forma alguma das instruções do Senhor Supremo”.
(B.gita, 4.42, comentário).

22) “Mas acaryas anteriores inclusive descrevem o que alguém deve fazer quando o mestre espiritual se desvia”.

Aqueles gurus que se desviaram como descrito, por definição nunca poderiam ter sido membros de uma sucessão discipular eterna. Ao contrário, eles não eram liberados, mas apenas membros de famílias de sacerdotes autorizados por si mesmos, apresentando-se como acaryas iniciadores. Membros fidedignos da sucessão discipular nunca se desviam:

“Deus é sempre Deus, guru é sempre guru.
(A ciência da auto-realização, cap. 2)

“Bem, se ele é mau, como ele pode se tornar guru?”
(A ciência da auto-realização, cap. 2)

“O devoto puro está sempre livre das garras de Maya e de sua influência”.
(S.B., 5.3.14)

“Não há possibilidade de que um devoto de primeira classe caia.”
(C.C., Madhya, 22.71)

“Um mestre espiritual é sempre liberado.”
(Srila Prabhupada, carta para Tamal Krishna, 21/06/70)

Não há um único exemplo nos livros de Srila Prabhupada de um diksa-guru formalmente autorizado em nossa sucessão discipular que alguma vez tenha se desviado do caminho do serviço devocional. A rejeição de Sukracarya é algumas vezes utilizada para validar o ponto de vista de que acaryas caem ou podem ser rejeitados, mas este exemplo é altamente enganoso, uma vez que ele jamais foi um membro autorizado na nossa sucessão discipular. O passatempo do Senhor Brahma com sua filha é às vezes mencionado. Mesmo assim, está claramente afirmado no Srimad Bhagavatam que estes incidentes ocorreram antes que o Senhor Brahma se tornasse o líder de nossa sampradaya. De fato, quando o discípulo Nitai se referiu a este passatempo como exemplo de que um acarya pode cair, Srila Prabhupada ficou muito descontente.

Aksayananda: Recentemente um devote me disse que o acarya não precisa ser um devoto puro. [....]

Prabhupada: Quem é esse patife? [...]

Aksayananda: Ele disse isso. Nitai disse isso. Ele disse isso neste contexto, que Brahma é o acarya na Brahma-sampradaya, mas ainda assim ele às vezes é aflingido pela paixão.Por isso ele está dizendo que parece que o acarya não precisa ser um devoto puro. Então não parece correto. [...]

Prabhupada: Ele inventou sua própria idéia. Por isso ele é um patife. Por isso ele é um patife. Nitai se tornou uma autoridade? [...] Ele pensou alguma patifaria e está expressando isso. Por isso ele é mais patife. Essas coisas estão acontecendo.
(Conversa matinal, Vrindavan, 10-12-75)

De acordo com Srila Prabhupada, apenas gurus desautorizados podem ser levados por opulência e mulheres.

Apesar de gurus que se desviam não serem mencionados nos livros de Srila Prabhupada, o livro do GBC GII possui toda uma seção sobre o que o discípulo deve fazer quando seu guru, previamente fidedigno, se desvia. O capítulo inicia enfatizando a importância de se aproximar de um elo corrente, e não “saltar sobre” (GII, pg. 27). Porém, os autores fazem precisamente isso citando numerosos acaryas anteriores com a intenção de estabelecer princípios jamais ensinados por Srila Prabhupada. Os gurus descritos por aqueles acaryas anteriores jamais poderiam ter sido membros fidedignos do parampara:

“Narada Muni, Haridasa Thakura e outros acaryas semelhantes especialmente autorizados para propagar as glórias do Senhor não podem ser rebaixados à plataforma material”
(S.B., 7.7.14, comentário).

O perigo de “saltar sobre” na maneira feita no texto GII está claramente demonstrado no capítulo sobre “re-iniciação” (em si mesmo um termo jamais usado por Srila Prabhupada nem sequer uma vez, nem por qualquer acarya anterior). Na seção de perguntas e respostas (GII, pg. 35, pergunta 4), as condições sobre as quais alguém possa rejeitar um guru e tomar “re-iniciação” são descrita. A “explicação” segue:

“Felizmente, o ponto crucial deste tema foi esclarecido por Srila Bhaktivinoda Thakura em seu Jaiva Dharma e por Srila Jiva Goswami em seu Bhakti Sandarbha (GII, pg.35).

A palavra “felizmente” ao contrário infelizmente implica que “uma vez que Srila Prabhupada nunca nos disse o que fazer quando um guru se desvia, é justo que nós possamos saltar sobre ele e recorrer a todos estes acaryas anteriores”. Porém, Srila Prabhupada nos disse que tudo que precisamos saber sobre vida espiritual está em seus livros. Por que nós estamos introduzindo sistemas que nunca foram mencionados pelo nosso mestre acarya?

23) “Mas o que está errado em consultar acaryas anteriores?”

Nada, enquanto não se tenha a intenção de utilizá-los para adicionar novos princípios que não foram mencionados pelo nosso próprio acarya. A idéia de que um guru fidedigno pode se desviar é totalmente estranha a qualquer coisa que Srila Prabhupada tenha ensinado. Todos os problemas sobre “a origem da jiva” resultam desta propensão de saltar sobre:

“... nós devemos ver os acaryas anteriores através de Prabhupada. Nós não podemos pular sobre Prabhupada e então olhar para trás através dos olhos dos acaryas anteriores”.
(Our original Position, pg. 163, GBC Press).

Como é possível que adotar princípios filosóficos inteiramente novos jamais mencionados por Srila Prabhupada seja a mesma coisa que ver “os acaryas anteriores através de Prabhupada”?

Mesmo se a interpretação do GBC em GII sobre os textos de acaryas anteriores estivesse correta nós mesmo assim não poderíamos usá-la para modificar ou adicionar algo aos ensinamentos de Srila Prabhupada. Isso está claramente explicado em dois versos no livro Sri Krishna Bhajanamrta de Srila Narahari Sarakara. O texto GII deveria ter mencionado estes versos como um aviso, uma vez que apóia suas teses com outros versos deste mesmo livro:

Verso 48:

“Um discípulo pode escutar alguma instrução de outro vaisnava avançado, mas após obter aquela boa instrução ele deverá trazê-la e apresentá-la ao seu próprio mestre espiritual. Após apresentá-la ele deverá escutar os mesmos ensinamentos novamente do seu mestre espiritual com instruções apropriadas”.

Verso 49:

“... um discípulo que escuta as palavras de outros vaisnavas, mesmo que suas instruções sejam apropriadas e verdadeiras, mas não re-confirma aqueles ensinamentos com seu próprio mestre espiritual e em vez disso aceita direta e pessoalmente aquelas instruções é considerado um mau discípulo e pecador”.

Nós humildemente sugerimos pelo interesse da vida espiritual de todos os membros da ISKCON que o livro GII deve ser revisado de modo harmônico com a injunção acima.

25) “Assim que os discípulos de Srila Prabhupada alcançarem a perfeição, o sistema Ritvik se tornará redundante”.

Algumas vezes referida como “soft (suave) Ritvik”, a injunção acima se baseia na premissa de que o sistema Ritvik foi estabelecido somente porque antes da partida de Srila Prabhupada não havia discípulos qualificados.

Contudo, esta premissa é uma especulação, uma vez que ela jamais foi expressa por Srila Prabhupada. Não há evidência de que o sistema Ritvik tenha sido estabelecido apenas o devido à falta de pessoas qualificadas, e que uma vez que haja uma pessoa qualificada nós devemos parar de seguir esse sistema. Esta noção causa o desafortunado efeito colateral de fazer o sistema Ritvik parecer apenas secundário ou provisório, quando de fato ele é plano perfeito de Krishna. Isso também torna possível que no futuro alguma personalidade inescrupulosa e carismática pare o sistema através de alguma falsa exibição de devoção.

Em teoria, mesmo se houvessem discípulos qualificados, uttama-adhikaris, presentes agora, ainda assim eles teriam que seguir o sistema Ritvik se quisessem permanecer na ISKCON. Não há nenhuma razão porque uma pessoa não seria mais do que feliz em seguir a ordem de Srila Prabhupada, como nós já mencionamos.

Uma possível origem desta concepção errônea pode ser as instruções que Srila Bhaktisiddhanta deixou para a Gaudiya Matha. Srila Prabhupada nos disse que seu Guru-maharaja tinha pedido que houvesse um GBC, e que no devido decurso do tempo um acarya auto-refulgente surgiria. Como nós sabemos, a Gaudiya Matha não seguiu isso, para um catastrófico efeito. Alguns devotos crêem que nós também devemos procurar um acarya auto-refulgente; e que uma vez que ele poderia vir a qualquer momento, o sistema Ritvik é apenas uma medida provisória.

A dificuldade com esta teoria é que as instruções que Srila Bhaktisiddhanta deixou para seus discípulos e aquelas que Srila Prabhupada deixou para nós são diferentes. Srila Prabhupada certamente deixou instruções que o GBC deveria continuar administrando sua Sociedade, mas ele não disse em lugar algum que um futuro acarya auto-refulgente iria surgir para a ISKCON. Em vez disso, ele estabeleceu o sistema Ritvik pelo qual ele permaneceria sendo o acarya dali para frente “henceforward”. Obviamente, como discípulos nós não podemos pular sobre Srila Prabhupada e começar a seguir as ordens de Srila Bhaktisiddhanta.

Se Srila Prabhupada tivesse dado alguma injunção de Krishna que a sua Sociedade em breve seria liderada por um novo acarya, então ele teria feito algumas provisões para isso em suas instruções finais. Em vez disso, ele ordenou que apenas seus livros fossem distribuídos, e que eles seriam a lei para os próximos dez mil anos. O que haveria sobrado para ser feito por um futuro acarya? Srila Prabhupada já havia estabelecido o Movimento que irá realizar cada profecia e objetivo da nossa sucessão discipular por toda a duração do Movimento de Sankirtana.

Como será possível para um novo auto-refulgente diksa-guru surgir dentro da ISKCON, quando a única pessoa permitida a dar diksa é Srila Prabhupada?

Alguns argumentam que os acaryas têm o poder de mudar as coisas, e assim um novo acarya poderia alterar o sistema Ritvik dentro da ISKCON. Mas iria um acarya autorizado alguma vez contradizer as ordens diretas deixadas pelo acarya anterior para seus seguidores? Com certeza fazer isso seria arruinar a autoridade do acarya anterior. Isso certamente causaria confusão e perplexidade ara aqueles seguidores que tivessem que encarar a tortuosa escolha de qual ordem seguir.

Todas estas tais preocupações se dissolvem quando nós lemos a ordem final. Simplesmente não há menção de uma injunção sobre “soft (suave)” Ritvik. A carta apenas diz “henceforward”, daqui para frente. Assim, dizer que isso irá terminar com o surgimento de um novo acarya, ou discípulo perfeito, é uma especulativa superimposição sobre um pedido perfeitamente claro. A carta apóia somente o entendimento de “hard (rígido)” Ritvik, ou seja., que:

“Srila Prabhupada será o iniciador dentro da ISKCON enquanto a Sociedade existir”.

Este entendimento é consistente com a idéia que Srila Prabhupada sozinho já havia obtido sucesso em sua missão (por favor veja a objeção relacionada, nº 8: “você está dizendo que Srila Prabhupada não fez devotos puros?”)

Às vezes é afirmado que uma vez que a carta do dia 9 de julho apenas autorizou 11 Ritviks originais, o sistema deverá parar assim que as 11 pessoas nomeadas morrerem ou se desviarem.

Este argumento é um tanto extremista. Afinal de contas, a carta do dia 9 de julho não diz que apenas Srila Prabhupada pode escolher Ritviks, ou que a lista de Ritviks atuantes jamais possa ter adições. Existem outros sistemas de administração estabelecidos por Srila Prabhupada, tal como o GBC, onde membros são livremente adicionados ou subtraídos quando se sinta que isso é necessário. É ilógico isolar um sistema de administração e tratá-lo de modo inteiramente diferente de outros que são igualmente importantes. Isso é particularmente verdade porque Srila Prabhupada jamais nunca sequer indicou que o modo de manter o sistema Ritvik deveria ser de alguma forma diferente da manutenção dos outros sistemas que ele pessoalmente estabeleceu.

Este argumento se tornou popular, então nós convidamos o leitor a considerar os seguintes pontos:

1) Nas transcrições da conversa em Topanga Canyon, Tamal Krishna Goswami relata a seguinte pergunta que ele fizera enquanto preparava-se para datilografar a lista de Ritviks selecionados:

Tamal Krishna:

“Srila Prabhupada, isso é tudo ou o senhor deseja adicionar mais?”

Srila Prabhupada:

“Na medida do necessário, outros podem ser adicionados.”
(confissões na Pyramid House, Topanga Canyon, 3/12/80)

Certamente, se alguns ou todos os Ritviks morrerem ou se desviarem seriamente, se deve avaliar uma circunstância “necessária” para mais Ritviks serem adicionados.

2)A carta do dia 9 de julho define Ritvik como “representante do acarya”. Está perfeitamente dentro da alçada do GBC selecionar ou remover qualquer um para representar Srila Prabhupada, sejam eles sannyasis, presidentes de templo ou mesmo os próprios representantes do GBC . Atualmente, eles aprovam diksa-gurus que são supostamente os representantes diretos do próprio Senhor Supremo. Assim estaria facilmente dentro de sua capacidade selecionar novos sacerdotes para dar nomes e atuar responsavelmente em nome de Srila Prabhupada

3)A carta do dia 9 de julho mostra que a intenção de Srila Prabhupada era que o sistemaRitvik fosse aplicado dali para frente “henceforward”. Srila Prabhupada fez o GBC a última autoridade administrativa com o motivo de que mantivessem e regulassem todos os sistemas que ele estabeleceu. O sistema Ritvik foi o seu sistema para a manutenção das iniciações. É o trabalho do GBC manter este sistema, adicionando ou subtraindo o pessoal, da mesma maneira que fazem em outras áreas nas quais eles estão autorizados a dirigir.

4)As cartas assinadas no dia 9, 11 e 21 de julho indicam que a lista poderia ser aumentada com o uso de tais frases como: “até aqui”, “por hora”, “lista inicial”, etc. Portanto, um mecanismo para adicionar mais Ritviks deve ter sido estabelecido, ainda que isso ainda esteja por ser exercido.

5)Ao tentar entender uma instrução, deve-se naturalmente considerar o propósito por trás dela. A carta afirma que Srila Prabhupada apontou “alguns dos discípulos seniores para atuar como ‘Ritviks’ – representantes do acarya- com o propósito de executar iniciações...”, e que naquele momento Srila Prabhupada tinha “até agora” dado onze nomes. A meta de um discípulo obediente é entender e satisfazer o propósito do sistema. O objetivo da ordem final claramente não era restringir todas as iniciações futuras a um grupo de indivíduos de “elite” (‘alguns... até agora’) que com o tempo morreriam e assim acabaria o processo de iniciação dentro da ISKCON. Ao contrário, o propósito era assegurar que as iniciações continuassem de um modo prático desde então. Portanto este sistema deve permanecer em vigor enquanto houver necessidade de iniciações. Assim, a adição de mais “discípulos seniores” para atuar como “representantes do acarya”, quando e como seja necessário, asseguraria que o propósito deste sistema continue a ser satisfeito.

6)Tomado junto com o testamento de Srila Prabhupada (o qual indica que todos os futuros diretores para as propriedades permanentes na Índia poderiam somente ser selecionados entre seus “discípulos iniciados”), está perfeitamente claro que a intenção de Srila Prabhupada era que o sistema andasse indefinidamente, com o GBC simplesmente administrando a coisa toda.

Tendo dito isso, é sempre possível que Srila Prabhupada pudesse revogar esta ordem se ele o desejasse. Como afirmamos anteriormente, a contra-instrução teria que ser pelo menos tão clara e inequívoca como a carta assinada pessoalmente, a qual coloca o sistema Ritvik em primeiro lugar. Com Krishna e seus devotos puros qualquer coisa é possível:

Repórter do Newsday:

“Agora o senhor é o líder e o Mestre Espiritual. Quem irá tomar o seu lugar?”

Srila Prabhupada:

“Isso será Krishna que irá dizer, quem irá tomar o meu lugar.”(entrevista, 14-07-76, Nova Iorque)

Portanto, cremos ser mais seguro seguir as instruções que recebemos de nosso acarya em vez de especular sobre algum acarya que possa vir ou não no futuro, ou pior que isso, inventar o nosso próprio.

30) “Srila Prabhupada colocou o GBC na cabeça da Sociedade para administrar tudo e essa é a forma que eles escolheram para as iniciações”.

·Srila Prabhupada jamais autorizou o GBC a mudar qualquer sistema de administração que ele tenha estabelecido pessoalmente:

“Resolvido: o GBC (Comissão do Corpo Governante) foi estabelecido por Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada para representá-lo em executar a responsabilidade da administração da Sociedade Internacional da Consciência de Krishna, da qual ele é o fundador- acarya e a autoridade suprema. O GBC aceita como vida e alma as suas divinas instruções e reconhece que é completamente dependente de sua misericórdia em todos os aspectos. O GBC não tem outra função ou propósito senão executar as instruções assim bondosamente dadas por Sua Divina Graça, preservar e difundir seus ensinamentos para o mundo na sua forma pura”.
(Definição do GBC, resolução 1, notas do GBC , 1975)

“O sistema de administração irá continuar como é agora e não há necessidade de mudar nada.”
(Testamento de Srila Prabhupada, 4 de junho de 1977)

·O sistema Ritvik foi a forma escolhida para administrar as iniciações dentro da ISKCON. O trabalho do GBC é para garantir seu fluxo, não pará-lo e iniciar seu próprio sistema desenvolvendo sua própria filosofia:

“Eu já dei os padrões para vocês, agora tentem mantê-los o tempo todo sob procedimento padrão. Não tentem inovar, criar ou inventar algo; isso irá arruinar tudo.”

(Srila Prabhupada, carta para Bali Mardan e Pusta Krishna, 18/09/72)

“Agora eu estabeleci o GBC para manter o padrão de nossa Sociedade para a Consciência de Krishna, então mantenha o GBC bem vigilante. Eu já dei para vocês plenas instruções em meus livros”.

(Srila Prabhupada, carta para Satsvarupa, 13/09/70)

“Eu apontei originalmente 12 membros do GBC e dei a eles 12 zonas para sua administração, mas apenas por acordo vocês mudaram tudo, então eu não sei o quê é isso”.

(Srila Prabhupada, carta para Rupanuga, 04-04-72)

“O que irá acontecer quando eu não estiver aqui, será tudo estragado pelo GBC?”

(Srila Prabhupada, carta para Hamsaduta, 11/04/72)

O GBC deve atuar somente dentro dos parâmetros que foram estabelecidos por Srila Prabhupada. Causa-nos dor ver o corpo representante de Srila Prabhupada comprometido de alguma forma, já que era o seu desejo que todos cooperassem sob sua direção.

Vamos todos cooperar sob a instrução da ordem final de Srila Prabhupada.

CONCLUSÃO

Nós esperamos que o leitor agora tenha apreciação mais profunda pela importante ordem final de Srila Prabhupada sobre o futuro das iniciações dentro da ISKCON. Nós pedimos desculpas se em qualquer parte de nossa apresentação tenhamos ofendido a alguém; essa não foi nossa intenção; então por favor perdoem nossas imperfeições.

Nós começamos este texto enfatizando que estamos seguros de que se quaisquer erros foram cometidos, eles não foram propositais, e portanto não seria necessário perseguir ou utilizar energia desnecessária para culpar alguém. É um fato que quando o acarya parte, automaticamente vem alguma confusão. Quando consideramos que o Movimento está destinado a continuar pelo menos por mais 9.500 anos, dezenove anos de confusão de fato é muito pouco tempo. Agora é tempo de assimilar o que foi feito de errado, aprender com os erros e então colocar nosso passado para trás, e trabalharmos juntos para construir uma ISKCON melhor.

Pode ser considerado necessário iniciar o sistema Ritvik de um modo suave, talvez em fases. Talvez ele possa até mesmo correr ao mesmo tempo com o M.A.S.S. por um curto período de tempo pré-especificado a fim de não criar tensão desnecessária e perturbação. Tais pontos necessitarão de cuidadosa consideração e discussão. Tão logo nossa meta seja restabelecer a ordem final de Srila Prabhupada, então dentro disso deve haver suficiente espaço para tratar-se cuidadosamente com os sentimentos de cada um. Nós devemos tratar os devotos com cuidado e consideração, permitindo-os tempo para que se ajustem. Se um programa extensivo puder ser introduzido, pelo qual os ensinamentos e instruções Srila Prabhupada sobre o guru e iniciação forem apresentados sistematicamente, nós estamos confiantes que tudo poderá restabelecer-se muito rapidamente e com um mínimo de perturbação e indisposição.

Uma vez que se chegue ao consenso que o sistema Ritvik é o caminho a seguir, haverá a necessidade de um período para refrescar e deixar a inimizade que foi construída em ambos os lados dissipar-se. Deverão ser organizados retiros onde ambos os lados possam unir-se e se tornar amigos. Infelizmente, existe uma considerável imaturidade no momento atual, tanto da parte dos que defendem o sistema Ritvik quanto dos demais. No que nos diz respeito, certamente não cremos que se tivéssemos sido discípulos antigos no momento da partida de Srila Prabhupada teríamos agido de um modo diferente ou melhor. Provavelmente teríamos feito tudo ainda pior.

Em nossa experiência, muitos devotos na ISKCON, mesmo os mais antigos, jamais tiveram a chance de examinar de perto a matéria sobre o sistema Ritvik em detalhes. Infelizmente, a forma como a literatura Ritvik é exposta é suficiente para decepcionar a qualquer um, uma vez que está cheia de ataques pessoais e muito pouco de filosofia. A melhor solução que podemos ver é que o GBC resolva este assunto por si mesmo. Com a informação correta diante deles nós estamos confiantes de que tudo será devida e corretamente ajustado com o tempo. Isso certamente seria mais desejável do que estar constantemente pressionado por um bando de devotos amargurados e decepcionados para que haja mudanças, alguns dos quais podem ter motivações pessoais completamente desalinhadas com a ordem final de Srila Prabhupada.

Certamente, nós também estamos sujeitos aos quatro defeitos, e assim calorosamente damos boas vindas a quaisquer comentários ou críticas. Nossa maior esperança ao escrever este livreto é que a discussão por ele inspirada possa de algum modo levar à solução de uma das mais difíceis e prolongadas controvérsias na ISKCON desde a partida de Sua Divina Graça. Por favor perdoem nossas ofensas. Todas as glórias a Srila Prabhupada.

Apenas Srila Prabhupada pode nos unir!

O que é um Ritvik?

Os Ritviks são freqüentemente definidos de um ou dois modos incorretos:

1)Como sacerdotes insignificantes, meros funcionários que simplesmente distribuem nomes espirituais de forma robotizada.

2)Como diksa-gurus aprendizes que estão atuando como Ritviks apenas até que eles estejam plenamente qualificados, quando eles iniciarão por conta própria.

Nós iremos comparar estas definições com o papel de um Ritvik, como foi dado por Srila Prabhupada.

Considerando primeiro a definição 1): o posto de Ritvik é uma posição de grande responsabilidade. Isso deve ser óbvio, uma vez que Srila Prabhupada especificamente escolheu 11 devotos quem tinham demonstrado serem capazes de tomar responsabilidades maduras dentro de sua Missão. Não é que ele simplesmente retirou os nomes de dentro de um chapéu. Assim, ainda que a maior parte de sua função fosse somente de rotina, eles deveriam ser os primeiros a identificar desvios dos padrões estritos necessários para iniciação. Assim como o trabalho de um policial geralmente é rotina, uma vez que a maioria dos cidadãos obedecem a lei, ainda assim ele frequentemente será é a primeira pessoa a saber quando algum delito está sendo cometido. Srila Prabhupada muitas vezes expressou a preocupação que as iniciações deveriam apenas acontecer quando um estudante fosse testado por pelo menos uns seis meses, e que pudesse cantar 16 voltas por dia, seguisse os quatro princípios regulativos, lesse seus livros, etc. Se um presidente do templo começasse a enviar a um Ritvik recomendações para estudantes que tivessem falhado em alguma destas áreas essenciais, o Ritvik teria poder para recusar a iniciação. Deste modo, o Ritvik asseguraria que os padrões dentro da ISKCON manteriam-se os mesmos como no dia em que Srila Prabhupada deixou o planeta.

Certamente um Ritvik pessoalmente teria que seguir de forma estrita, e por conseguinte ser um siksa-guru qualificado. O fato de que o Ritvik teria ou não uma relação de siksa com a pessoa que se inicia é um assunto separado. Ele poderia ou não. Para um devoto que aceita esta posição, seu ministério como Ritvik é separado e distinto do seu ministério como siksa-guru, apesar de que algumas vezes os dois sobreponham-se. Quando Srila Prabhupada estava presente, os novos iniciados nem sequer precisavam necessariamente encontrar-se com o Ritvik atuando na sua zona. Freqüentemente a cerimônia de iniciação deveria ser executada pelo presidente de templo e o nome do iniciado chegava pelo correio, enviado pelo Ritvik designado. Porém, ao mesmo tempo não podemos ver nenhuma razão pela qual um Ritvik não possa conhecer os novos iniciados, e inclusive executar a cerimônia, se tal arranjo for adequado ao nível do templo local.

Agora examinaremos a definição 2). Como já mencionamos muitas vezes, a fim de aceitar discípulos, alguém deve ser um maha-bhagavata plenamente autorizado. Antes que Srila Prabhupada partisse, ele estabeleceu um sistema no qual qualquer um que iniciasse na ISKCON além dele mesmo seria ilegal. Assim, não houve autorização para ninguém, em momento algum no futuro da ISKCON, para dar iniciação em seu próprio nome em vez de no nome de Srila Prabhupada. Desta forma, mesmo se um Ritvik, ou de fato qualquer outra pessoa, alcançasse o nível de um maha-bhagavata, ele ainda assim teria que seguir o sistema Ritvik se ele desejasse permanecer dentro da ISKCON. Srila Prabhupada nos deu uma ordem no dia 9 de julho, e ela não diz nada sobre Ritviks tornarem-se diksa-gurus.

O que ele faz e como ele é selecionado?

a) O Ritvik aceita o discípulo, dá um nome espiritual para o novo iniciado, canta nas contas, e para a segunda iniciação dá o Mantra Gayatri – tudo em nome de Srila Prabhupada (por favor leia a carta do dia 9 de julho no apêndice). Este foi o método que Srila Prabhupada escolheu para ter devotos responsáveis supervisando o processo de iniciação e o padrão dentro da ISKCON. O Ritvik irá examinar todas as recomendações enviadas pelos presidentes de templos para garantir-se que o futuro discípulo possui o padrão requerido para a prática devocional.
b) Um Ritvik é um sacerdote e assim deve ser um brahmana qualificado. Quando selecionou os Ritviks, Srila Prabhupada primeiramente sugeriu os “sannyasis seniores”, apesar de ele também ter escolhido pessoas que não eram sannyasis (por favor veja a conversação do dia 7 de julho no apêndice). Os Ritviks escolhidos eram homens seniores responsáveis para garantir que o processo de iniciação continuasse sem percalços através do mundo todo.
c) Os futuros Ritviks podem ser selecionados pelo GBC. O método no qual os Ritviks seriam selecionados, repreendidos ou dispensados seria praticamente idêntico ao método no qual os diksa-gurus são correntemente administrados pelo GBC dentro da ISKCON. Isso está definitivamente dentro do âmbito do poder concedido ao GBC por Srila Prabhupada, uma vez que eles têm a autoridade de selecionar e examinar muitas pessoas seniores como os sannyasis, administradores, secretários regionais, etc. Que mais Ritviks poderiam ser adicionados pelo GBC foi também admitido por Tamal Krishna Goswami na conversa em “Topanga Canyon”. (por favor veja o apêndice)

Então, em resumo, o sistema funcionaria exatamente como quando Srila Prabhupada estava no planeta. O modo, a atitude, o relacionamento entre as diversas partes, etc., irá continuar sem mudanças, tal como foi por um breve período de quatro meses em 1977. Como Srila Prabhupada disse enfaticamente no segundo parágrafo do seu testamento:

“O sistema de administração irá continuar como é agora, e não há necessidade de nenhuma mudança”.

O guru deve estar fisicamente presente?

“A presença física não é importante. A presença do som transcendental recebido do mestre espiritual deve ser a orientação para a vida. Que você faça a sua vida espiritual um sucesso. Se você sentir muito fortemente a minha ausência você pode colocar uma foto minha no meu assento e isso será uma fonte de inspiração para você”.
(SP carta para Brahmananda e outros estudantes, 19/01/67)

“Mas sempre se lembre que eu estou sempre com você. Como você está sempre pensando em mim, eu também estou sempre pensando em você. Apesar de não estarmos fisicamente juntos, nós não estamos separados espiritualmente. Então nós devemos sempre nos preocupar unicamente com esta conexão espiritual”.
(SP carta para Gaurasundara, 13/11/69)

“Então nós devemos nos associar pela vibração, e não pela presença física. Esta é a verdadeira associação”.
(SP aula do S. Bhagavatam, 18/08/68)

“Há dois conceitos: o conceito físico e o conceito vibracional. O conceito físico é temporário; o conceito vibracional é eterno (...) Quando nós sentimos separação de Krishna ou do Mestre Espiritual nós devemos apenas tentar nos lembrar de suas palavras ou instruções, e não sentiremos mais separação. Tal associação com Krishna e com o Mestre Espiritual deve ser uma associação pela vibração, não pela presença física. Está a verdadeira associação”.
(Elevação à Consciência de Krishna,
capítulo 4)

“Embora, de acordo com a visão material, Sua Divina Graça Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura Prabhupada deixou este mundo material no último dia de dezembro de 1936, ainda assim eu considero Sua Divina Graça estando sempre presente comigo pelo seu vani, suas palavras. Há dois modos de associação: por vani ou por vapuh. Vani significa palavras e vapuh significa presença física. A presença física é algumas vezes perceptível e algumas vezes não, mas vani continua a existir eternamente. Portanto, deve-se obter benefício de vani, não da presença física.”
(C.C., Antya, 5, conclusão)

“Portanto, nós devemos obter benefício de vani, não da presença física.”
(SP carta para Suci Devi Dasi, 4/11/77)

“Eu irei sempre permanecer como seu guia pessoal, esteja presente fisicamente ou não; assim como estou sempre recebendo a orientação de meu Guru Maharaja”.
(SP conversa, Vrindavana, 14/07/77)

“Algumas vezes é mal-entendido que se alguém está engajado em serviço devocional ele não será capaz de resolver o problema econômico. Para responder a este argumento, é descrito aqui que devemos associar-nos com pessoas liberadas, não direta e fisicamente, mas pelo entendimento dos problemas da vida através de filosofia e lógica”.
(SP SB, 3.31.48, comentário)

“Eu sempre estou com você. Não importa se eu estou fisicamente ausente”.
(SP carta para Jayananda, 16/09/67)

Paramananda:

Nós estamos sempre sentido fortemente a sua presença, Srila Prabhupada, simplesmente por suas instruções e seus ensinamentos. Nós estamos sempre meditando nos seus ensinamentos.

Srila Prabhupada:

Obrigado. Esta é a verdadeira presença. A presença física não é importante.
(SP conversação, Vrindavana, 6/10/77)

“Você me escreveu que tem vontade de ter a minha associação, mas por que você se esquece de que você está sempre em associação comigo? Quando você está ajudando na minha atividade missionária eu estou sempre pensando em você, e você está sempre pensando em mim. Esta é a verdadeira associação. Assim como eu sempre estou pensando em meu Guru Maharaja a cada momento, apesar de ele não estar presente fisicamente, e porque eu estou tentando o melhor que posso para servi-lo, eu estou certo de que ele está me ajudando com suas bênçãos espirituais. Então, aqui tem dois tipos de associação: física e preceptoral. A associação física não é tão importante quanto a associação preceptoral”.
(SP carta para Govinda Dasi, 18/08/69)

“No que diz respeito às minhas bênçãos, a minha presença física não é necessária. Se você está cantando Hare Krishna aí, e seguindo minhas instruções, lendo os livros, comendo apenas Krishna Prasadam, etc., então está fora de questão não receber as bênçãos do Senhor Caitanya, cuja missão eu estou humildemente tentando levar adiante”.
(SP carta para Bala Krishna, 30/06/74)

“Qualquer um que tenha desenvolvido fé inabalável no Senhor e no Mestre Espiritual pode entender as escrituras reveladas, que se abrirão diante dele. Então, continue com a sua atitude presente e você irá ter sucesso no seu progresso espiritual. Eu estou certo que mesmo se não estiver fisicamente presente diante de você, ainda assim você será capaz de executar todos os deveres espirituais da Consciência de Krishna, se você seguir os princípios acima”.
(SP carta para Subala, 29//09/67)

“Então, apesar do corpo físico não estar presente, a vibração deve ser aceita como a presença do Mestre Espiritual; vibração. O que nós ouvimos do Mestre Espiritual, isso está vivo.”
(SP carta, 13/01/69, LA)

Devoto:

“... então algumas vezes o Mestre Espiritual está distante. Ele pode estar em Los Angeles. Alguém está vindo ao templo de Hamburgo. Ele pensa: “como o Mestre espiritual será agradado?”

Srila Prabhupada:

“apenas siga a sua ordem, o Mestre Espiritual está junto com você pelas Suas palavras. Assim como meu Mestre Espiritual não está fisicamente presente, mas eu estou em associação com ele pelas Suas palavras”.
(
SP palestra, 18/08/71)

“Assim como eu estou trabalhando, então meu Guru Maharaja está aqui, Bhaktisiddhanta Saraswati. Fisicamente ele pode não estar, mas em cada ação ele está aqui.”
(SP Conversa, Vrindavana, 02/05/77)

“Então, isso é chamado prakata, fisicamente presente. E há outra fase, é chamada aprakata, ausente fisicamente. Mas isso não significa que Krishna ou Deus está morto. Este não é o significado, prakata ou aprakata, fisicamente presente ou não, isso não importa.”
(Palestra, 11/12/73, LA)

“Assim, espiritualmente separação está fora de questão, mesmo fisicamente nós podemos estar em locais distantes.”
(SP Carta para Syama Dasi, 30/08/68)

“Eu fui até o seu país difundir esta informação da Consciência de Krishna, e você está me ajudando em minha missão, apesar de eu não estar fisicamente presente, mas espiritualmente eu sempre estou com você”.
(SP Carta para Nandarani, Krishna e Subala, 3/10/67)

“Na realidade nós não estamos separados. Há dois tipos: vani ou vapuh, então vapuh é a presença física, e vani a presença vibracional, mas são a mesma coisa.”
(SP Carta para Hamsadutta, 22/06/70)

“Assim, na ausência física do Mestre Espiritual, vani-seva é mais importante. Meu Mestre Espiritual, Sarasvati Goswami, pode aparecer ausente fisicamente, mas apesar disso eu tento servir as suas instruções; eu jamais me sinto separado dele”.
(SP Carta para Karandhara, 22/08/70)

“Eu também não sinto separação de meu Guru Maharaja. Quando estou engajado no seu serviço, suas fotos me dão força suficiente. Servir as palavras do Mestre Espiritual é mais importante do que servi-lo fisicamente”.
(SP Carta para Syamasundara, 19/07/70)

Siga as instruções, não o corpo

“No que diz respeito à associação pessoal com o guru, eu estive com Guru Maharaja umas 4 ou 5 vezes, mas eu nunca abandonei a sua associação, nem mesmo por um momento. Porque eu estou seguindo suas instruções, eu jamais senti separação. Há alguns de meus irmãos espirituais aqui na Índia que tinham constante associação espiritual com Guru Maharaja, mas estão negligenciando suas ordens. É assim como um percevejo sentado no colo do rei. Ele talvez esteja muito inflado pela sua posição, mas tudo o que pode fazer é picar o rei. Associação pessoal não é tão importante quanto associação através do serviço”.
(SP carta para Satyadhana, 20/02/72)

“Então, espiritualmente aparecimento ou desaparecimento, não há diferença... espiritualmente não há diferença, aparecimento ou desaparecimento. Apesar de que hoje é o dia do desaparecimento de Om Visnupada Sri Srimad Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura, não há nada para ser lamentado, apesar de sentirmos separação”.
(SP palestra, Los Angeles, 13/12/73)

“Assim, Meu Guru Maharaja será muito, muito satisfeito com você... não é que ele tenha morrido e se foi. Isso não é um entendimento espiritual... ele está vendo. Eu jamais me senti sozinho”.
(SP palestra, 2/03/75)

Vani é mais importante do que vapuh”.
(SP carta para Tusta Krishna Das, 14/12/72)

“Sim, eu estou muito feliz que seu centro está indo muito bem e que todos os devotos estão apreciando a presença do Mestre Espiritual seguindo as suas instruções, apesar de ele não estar fisicamente presente. Este é o espírito correto”.
(SP carta para Karandhara, 13/09/70)

“Por suas palavras, o Mestre Espiritual pode penetrar dentro do coração da pessoa sofredora e injetar o conhecimento transcendental, que sozinho pode extinguir o fogo da existência material”.
(SB, 1.7.22, comentário)

“Há duas palavras: vani e vapuh. Vani significa palavras, e vapuh significa o corpo físico. Vapuh irá ter um fim, Este corpo material terá um fim, esta é a natureza. Mas se nós permanecemos com vani, as palavras do mestre espiritual, então permanecemos muitos firmes... se você se mantiver sempre intacto, em ligação com as palavras e instruções elevadas, então você estará sempre novo. Isto é entendimento espiritual”.
(SP palestra, 02/03/75)

“Então, nós devemos dar mais ênfase à vibração do som, seja ela de Krishna ou do Mestre Espiritual. Jamais pense que eu estou separado de você; presença por minha mensagem (ou por ouvir) é o verdadeiro toque”.
(SP carta para estudantes, 02 agosto de 1967)

“O recebimento de conhecimento espiritual nunca é bloqueado por qualquer condição material”.
(SB, 7.7.1, comentário)

“A potência do som transcendental nunca é minimizada porque aquele que o vibrou está aparentemente ausente”.
(SB, 2.9.8, comentário)

“O discípulo e o Mestre Espiritual jamais estão separados porque o Mestre Espiritual sempre está na companhia de seu discípulo enquanto o discípulo seguir estritamente as instruções do mestre Espiritual. Isso é chamado de associação por vani. A presença física é chamada vapuh. Enquanto o Mestre Espiritual estiver presente, o discípulo deve servir o corpo físico do Mestre Espiritual, e quando o Mestre espiritual não mais estiver fisicamente presente, o discípulo deve servir as instruções do Mestre Espiritual”.
(SB, 4.28.47, comentário)

“Se não há oportunidade para servir o mestre espiritual diretamente, o devoto deve servi-lo lembrando-se de suas instruções. Não há diferença entre as instruções do mestre espiritual e o próprio mestre espiritual. Portanto, na sua ausência, suas palavras de instrução devem ser o orgulho do discípulo”.
(C.C., Adi. 1.35, comentário)

“Ele vive para sempre pelas suas instruções divinas, e os seguidores vivem com ele”.
(SB, prefácio)

“Raciocina mal quem diz que vaishnavas morrem, pois vós ainda viveis no som”.
(Bhaktivinoda Thakura)

“Sim, o êxtase da separação do mestre espiritual é um êxtase ainda maior do que encontrar-se com ele”.(SP carta para Jadurani, 13/01/68)

“Krishna e seu representante são o mesmo. Similarmente, o mestre espiritual pode estar presente quando quer que o discípulo deseje. O mestre espiritual é o princípio, não no corpo. Assim como a televisão pode ser vista em milhares de lugares pelo dispositivo eletrônico de transmissão de sinais”. (SP carta para Malati, 28/05/68)

“É melhor servir a Krishna e o mestre espiritual em sentimento de separação; algumas vezes há um risco em serviço direto”.
(SP carta para Madhusudana, 31/12/67)

Os Livros são o suficiente

Devoto:

Srila Prabhupada, quando o senhor não mais estiver presente entre nós, como será possível receber instruções? Por exemplo, em questões que possam surgir...

Srila Prabhupada:

Bem, as questões estão respon... as respostas estão em meus livros. (Caminhada matinal, Los Angeles, 13/5/73)

“Portanto, utilize qualquer tempo que você obter para fazer um completo estudo dos meus livros. Então, todas as sua questões serão respondidas”.
(Carta para Upendra, 7/01/76)

“Se for possível ir ao templo, então se beneficie do tempo. Um templo é um local onde é dada a oportunidade para se prestar serviço devocional direto ao Senhor Sri Krishna. Junto com isso, você deve sempre ler os meus livros diariamente, e todas as suas perguntas serão respondidas, e você terá uma base firme da Consciência de Krishna. Deste modo sua vida será perfeita”.
(Carta para Hugo Salemon, 22/11/74)

“Cada um de vocês deve ler regularmente nossos livros, pelo menos duas vezes, pela manhã e ao anoitecer, e automaticamente todas as suas perguntas serão respondidas”.
(Carta para Randhira, 24/01/70)

“Nos meus livros a filosofia da Consciência de Krishna é explicada plenamente, se houver qualquer coisa que vocês não entendam, então simplesmente leiam de novo e de novo. Por ler diariamente, o conhecimento será revelado para vocês, e por este processo, sua vida espiritual irá se desenvolver”. (Carta para Brahmarupa Dasa, 22/11/74)

Srila Prabhupada:

mesmo um momento de associação espiritual com um devoto puro é pleno sucesso!

Revatinanda:

isso se aplica a ler as palavras de um devoto puro?

Srila Prabhupada:

sim.

Revatinanda:

mesmo uma pequena associação com seus livros tem o mesmo efeito?

Srila Prabhupada:

Efeito. Claro, isso requer ambas as coisas. Deve-se estar muito ansioso para receber.
(conversa no quarto, 13/12/70)

“Após 80 anos, ninguém pode esperar viver muito. Minha vida está quase no fim. Então vocês devem levar adiante, e estes livros irão fazer tudo”.
(conversa no quarto, 18/02/76)

Paramahamsa:

minha pergunta é- um devoto puro, quando ele comenta sobre o Bhagavad-gita, alguém que jamais o vê fisicamente, mas ele apenas teve contato com seu comentário, explicação, isso é a mesma coisa?

Srila Prabhupada:

Sim. Você pode associar-se com Krna por ler o Bhagavad-gita. E estas pessoas santas, elas irão dar as explicações e comentários. Então onde está a dificuldade?
(caminhada matinal, Paris, 11/06/74)

“Não há de novo para ser dito. O que quer que eu tinha para dizer, eu já disse em meus livros. Agora vocês devem tentar entender e continuar com os seus esforços. Esteja eu presente ou não, isso não importa”.
(Vrindavana, 17/05/77)

“Se eu partir isso não deve ser causa para lamentação. Eu sempre estarei com vocês através de meus livros e ordens. Eu sempre permanecerei com vocês desta forma”.
(BTG, 13:1-2, dezembro de 1977).

Srila Prabhupada é o nosso guru eterno

Repórter:

O que irá acontecer ao Movimento nos Estados Unidos quando o senhor morrer?

Srila Prabhupada:

Eu jamais morrerei!

Devotos:

Jaya! Haribol! (risadas)

Srila Prabhupada:

Eu viverei para sempre em meus livros e vocês os utilizarão.
(Entrevista em Berkley, 17/07/75)


Senhora indiana:

... o mestre espiritual permanecerá nos guiando depois da morte?

Srila Prabhupada:

Sim, sim. Assim como Krishna está nos guiando, do mesmo modo o mestre espiritual irá nos guiar.
(palestra, 23/09/69)

“A aliança eterna entre o mestre espiritual e o discípulo começa no dia que ele o escuta”.
(Carta para Jadurani, 4/09/72)

“A influência do devoto puro é tal que, se alguém vem associar-se com ele com um pouquinho de fé, ele tem a chance de escutar sobre o Senhor das escrituras autorizadas como o Srimad Bhagavatam e o Bhagavad-gita. Este é o primeiro estágio da associação com o devoto puro.”
(Néctar de Devoção)

“Estes não livros comuns. São cantos gravados; aquele que os lê está escutando”.
(Carta para Rupanuga Das, 19/10/74)

“A respeito do sistema de parampara não há nada para se maravilhar quando se vê grandes espaços de tempo (...) Nós temos que aceitar o acarya proeminente e segui-lo”.
(Carta de Dayananda, 12-4-68)

“Estas grandes almas (membros da sucessão discipular) não são meros corpos luminosos como cometas que aparecem no firmamento e que desaparecem tão logo a sua missão termina. Eles são como muitos sóis brilhando juntos para dar luz e calor à sucessivas gerações. Muito tempo irá rolar, até que eles sejam sucedidos por outros com mentes sublimes, grande beleza e calibre.”
(Bhaktivinoda Thakura)

Narayana:

Então, aqueles discípulos que não têm a oportunidade de ver ou falar com o senhor...

Srila Prabhupada:

Ele estava falando sobre isso, vani ou vapuh. Mesmo se você não ver o seu corpo, você aceita suas palavras, vani.

Narayana:

Mas como eles sabem que estão agradando o senhor?

Srila Prabhupada:

Se você de fato segue as palavras do guru, isso significa que ele está satisfeito. E se você não segue, como ele pode estar satisfeito?

Sudama:

Não somente isso, mas sua misericórdia está espalhada em todos lugares, e se nós nos beneficiarmos, como o senhor nos disse uma vez, então iremos sentir os resultados.

Srila Prabhupada:

Sim.

Jayadvaita:

E se nós tivermos fé no que o Guru diz, então nós faremos isso automaticamente.

Srila Prabhupada:

Sim. Meu Guru-maharaja abandonou o corpo em 1936, e eu iniciei este movimento em 1965, 30 anos depois. Então? Eu estou recebendo a misericórdia do Guru. Isto é vani. Mesmo se o Guru não estiver fisicamente presente, se você seguir vani, então você está recebendo auxílio.

Sudama:

Então separação está fora de questão enquanto o discípulo seguir as instruções do Guru.

Srila Prabhupada:

Não, cakhu-dano-dilo-jei, o que vem depois?

Sudama:

Cakhu-dano-dilo-jei, janme janme prabhu sei.

Srila Prabhupada:

Janme Janme prabhu sei. Então, onde está a separação? Aquele que abre seus olhos, ele é seu prabhu nascimento após nascimento.
(caminhada matinal, 21/07/75, San Francisco)

Madhudvisa:

Existe alguma forma para um cristão alcançar o céu espiritual , sem a ajuda de um mestre espiritual, crendo nas palavras de Jesus Cristo e tentando seguir seus ensinamentos?

Srila Prabhupada:

Eu não compreendo.

Tamal Krishna Goswami:

Pode um cristão nesta era, sem um mestre espiritual, mas lendo a Bíblia, e seguindo as palavras de Jesus, alcançar o...

Srila Prabhupada:

Quando você lê a Bíblia, você segue o mestre espiritual. Como pode você dizer ‘sem mestre espiritual’? Tão logo você leia a Bíblia, isso significa que você está seguindo as instruções do senhor Jesus Cristo, o que significa seguir o mestre espiritual. Então, onde está a chance de estar sem mestre espiritual?

Madhudvisa:

Eu estou me referindo a um mestre espiritual vivo.

Srila Prabhupada:

Mestre espiritual não se trata de... O mestre espiritual é eterno. O mestre espiritual é eterno. Então, a sua pergunta é: “sem um mestre espiritual”. Sem um mestre espiritual você não pode estar em fase alguma da vida. Você pode aceitar este mestre espiritual ou aquele. Isso é outra coisa. Mas você deve aceitar. Como você disse que “lendo a Bíblia”, quando você lê a Bíblia isso quer dizer que você está seguindo o mestre espiritual representado por algum sacerdote ou membro do clero na linha do Senhor Jesus Cristo.
(Srila Prabhupada, Palestra do dia 02-10-68 em Seattle)

“Você perguntou se o Mestre Espiritual permanece no universo até que o discípulo seja transferido para o céu espiritual. A resposta é sim, esta é a regra”.
(Carta para Jayapataka, 11/07/69)

APÊNDICES

Carta para todos G. B. C. e presidentes de templo, 9 de julho de 1977.

ISKCON

Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna

Fundador-acharya, Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

9 de julho de 1977

Para todos G. B. C. e presidentes de templo

Caros Maharajas e Prabhus,

Por favor, aceitem minhas humildes reverências aos seus pés. Recentemente, quando todos os membros do GBC estiveram com Sua Divina Graça em Vrindavana, Srila Prabhupada indicou que em breve Ele iria apontar alguns de Seus discípulos seniores para atuarem como “Ritvik” – representantes do Acharya – com o propósito de executar iniciações, tanto a primeira iniciação como a segunda. Sua Divina Graça até agora forneceu uma lista de onze discípulos que irão atuar nessa função:

His Holiness Kirtanananda Swami

His Holiness Satsvarupa dasa Gosvami

His Holiness Jayapataka Swami

His Holiness Tamala Krishna Gosvami

His Holiness Hrdayananda Gosvami

His Holiness Bhavananda Gosvami

His Holiness Hamsaduta Swami

His Holiness Ramesvara Swami

His Holiness Harikesa Swami

His Grace Bhagavan dasa Adhikari

His Grace Jayatirtha dasa Adhikari

No passado, os presidentes de templo escreviam para Srila Prabhupada recomendando um devoto em particular para iniciação. Agora que Srila Prabhupada nomeou estes representantes, os presidentes de templo devem daqui por diante enviar a recomendação para a primeira e segunda iniciação para qualquer um destes representantes que esteja mais próximo de seu templo. Após considerar a recomendação, estes representantes devem aceitar o devoto como um discípulo iniciado por Srila Prabhupada dando a ele um nome espiritual, ou, no caso de segunda iniciação, cantando com o cordão Gayatri, assim como Srila Prabhupada fez. Os novos devotos iniciados são discípulos de Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada e os onze devotos seniores atuam como Seus representantes. Após o presidente de templo ter recebido uma carta de um daqueles representantes dando o nome espiritual ou o cordão, ele poderá então executar a cerimônia de fogo Yajña no templo, como fora feito antes. O nome de um novo discípulo iniciado deverá ser enviado pelo representante que o aceitou para Srila Prabhupada, para ser incluído no livro dos discípulos iniciados de Sua Divina Graça.

Esperando que esta os encontre bem.

Seu servo,

Tamala Krishna Gosvami (a assinatura aparece no original)
Secretário de Srila Prabhupada

Aprovado: A. C. Bhaktivedanta Swami

(A assinatura de Srila Prabhupada aparece no original)

Carta para Hamsadutta, 10 de julho de 1977.

ISKCON-INTERNATIONAL SOCIETY FOR KRISHNA CONSCIOUSNESS
Fundador-Acharya: Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

10 de julho de 1977.

Meu caro Hamsadutta Maharaja,

Por favor aceite minhas humildes reverências aos seus pés. Srila Prabhupada recebeu suas cartas datadas do dia 4 e 5 de julho de 1977 respectivamente, e ele me deu instruções para respondê-las.

Srila Prabhupada está muito satisfeito em saber como você está organizando tudo no Ceilão e o fato de que muitas pessoas estão agora se interessando seriamente prova a efetividade da sua pregação. Sua Divina Graça disse: “você é a pessoa adequada e você pode dar iniciação para aqueles que estão prontos para ela. Eu selecionei você entre onze homens como ‘Ritvik’, ou representante do Acharya, para dar iniciações, tanto a primeira como a segunda iniciação, em meu nome.” (Um informativo está sendo enviado para todos os presidentes de templo e membros do GBC a este respeito, listando os onze representantes selecionados por Sua Divina Graça. Aqueles que forem iniciados são discípulos de Srila Prabhupada, e qualquer um que você avaliar como sendo adequado e iniciar deste modo, você deverá enviar seus nomes para serem incluídos nos livros de discípulos iniciados de Srila Prabhupada. Desta forma os presidentes de templo irão enviar suas recomendações para iniciação diretamente para o representante mais próximo, que irá dar o nome espiritual ou cantar no cordão do Gayatri, assim como Srila Prabhupada tem feito).

Srila Prabhupada deu um grande sorriso ao escutar sobre o sucesso do programa organizado pelo pessoal locais, no qual 2000 pessoas estavam presentes. Quando ele ouviu que você está introduzindo um programa de festival de domingo ele disse, “você é um bom cozinheiro, então agora ensine os outros como devem cozinhar, assim como eu ensinei para você”.

A respeito do trabalho de impressão estar indo lentamente, Sua Divina Graça disse: “não importa. Siga com certeza. Não tem importância se for lentamente”. Eu perguntei para Pradyumna Prabhu sobre a tradução do cingalês, a qual você mencionou. Ele disse que o texto “sobre o cantar do maha-mantra” está traduzido para o cingalês e que a tradução está no seu baú em Bombay. Nós tentaremos entregar para você o mais rápido possível. Eu não sei se Gopal Krishna tem algum manuscrito em tamil, mas se ele tiver, quando eu vê-lo daqui a uns dez dias, direi a ele para enviar para você. Então você poderá escrever para ele diretamente. Pradyumna disse que será rápido apenas conseguir uma nova tradução- é apenas uma página.

Srila Prabhupada está muito feliz de saber que você iria trazer alguns devotos do Sri Lanka para Mayapur, e disse: “ó, isso é muito bom!” Ele não sabe se a história dos discípulos de Bhaktisiddhanta verem um homem comendo um rato é verdade ou não. A respeito da exata posição de Sri Lanka, esta é a opinião de algumas pessoas. Srila Prabhupada aconselhou que não discutamos isso publicamente neste momento. Prabhupada também recomendou que você pegue ghee de Hari Sauri. Ele disse que você poderia pegar um quinto do que Hari Sauri enviar para a Índia. Sobre o fato de usar o nome de Swami ou Goswami, Srila Prabhupada disse: “fixe-se em um. Swami é melhor”.

Seu servo
(a assinatura aparece no documento original)

Tamal Krishna Goswami
Secretário de Srila Prabhupada

Sua Santidade Hamsadutta Swami

c/o ISKCON Colombo.

Carta para Kirtanananda, 11 de julho de 1977.

ISKCON
INTERNATIONAL SOCIETY FOR KRISHNA CONSCIOUSNESS
Fundador-Acharya: Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

11 de julho de 1977

Meu caro Kirtanananda Maharaja,

Por favor, aceite minhas humildes reverências aos seus pés. Sua Divina Graça Srila Prabhupada acaba de receber o último número de Brijabasi Spirit, Vol. IV, nº 4, o qual trouxe-Lhe grande alegria. Assim que Ele viu a capa mostrando Kaladri realizando uma cerimônia de fogo, Ele disse: “veja só a sua face, que devoto ele é, tão perito em tudo.” Quando Srila Prabhupada abriu a primeira página, seus olhos se fixaram na imagem de Radha-Vrindavana Chandra, então Ele disse: “Vrindavana-Bihari, tão bonito. Não há perigo onde quer que Vrindavana Chandra esteja”. Após desfrutar de toda a revista, Srila Prabhupada disse: “É impressa em nossa própria gráfica. Estamos fazendo um bom progresso”. Sua Divina Graça apreciou muito o artigo “como eu fui desprogramado”, feito por um jovem devoto. Prabhupada sentiu grande simpatia quando escutou a história e disse: “se um homem muda como este rapaz, então este movimento é um sucesso. Há uma boa perspectiva, uma grande esperança. Vocês todos se unam e levem este Movimento adiante. Agora eu estou seguro de que ele irá continuar”. Enquanto seguia lendo a revista, Srila Prabhupada também viu a sua foto na página “istagosthi” e Srila Prabhupada deu uma olhada demorada sobre a sua pessoa, expressando sua profunda apreciação por como você entendeu esta consciência de Krishna.

Uma carta foi enviada para os presidentes de templo e GBC, a qual você deverá receber em breve, descrevendo o processo para as iniciações a ser seguido no futuro. Srila Prabhupada apontou até agora onze representantes que irão iniciar os novos devotos em seu nome. Você pode esperar que esta carta chegue (a original foi enviada para Ramesvara Maharaj para fazer cópias) e então todas as pessoas que você recomendou na sua carta anterior podem ser iniciadas.

Sua Divina Graça tem mantido Sua saúde estável, e muito espantosamente dobrou Seu trabalho de tradução, andando passo a passo com a distribuição de livros que também dobrou. Esperando que esta o encontre bem.

Seu servo,

(a assinatura aparece no original)

Tamala Krishna Goswami

Secretário de Srila Prabhupada

Sua Santidade Kirtanananda Swami

c/o ISKCON New Vrindavana

Carta para Ramesvara, 21 de julho de 1977.

BBT

THE BHAKTIVEDANTA BOOK TRUST
Fundador - Acarya: Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

21 de julho de 1977

TODAS AS GLÓRIAS A SRI GURU E GOURANGA!

Caro GBC irmãos espirituais Prabhus,

Por favor aceitem minhas mais humildes reverências à poeira dos seus pés. Todas as glórias a Srila Prabhupada! Eu recém recebi algumas cartas de Tamal Krishna Maharaja, e estou incluindo aqui dois documentos: 1) a versão final do testamento de Srila Prabhupada , e 2) a lista inicial dos discípulos apontados para realizar as iniciações para Sua Divina Graça. Esta lista inicial também está sendo enviada para todos os centros.

Da carta de Tamal Krishna, parece que Srila Prabhupada está entusiasmado, apesar de sua má saúde , e está traduzindo com força total. Ele fica especialmente entusiasmado quando chegam notícias de diferentes membros do GBC e dos templos, com os resultados da pregação, as boas novas em geral, etc., e Tamal Krishna Maharaja enfatizou que nós todos devemos enviar tais notícias, pois Sua Divina Graça frequentemente pergunta: “quais são as novas?” Um excelente exemplo do humor de Srila Prabhupada mostrou-se ao receber encorajadora notícia da pregação de Hamsadutta Swami no Ceilão. Srila Prabhupada disse: “eu quero ir ao Ceilão. Eu posso ir. Eu posso ir a qualquer lugar numa cadeira. A dificuldade está apenas na imaginação. O inchaço apenas toca minha pele, não minha alma”.

Mais do que qualquer coisa, Tamal enfatizou a verdadeira necessidade de que um membro do GBC venha visitar a cada mês para serviço pessoal. Uma vez que Srila Prabhupada disse recentemente como estas visitas regulares são muito importantes, todos os membros do GBC deveriam estar ansiosos para fazer isso, pois isso envolve não apenas um trabalho importante que irá ajudar a aliviar Prabhupada da administração, mas também envolve serviço pessoal a Srila Prabhupada, dando massagens e muitos outros serviços nectáreos, e em geral possibilita uma rara quantidade de associação pessoal, mais ainda do que no passado. Dentre os 23 membros, não deverá haver um mês que não seja preenchido.

Uma notícia final é que Srila Prabhupada apontou um novo membro do GBC para o norte da Índia (incluindo Delhi, mas não Vrindavana) – Sua Santidade Bhakti Caitanya Swami. Tamal Krishna Maharaja disse que Sua Divina Graça apontou-o para encorajar o excelente trabalho de pregação que ele está fazendo no Punjab.

Jay! Eu espero que esta os encontrem bem e plenamente absortos na pregação, e assim satisfazendo plenamente Srila Prabhupada.

Seu mais indigno servo,

(a assinatura aparece no documento original).

Ramesvara Dasa Swami

Carta de Tamal Krishna Goswami para Hamsadutta (em nome de Srila Prabhupada)

31 de julho de 1977

Caro Hamsadutta Maharaja,

Por favor aceite minhas mais humildes reverências aos seus pés. Eu fui instruído por Sua Divina Graça Srila Prabhupada para agradecer a você por sua carta datada do dia 25 de julho de 1977.

Você escreveu para Srila Prabhupada dizendo que você não sabe por que Srila Prabhupada escolheu você para ser um objeto de Sua misericórdia. Sua Divina Graça imediatamente respondeu: “isso é porque você é meu servo sincero. Você abandonou o afeto por uma esposa maravilhosa e qualificada , e isso é uma grande bênção. Você é um verdadeiro pregador. Portanto, eu gosto de você. (Rindo) algumas vezes você fica obstinado, mas isso é verdade em qualquer homem inteligente. Agora você tem um campo muito bom. Agora organize-o e isso lhe será um grande crédito. Ninguém irá perturbar você lá. Faça seu próprio campo e continue sendo Ritvik e atuando em meu nome”.

Srila Prabhupada ouviu com grande entusiasmo quando eu li para ele o artigo do jornal. Sua Divina Graça ficou muito satisfeito: “este artigo irá aumentar o seu prestígio. É um artigo muito bom. Portanto, este jornal deu tanto espaço para imprimi-lo. Ele é muito bom. Ele deve ser publicado na revista ‘De volta ao Supremo’. Agora há uma coluna em ‘De volta ao Supremo’ chamada ‘Prabhupada fala alto’. Seu artigo pode ser intitulado ‘o discípulo de Prabhupada disse’. Sim, nós publicaremos este artigo certamente. Deixe esse patife ser ridicularizado diante do público. Eu gostei muito deste artigo. Eu quero meus discípulos falando alto... apoiados num raciocínio completo. ‘Brahma sutra sunisthita’, isto é pregação. Sejam abençoados. Todos os meus discípulos sigam adiante. Você fez o desafio. Eles não podem responder. Este Dr. Kovoor deverá ser convidado... para a convenção “a vida vem da vida” do Dr. Svarupa Damodara. Ele pode aprender alguma coisa nesta convenção cientifica”.

“Sim, você com certeza deve pegar algum dinheiro da ISKCON Food Relief. Dinheiro americano foi coletado para seu programa e enviado para a distribuição de alimentos. Esta é a minha proposta. Trezentas pessoas vindo não é brincadeira. Você mencionou preparações muito boas. Eu gostaria de comê-las, mas não posso. Simplesmente em ouvir os nomes (das preparações) fico satisfeito. Estava justamente pensando em você nesta manhã, e agora você me escreveu”.

(o último parágrafo está ilegível)

Seu servo,

Tamala Krishna Goswami

Secretário de Srila Prabhupada

(assinatura aparece no documento original)

The Will

Trindandi Goswami
A. C. Bhaktivedanta Swami

Fundador Acharya da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna

Centro: Krishna-Balarama Mandir

Bhaktivedanta Swami Marg

Ramanareti, Vrndavana, U.P.


Data: 4 de junho de 1977.

DECLARAÇÃO DE TESTAMENTO

Eu, A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, Fundador Acharya da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna e da Bhaktivedanta Book Trust, e discípulo de Om Visnupada 108 Sri Srimad Bhaktisiddhanta Saraswati Goswami Maharaja Prabhupada, presentemente residente no Sri Krishna Balarama Mandir em Vrindavana, faço este o meu último desejo:

1. A Comissão do Corpo Governante (GBC) será a autoridade administrativa última de toda a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna.

2. Cada templo será uma propriedade da ISKCON e será administrada por três diretores executivos. O sistema de administração continuará como está agora e não há necessidade de nenhuma mudança.

3. As propriedades da Índia serão administradas pelos seguintes diretores executivos:

a. As propriedades em Sri Mayapur Dhama, Panihati, Haridaspur e Calcutta: Gurukrpa Swami, Jayapataka Swami, Bhavananda Goswami e Gopal Krishna das adhikari.

b. As propriedades em Vrndavana: Gurukrpa Swami, Akshoyananda Swami e Gopal Krishna das adhikari.

c. As propriedades em Bombay: Tamal Krishna Goswami, Giriraj das brahmachary e Gopal Krishna das adhikari.

d. As propriedades em Bhubaneswar: Gour Gouvinda Swami, Jayapataka Swami e Bhagawat das brahmachary.

e. As propriedades em Hyderbad: Mahamsa Swami, Sridhar Swami, Gopasl Krishna das adhikari e Bali Mardan das adhikari.

Os diretores executivos que foram aqui designados são vitalícios. Na ocasião da morte ou falha por qualquer razão de qualquer um dos ditos diretores, um diretor sucessor, ou diretores, deve ser apontado pelos diretores remanescentes, contanto que o novo diretor seja meu discípulo iniciado, seguindo estritamente todas as regras e regulações da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, como detalhado em meus livros, e contanto que jamais haja menos do que três (3) ou mais do que cinco (5) diretores executivos atuando ao mesmo tempo.

4. Eu criei, desenvolvi e organizei a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, e como tal por este meio testamento que nenhuma das propriedades imobiliárias permanentes em nome da ISKCON na Índia seja jamais hipotecadas, emprestadas, vendidas, transferidas, ou de qualquer modo comprometidas, abandonadas ou alienadas. Esta instrução é irrevogável.

5. As propriedades fora da Índia, como princípio, jamais deverão ser hipotecadas, alugadas, vendidas, transferidas ou de qualquer modo comprometidas, abandonadas ou alienadas, mas se surgir necessidade, elas poderão ser hipotecadas, alugadas, vendidas, etc., com o consentimento comum dos membros do comitê do GBC associados com a propriedade em particular.

6. As propriedades fora da Índia e os membros do comitê do GBC são os seguintes:

a. Propriedades em Chicago, Detroit e Ann Arbor: Jayatirtha das Adhikari, Harikesh Swami e Balavanta das Adhikari.

b. Propriedades no Havai, Tokyo, Hong Kong: Guru Krpa Swami, Ramesvara Swami e Tamal Krishna Goswami.

c. Propriedades em Melbourne, Sidney, Fazenda na Austrália, (ilegível): Guru Krpa Swami, Hari Sauri, e Atreya Rsi.

d. Propriedades na Inglaterra (Londres), França, Alemanha, Holanda, Suiça, e Suécia: Jayatirtha das Adhikari, Bhagavan das Adhikari, Harikesha Swami.

e. Propriedades no Quênia, Maurícius, África do Sul: Jayatirtha das Adhikari, Brahmananda Swami e Atreya Rsi.

f. Propriedades no México, Venezuela, Brasil, Costa Rica, Peru, Equador, Colômbia, Chile: Hridayananda Goswami, Panca Dravida Swami, Brahmananda Swami.

g. Propriedades em Georgetown, Guyana, Santo Domingo, St. Augustine: Adi Kesava Swami, Hridayananda Goswami, Panca Dravida Swami.

h. Propriedades em Vancouver, Seattle, Berkeley, Dallas: Satsvarupa Gosvami, Jagadisa das Adhikari, Jayatirtha das Adhikari.

i. Propriedades em Los Angeles, Denver, San Diego, Laguna Beach: Rameswara Swami, Satsvarupa Swami, Adi Kesava Swami.

j. Propriedades em Nova Iorque, Boston, Porto Rico, Port Royal, St. Louis, Fazenda de St. Louis: Tamal Krishna Goswami, Adi Kesava Swami, Rameswara Swami.

k. Propriedades no Iran: Atreya Rsi, Bhagavan das Adhikari, Brahmananda Swami.

l. Propriedades em Washington, D.C., Baltimore, Philadelphia, Montreal e (ilegível): Rupanuga das Adhikari, Gopal Krishna das Adhikari, Jagadisa das Adhikari.

m. Propriedades em Pittsburg, New Vrndavana, Toronto, Cleveland, Buffalo: Kirtanananda Swami, Atreya Rsi, Balavanta das Adhikari.

n. Propriedades em Atlanta, Fazendo do Tennessee, Gainsville, Miami, New Orleans, Fazenda do Mississippi, Houston: Balavantya das Adhikari, Adi Kesava Swami, Rupanuga das Adhikari.

o. Propriedades em Fiji: Hari Sauri, Atreya Rsi, Vadusev.

7. Eu declaro, digo e confirmo que todas as propriedades, tanto móveis como imóveis que estão em meu nome, incluindo contas correntes, cadernetas de poupança e depósitos fixos em vários bancos são propriedades e posses da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, e os herdeiros e sucessores de minha vida anterior, ou qualquer um que reivindique, não possui direito, privilégio ou partilha nestas propriedades em absoluto, salvo e exceto aquelas concedidas mais abaixo.

8. Embora o dinheiro que está em meu nome pessoal em diferentes bancos esteja sendo gasto pela ISKCON e pertença à ISKCON, eu mantive alguns depósitos especificamente indicados para serem destinados a uma pensão mensal de Rs. 1.000 (acréscimo ilegível) para os membros de minha família anterior; estes depósitos específicos (saldo, juros e poupança) se tornarão propriedades da ISKCON para o saldo da corporação, e os descendentes de minha família anterior ou qualquer um que reivindique através deles não será permitido receber nenhum tipo de subsídio.

9. Eu por meio desta aponto Guru Krpa Swami, Hridayananda Goswami, Tamal Krishna Goswami, Rameswara Swami, Gopas Krishna das Adhikari, Jayathirta das Adhikari e Giriraj das Brahmachary para agirem como executores deste testamento. Eu fiz este testamento no dia 4 de junho de 1977 com plenos sentidos e perfeito juízo, sem qualquer persuasão, força ou imposição de alguém.

Testemunhas: A.C. Bhaktivedanta Swami

O testamento acima foi assinado por Srila Prabhupada, carimbado e testemunhado pelos seguintes:Tamal Krishna Goswami, Bhagavan Das Adhikari e várias outras testemunhas.(as assinaturas aparecem no documento original)

Codicilo do dia 5 de novembro de 1977.

Eu, A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, sannyasi e Fundador Acharya da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, fundamentador da Bhaktivedanta Book Trust e discípulo de Om Visnupada 108 Sri Srimad Bhaktisiddhanta Saraswai Goswami Maharaja Prabhupada, presentemente residente no Sri Krishna BalaramMandir em Vrindavana, venho por meio deste testamento e codicilo expressar a minha intenção e clarificar certas coisas que até certo ponto ficaram vagas no meu testamento do dia 4 de junho de 1977, como o seguinte:

Eu fiz um testamento no dia 4 de junho de 1977, e declarei certas provisões nele. Uma delas sendo a provisão de pensão alimentícia para o Sr. M. M. De, Brindaban Chandra de, Srt. Bhakti Lata De e Sra. Suluxmana Dey, os quais nasceram durante meu período em grihastha ashrama, e para a Sra. Radharani De, quem foi minha esposa no grihasta ashrama, pela duração de suas vidas de acordo com o parágrafo 8 do dito testamento. Considerando o assunto mais cuidadosamente, eu sinto que o dito parágrafo não descreve verdadeiramente minhas intenções. Eu por meio desta ordeno que com respeito à Sra. Radharani De, ela receberá Rs. 1.000 por mês, por toda a sua vida, provenientes dos juros de um depósito fixo de um lakh e vinte mil rúpias, que seja estabelecido pela ISKCON em qualquer banco que as autoridades da dita Sociedade pensem que seja apropriado por um período de 7 anos em nome da ISKCON, cuja soma não estará disponível a nenhum de seus herdeiros, e depois de sua morte a ISKCON irá apropriar-se de tal soma da forma como as autoridades da ISKCON considerem adequada levando em conta os objetivos da Sociedade.

No que diz respeito ao Sr. M.M De, Sr. Brindaban Chandra De, Sra.. Suluxmana Dey e Senhorita Bhakti Lata De, a ISKCON depositará um lakh e vinte mil rúpias em 4 contas separadas em depósito fixo, cada uma com 120.000 rúpias por sete anos em um banco para que se obtenha no mínimo juros de 1.000 rúpias por mês para cada um. Da soma citada de 1.000 rúpias, apenas 250 rúpias por mês serão pagas a cada um deles dos juros provenientes das respectivas contas em depósito fixo. As restantes 750 rúpias de juros serão depositadas outra vez com novos recibos de depósito fixo em seus respectivos nomes durante sete anos. Quando estes depósitos a prazo fixo estiverem maduros, criados com as 750 rúpias provenientes dos juros mensais durante os sete anos, as ditas somas serão revertidas pelas pessoas citadas em ações do governo, depósitos a prazo fixo, ou qualquer outro esquema de poupança do governo, ou pode ser utilizada para adquirir alguma propriedade imóvel, para que a quantidade permaneça segura e não seja dissipada. Contudo, caso as pessoas citadas ou qualquer uma delas viole estas condições e utilize a dita soma com propósitos distintos, diferentes dos propósitos descritos acima, as autoridades da ISKCON estarão livres para deter os pagamentos da manutenção mensal a tal pessoa ou pessoas das 120.000 rúpias dos depósitos originais a prazo fixo, e um lugar deles, darão a soma de juros de 1.000 rúpias por mês à Associação de Caridade Bhaktivedanta Swami. Estabelece-se claramente que os herdeiros de tais pessoas não terão nenhum direito a nenhuma das somas citadas, e que estas somas são apenas para o uso pessoal das mencionadas pessoas de minha vida anterior, durante suas vidas apenas.

Já nomeei alguns executores do meu dito testamento. Eu agora por meio desta anexo o nome de Sri Jayapataka Swami, meu discípulo, residente em Sri Mayapur Chandrodoya Mandir, Dist. Nadia, Bengala do oeste, como executor de meu dito testamento, junto com as pessoas já mencionadas no dito testamento do dia 4 de junho de 1977. Eu por meio desta ordeno que estes executores têm direito a atuarem juntos ou individualmente para executar suas obrigações sob meu dito testamento.

Eu por meio desta emendo, modifico e altero meu dito testamento do dia 4 de junho de 1977, da maneira mencionada nos parágrafos anteriores. No que diz respeito ao demais, meu dito testamento continua sendo legítimo e sempre será legítimo.

Eu por meio desta faço este codicilo de testamento em 5 de novembro de 1977, em plena consciência e mente em pleno juízo, sem nenhuma persuasão, força ou compulsão de ninguém.

Testemunhas: A.C.Bhaktivedanta Swami

(as assinaturas aparecem no original)

Conversa no quarto, dia 22 de abril de 1977, Bombay.

Srila Prabhupada:

“Eu disse a ele que ‘você não pode fazer assim independentemente. Você está indo bem, mas não faça isso na revista.’ (pausa) As pessoas se queixaram de Hamsadutta. Você sabia disso?”

Tamala Krishna:

“Eu não tenho certeza sobre incidentes particulares, mas tenho escutado no geral...”

Srila Prabhupada:

“Na Alemanha. Na Alemanha”.

Tamala Krishna:

“Os devotos lá”.

Srila Prabhupada:

“Muitas queixas”.

Tamala Krishna:

“Portanto, mudar é bom”.

Srila Prabhupada:

“Você se torna guru, mas você deve estar qualificado primeiro. Então você se torna”.

Tamala Krishna:

“Ó, era este tipo de queixa.”

Srila Prabhupada:

“Você sabia disso?”

Tamala Krishna:

“Sim, eu escutei isso, sim”.

Srila Prabhupada:

“De que vale produzir um guru patife?”

Tamala Krishna:

“Bem, eu tenho estudado a mim mesmo e todos os seus discípulos, e está claro o fato de que nós todos somos almas condicionadas, então não podemos ser gurus. Talvez um dia isso seja possível”.

Srila Prabhupada:

“Hmm”

Tamala Krishna:

“... mas não agora”.

Srila Prabhupada:

“Sim. Eu produzirei alguns gurus. Eu direi quem é guru, ‘agora você se torna Acharya. Você se torna autorizado’. Eu estou esperando por isso. Vocês todos se tornam Acharyas. Eu me aposento completamente. Mas o treinamento deve ser completo.

Tamala Krishna:

“Deve haver um processo de purificação”.

Srila Prabhupada:

“Ó sim, deve haver. Caitanya Mahaprabhu deseja: amara ajñaya guru hana. Você se torna guru. Mas deve estar qualificado (risos). Uma pequena coisa; seguidor estrito”.

Tamala Krishna:

“Sem carimbos.”

Srila Prabhupada:

“Assim vocês não serão efetivos. Poderão enganar, mas isso não será efetivo. Veja a nossa Gaudiya Math; cada um queria se tornar guru, um pequeno tempo e guru. Que tipo de guru? Nenhuma publicação, nem pregação, simplesmente trazendo alguma comida... meu guru-maharaja costumava dizer: “bagunça aglomerada, um lugar para comer e dormir”.

Conversa no quarto, dia 27 de maio de 1977, Vrndavana

Bhavananda:

Haverá homens, eu sei. Haverá homens que tentarão se apresentar como gurus.

Tamal Krishna:

Isso estava acontecendo muitos anos atrás.

Bhavananda:

Ó, sim. Ó, preparados para pular.

Srila Prabhupada:

É preciso uma administração muito forte e observação vigilante.

Conversa no quarto, dia 28 de maio de 1977, Vrindavana

Satsvarupa:

Então, nossa próxima pergunta diz respeito às iniciações no futuro, particularmente quando o senhor não estiver mais conosco. Nós queremos saber como a primeira e segunda iniciações deverão ser conduzidas?

Srila Prabhupada:

Sim. Eu irei recomendar alguns de vocês. Depois que isso estiver estabelecido eu irei recomendar alguns de vocês para agir como acaryas representantes.

Tamala Krishna:

Isso é chamado Ritvik acarya?

Srila Prabhupada:

Ritvik, sim.

Satsvarupa:

Qual é a relação daquela pessoa que dá a iniciação e...

Srila Prabhupada:

Ele é guru, ele é guru.

Satsvarupa:

Mas ele age em seu nome.

Srila Prabhupada:

Sim. Isso é formalidade. Porque na minha presença ninguém deve se tornar guru, então, em meu nome, sob minha ordem, amara ajñaya guru hana, seja realmente guru, mas sob minha ordem.

Satsvarupa:

Então eles podem ser considerados seus discípulos?

Srila Prabhupada:

Sim, eles são discípulos, mas considere... quem...

Tamala Krishna:

Não. Ele está perguntando que esses Ritvik-acaryas, eles estarão atuando, dando diksa, as pessoas para quem eles dão diksa são discípulos de quem?

Srila Prabhupada:

Eles são seus discípulos.

Tamala Krishna:

Eles são seus discípulos.

Srila Prabhupada:

quem inicia ... discípulo de seu discípulo.

Satsvarupa:

Então nós temos uma pergunta a respeito....

Srila Prabhupada:

Quando eu ordenar vocês se torna guru; ele se torna guru regular. Isso é tudo. Ele se torna discípulo de meu discípulo. Veja só.

Conversa no quarto, dia 7 de julho de 1977, Vrindavana

Tamala Krishna:

Srila Prabhupada, nós estamos recebendo um grande número de cartas agora. Estas são pessoas que querem ser iniciadas. Então, até agora, uma vez que o senhor está ficando doente, nós pedimos para que esperem.

Srila Prabhupada:

O sannyasi sénior no local pode fazer.

Tamala Krishna:

É o que estávamos fazendo. Quero dizer, previamente nós estávamos ... os sannyasis GBC do local estavam cantando nas contas deles, e estavam escrevendo para Sua Divina Graça, e o senhor dava um nome espiritual. Então, devemos continuar com este processo, ou devemos... quero dizer, uma coisa é que se diz que o mestre espiritual aceita... o senhor sabe, ele aceita... e tem que limpar o discípulo... então, nós não queremos que o senhor tenha que... já que sua saúde não está muito boa, para que não haja... é por isso que estamos pedindo a todo mundo que espere. Simplesmente quero saber se devemos continuar esperando um pouco mais.

Srila Prabhupada:

Não, os sannyasis seniores.

Tamala Krishna:

Então eles devem continuar a...

Srila Prabhupada:

Você pode dar-me a lista de sannyasis, eu irei selecioná-los.

Tamala Krishna:

Ok.

Srila Prabhupada:

Você pode fazer. Kirtanananda pode fazer. Satsvarupa pode fazer. Estes três podem fazer.

Tamala Krishna:

Então, supondo alguém está na América, eles simplesmente deverão escrever para Kirtanananda ou Satsvarupa?

Srila Prabhupada:

O mais próximo. Jayatirtha pode fazer.

Tamala Krishna:

Jayatirtha.

Srila Prabhupada:

Bhagavan, ele também pode fazer ... Harikesa.

Tamala Krishna:

Harikesa Maharaja.

Srila Prabhupada:

Cinco, seis homens podem se dividir; quem estiver mais próximo.

Tamala Krishna:

Quem estiver mais próximo. Então as pessoas não têm que escrever para Sua Divina Graça? Eles poderão escrever diretamente para aquela pessoa. Atualmente eles estão iniciando no nome de Sua Divina Graça. As pessoas serão iniciadas ainda por Sua...

Srila Prabhupada:

Segunda iniciação, nós temos que pensar na segunda.

Tamala Krishna:

Isso é para a primeira iniciação. Ok, e para a segunda iniciação, por enquanto eles deveriam...

Srila Prabhupada:

Novamente, eles devem esperar. A segunda iniciação, esta deve ser dada.

Tamal Krishna:

Há alguns devotos que estão escrevendo ao senhor pedindo segunda iniciação, e eu estou lhes escrevendo dizendo-lhes que esperem um pouco, porque o senhor não está bem. Devo continuar dizendo isso?

Srila Prabhupada:

Eles podem receber a segunda iniciação.

Tamal Krishna:

Escrevendo ao senhor?

Srila Prabhupada:

Não, a estes homens.

Tamal Krishna:

Estes homens, eles também podem fazer a segunda iniciação. Não há necessidade de que os devotos escrevam ao senhor pedindo a primeira e segunda iniciação. Eles podem escrever para aquele mais próximo deles. Porém todas estas pessoas ainda assim são seus discípulos. Qualquer pessoa que dê iniciação o fará em seu nome.

Srila Prabhupada:

Sim.

Tamala Krishna:

O senhor sabe aquele livro que eu mantenho com os nomes de todos os seus discípulos?

Srila Prabhupada:

hum!

Tamala Krishna:

Então se alguém der iniciações, como Harikesa maharaja, ele deve enviar-nos os nomes das pessoas e eu farei seu registro no livro. OK. Há alguém na Índia que o senhor gostaria que fizesse isso?

Srila Prabhupada:

Índia? Eu estou aqui. Nós veremos. Na Índia- Jayapataka.

Tamala Krishna:

Jayapataka maharaja?

Srila Prabhupada:

Você também está na Índia. Você pode anotar estes nomes.

Tamala Krishna:

Sim, eu os tenho.

Srila Prabhupada:

Quem são eles?

Tamala Krishna:

Kirtanananda maharaja, Satsvarupa maharaja, Jayatirtha prabhu, Bhagavan prabhu, Harikesa maharaja, Jayapataka maharaja e Tamal Krishna maharaja.

Srila Prabhupada:

Está certo. Agora distribua.

Tamala Krishna:

Sete. Há sete nomes.

Srila Prabhupada:

Por enquanto sete nomes. Suficiente. (Um pouco depois) Você pode escrever, Ramesvara maharaja.

Tamala Krishna:

Ramesvara maharaja.

Srila Prabhupada:

E Hrdayananda.

Tamala Krishna:

Ó, América do Sul.

Srila Prabhupada:

Então sem esperar por mim, quem quer que você considere que mereça. Isso dependerá de discrição.

Tamala Krishna:

Com discrição.

Srila Prabhupada:

Sim.

Tamala Krishna:

Isso é para primeira e segunda iniciações.

Srila Prabhupada:

Hum!

Tamala Krishna:

Devo enviar o grupo de kirtana, Srila Prabhupada?

Conversa no quarto, Vrindavana, 19 de julho de 1977

Tamala Krishna:

“Upendra e eu podemos ver que... (interrompido).

Srila Prabhupada:

“E ninguém irá perturbar você lá. Faça seu próprio campo e continue sendo um Ritvik, e atue sob minha ordem. As pessoas estão se tornando simpatizantes aqui. O lugar é muito bom”.

Tamala Krishna:

“Sim. Ele diz: ‘a introdução do Bhagavad-gita está sendo traduzida em Tamil, e terei o segundo capítulo feito em seguida, então publicarei um pequeno livreto para distribuição”.

Conversa no quarto, dia 18 de outubro de 1977, Vrndavana

Srila Prabhupada:

Hare Krishna. Um cavalheiro bengali veio de Nova Iorque? (um homem havia viajado de Nova Iorque para ser iniciado por Srila Prabhupada)

Tamal Krishna :

“Sim, Srila Prabhupada. O Sr. Sukamoy Choudry”.

Srila Prabhupada:

“Então, eu apontei alguns de vocês para iniciar?”

Tamal Krishna :

“Sim.”

Srila Prabhupada:

“Então, eu penso que Jayapataka pode fazer isso. Se você quiser, eu já fiz as nomeações. Diga a ele que alguns foram nomeados; o nome de Jayapataka está lá? Então, eu o apontei para fazer isso em Mayapur e ele pode ir com ele. Eu parei por enquanto. Está certo?”

Tamal Krishna :

“O quê Srila Prabhupada?”

Srila Prabhupada:

“Esta iniciação; eu apontei alguns dos meus discípulos, está claro ou não?”

Tamal Krishna :

“Está claro.”

Srila Prabhupada:

“Você tem a lista de nomes? E se pela misericórdia de Krishna eu me recuperar desta condição, então eu começarei ou não, mas nesta condição iniciar não é bom.”

Conversa no quarto de, 2 de novembro de 1977, Vrindavana

(Srila Prabhupada está explicando o que foi discutido com os convidados).

Srila Prabhupada:

“... então, depois de você, quem tomará a liderança, e (eu disse) cada um tomará. Todos meus discípulos; se você quiser você também pode tomar(risos). Mas se você seguir. Eles estão preparados para sacrificar tudo. Eles irão tomar a liderança. Eu posso partir. Mas haverá centenas. Centenas irão pregar. Se você quiser você também pode ser líder. Nós não temos tal coisa como ‘aqui está o líder’. Qualquer um que seguir o líder anterior, ele é líder.

Tamala Krishna:

“Hum.”

Srila Prabhupada:

“Indiano! Nós não temos tal distinção. Indiano, europeu.

Devoto:

Eles querem um líder indiano.

Srila Prabhupada:

Sim. Todos, todos meus discípulos são líderes. Uma vez que seguem genuinamente, eles se tornam líderes. Se você seguir, você pode se tornar líder. Mas você não segue. Eu disse isso. (pausa)

Tamala Krishna:

Sim, eles provavelmente queriam propor alguém que iria tomar o nosso Movimento.

Srila Prabhupada:

Sim. Hum. (Pausa), “líder”.. tudo bobagem. (Pausa) Líder significa que alguém se tornou um discípulo de primeira classe. Ele é líder, “evam Parampara praptam”, aquele que segue de forma perfeita as suas instruções, ele é líder. Hum. Tornar-se líder não é muito difícil, contanto que se esteja preparado para seguir as instruções de um guru fidedigno.

Confissões na casa da pirâmide, 3 de dezembro de 1980

Tamal Krishna Maharaja: “eu tive uma certa realização há uns poucos dias atrás. (...) Existem obviamente muitas afirmações feitas por Srila Prabhupada que seu Guru- maharaja não nomeou ninguém como sucessor (...) mesmo em seus livros Srila Prabhupada disse que guru significa por qualificação.

A inspiração veio porque eu tinha uma pergunta pessoal, então Krishna falou. Realmente, Prabhupada jamais apontou nenhum guru. Ele apontou onze Ritviks; ele jamais os apontou como gurus. Eu e os outros membros do GBC causamos um grande dano a este Movimento nestes últimos três anos, porque nós interpretamos o apontamento de Ritviks como sendo apontamento de gurus.

Eu irei explicar o que de fato aconteceu. Eu havia explicado, mas a interpretação estava errada. O que aconteceu realmente foi que Prabhupada mencionou que iria apontar alguns Ritviks, então o GBC se reuniu por várias razões, e eles foram até Prabhupada, cinco ou seis de nós (isso se refere à reunião de maio de 1977); nós perguntamos: “Srila Prabhupada, após a sua partida, se nós aceitarmos discípulos, de quem eles serão discípulos, seus ou nossos?”

Mais tarde havia uma lista de pessoas para receber iniciação, e era grande. Eu disse: “Srila Prabhupada, certa vez o senhor mencionou sobre Ritviks. Eu não sei o que fazer. Nós não queremos abordá-lo, mas há milhares de devotos listados, e eu estou apenas segurando todas estas cartas. Eu não sei o que o senhor quer fazer”.

Srila Prabhupada disse: “tudo certo, eu irei apontar alguns...”, e ele começou a nomeá-los. Ele deixou bem claro que eles seriam discípulos dele. Neste ponto estava muito claro em minha mente que eles eram discípulos dele. Mais tarde, eu fiz duas perguntas a ele, uma: “sobre Brahmananda Swami?” eu perguntei isso a ele porque eu tinha afeição por Brahmananda Swami (...) então Srila Prabhupada disse: “não, não a menos que ele seja qualificado”. Antes de ir datilografar a carta, eu perguntei a Srila Prabhupada, dois: “Srila Prabhupada, isso é tudo ou o senhor deseja adicionar mais?” Ele disse: “na medida do necessário, outros mais podem ser adicionados”.

Agora eu entendo que o que ele fez foi muito claro. Ele estava fisicamente incapaz de executar a função de iniciação; portanto, ele apontou sacerdotes representantes para iniciar em seu nome. Ele apontou onze, e disse muito claramente: “quem quer esteja mais próximo pode iniciar”. Isso é muito importante, porque quando se trata de iniciação, não é uma questão de quem está mais próximo, e sim de quem está em seu coração. A pessoa na qual você põe sua fé, você se inicia com ele. Porém, quando se trata de formalidade, é simplesmente quem estiver mais próximo, e isto estava muito claro. Ele nomeou-os. Eles estavam espalhados ao redor de todo o mundo, e ele disse: “quem quer que esteja mais próximo, você deve se aproximar dessa pessoa, e eles irão examiná-lo. Então, em meu nome, eles irão dar iniciar.’ Não é uma questão de ter fé nessa pessoa, nada. Esta é a função do guru.

Prabhupada falou: a fim de administrar este Movimento, eu tenho que formar um GBC, e eu irei nomear as seguintes pessoas. A fim de continuar o processo para que as pessoas juntem-se ao nosso Movimento e sejam iniciadas, eu tenho que nomear alguns sacerdotes para me ajudar (...) porque eu não posso lidar fisicamente com todos”.

E isso foi tudo , e nunca foi mais do que isso, você pode apostar seu último dólar que Prabhupada esteve falando por dias, horas e semanas a fio, sobre como configurar esta coisa com os gurus, porque ele já havia de fato dito isso um milhão de vezes. Ele disse: “meu Guru-maharaja não apontou ninguém. Isso é por qualificação”. Nós cometemos um grande erro. Após a partida de Prabhupada qual é a posição destas onze pessoas?”

Prabhupada mostrou que isso não era apenas para sannyasis. Ele nomeou duas pessoas que eram grihastas, que poderiam pelo menos ser Ritviks, mostrando que eles eram iguais a qualquer Sannyasi. Então, qualquer um que seja espiritualmente qualificado – é sempre entendido que você não pode aceitar discípulos na presença de seu guru, mas quando o guru desaparece você pode aceitar discípulos se você for qualificado e alguém pode pôr sua fé. Certamente, eles (os candidatos a discípulo) deveriam avaliar plenamente para poder distinguir quem é um guru apropriado. Mas se você é um guru apropriado, e seu guru não está mais presente, este é o seu direito. Assim como um homem pode procriar (...) infelizmente o GBC não reconhece este ponto. Imediatamente eles (assumiram, decidiram) que essas onze pessoas eram os gurus selecionados. Por mim mesmo eu posso dizer definitivamente, e pelo qual eu humildemente peço perdão para todo mundo, que havia definitivamente um certo desejo de tentar controlar (...) Essa é a natureza condicionada, e ela apareceu na mais alta posição para todos: “guru, ó, maravilhoso!’ Agora eu sou guru, e há apenas onze de nós”...

Eu sinto que esta realização ou este entendimento é essencial se nós queremos evitar que mais incidentes futuramente aconteçam, porque, creiam-me, isso irá se repetir. Isso é uma questão de tempo, até que as coisas tenham desbotado um pouco, e novamente outro incidente irá acontecer, seja aqui em L.A., ou em algum outro local. Isso irá acontecer continuamente até que vocês permitam que a verdadeira força espiritual de Krishna seja exibida sem restrições (...) Eu sinto que o GBC, se eles não adotarem este ponto muito rapidamente, se eles não adotarem esta verdade... Vocês não podem me mostrar qualquer gravação ou um escrito onde Prabhupada diga: “eu apontei este onze gurus”, isso não existe porque ele jamais apontou nenhum guru. Isso é um mito (...) No dia que você recebe a iniciação você obtém o direito de se tornar um pai quando seu pai desaparecer, se você for qualificado. Nenhum apontamento. Isso não requer uma nomeação, porque não existe uma.

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[1] Esta interpretação é defendidano texto de Ajamila Das, “Regular or Ritvik”, publicado no GBC´s ISKCON Journal, 1990.

[2] Nós gostaríamos de mencionar que a maioria dos devotos acima reconheceram suas falhas, e assim nós pedimos desculpas por qualquer ofensa ou embaraço que talvez causemos. Talvez eles possam apreciar o fato de que as suas cartas pessoais, enviadas por Srila Prabhupada e direcionadas especificamente para seus anarthas pessoais, estão sendo utilizadas como base para o M.A.S.S. dentro da ISKCON.